Festival de Cirandas de Manacapuru

Guerreiros Mura une ancestralidade e inovação em espetáculo no Parque do Ingá

A agremiação apresentou o tema ‘Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apurica’, na segunda noite do Festival de Cirandas de Manacapuru

acritica.com
30/08/2026 às 11:42.
Atualizado em 30/08/2026 às 11:44

(Foto: Divulgação)

A Ciranda Guerreiros Mura transformou a arena do Parque do Ingá, em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), em um cenário de ancestralidade, cores e inovação durante a segunda noite do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru, no último sábado (29). Concorrendo ao título de campeã, a agremiação apresentou o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apurica”, proporcionando ao público uma viagem pela narrativa ancestral do povo Apurinã.

Sem deixar de lado elementos tradicionais da ciranda, a Guerreiros Mura apostou em novas construções coreográficas para desenvolver a história dentro da arena. O cordão de cirandeiros formou diferentes desenhos ao longo da apresentação, alternando movimentos inspirados em referências tribais com passos de características do balé.

A coreografia e as alegorias também dialogaram diretamente com o desenvolvimento do enredo. Com movimentos, efeitos tecnológicos, acabamento detalhado e cores vibrantes, as estruturas modificaram o cenário da arena ao longo do espetáculo.

(Foto: Divulgação)

O cordão de cirandeiros acompanhou as mudanças da narrativa, fazendo dos brincantes parte da construção visual apresentada ao público. Os recursos visuais também foram utilizados para representar personagens e passagens do enredo, enquanto a iluminação contribuiu para destacar momentos específicos da apresentação.

O presidente da Guerreiros Mura, Renato Teles, destacou a responsabilidade de apresentar o projeto construído pela agremiação e receber o público que acompanha o festival.

“Nós temos a responsabilidade hoje de fazer a festa para o visitante, fazer a festa para os torcedores da cidade e da Guerreiros Mura. Então, é uma emoção grande. Isso aqui, na verdade, é realmente uma prestação de contas. Nós estamos fazendo daquilo que nós recebemos do Estado, pelo qual nós agradecemos muito”, declarou.

Espetáculo que une arte e paixão

(Foto: Divulgação)

Nas arquibancadas, a Torcida Nação Guerreirense acompanhou o espetáculo e respondeu às evoluções com incentivo aos brincantes, fazendo da participação do público outro componente da apresentação.

Na arena, os cirandeiros mostraram o trabalho feito durante meses, com passos coreográficos sincronizadas. Para Sheila Emanuely, que participa há dois anos do cordão, entrar no Parque do Ingá representou a conclusão de meses de preparação.

“É para representar um esforço, porque foi um esforço de seis meses. Cada um se esforça. Chegar aqui agora, estar aqui com a indumentária, é uma emoção muito grande, porque é um momento que a gente espera muito. A gente entrou, fez um show e saiu dessa arena campeã”, afirmou.

Se a noite marcou mais uma entrada da Guerreiros Mura na disputa pelo título, também representou o encerramento de um ciclo para uma das integrantes do cordão. Cristiane Matos, que há 23 anos participa da agremiação, entrou na arena com a intenção de se despedir do cordão de cirandeiros.

(Foto: Divulgação)

Antes da apresentação, a brincante não conteve as lágrimas ao falar sobre a relação construída com a ciranda durante mais de duas décadas. “Hoje é emoção acima de tudo. A expectativa de um grande festival e, ao mesmo tempo, a alegria de poder estar aqui mais uma vez vivendo esse momento, essa emoção grande e o amor que eu tenho pela Guerreiros Mura. São 23 anos, mas todo ano é como se fosse a primeira vez”, contou.

A despedida, segundo Cristiane, representa o encerramento de uma trajetória iniciada ainda na infância. “Estou chorando, estou emocionada, porque ao mesmo tempo em que inteiro 23 anos no cordão, eu também pretendo me despedir. É algo que mexe muito comigo, porque a Guerreiros Mura é como uma segunda casa. Hoje, o meu choro é de alegria, amor e, acima de tudo, agradecimento por tudo”, afirmou.

(Foto: Divulgação)

Tradicional encerra apresentações neste domingo

Após Flor Matizada abrir o festival na sexta-feira (28) e Guerreiros Mura ocupar a arena neste sábado, a Ciranda Tradicional encerra as apresentações do 28º Festival de Cirandas, neste domingo (30).

A agremiação levará ao Parque do Ingá o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, uma reflexão sobre os impactos da destruição ambiental na Amazônia e a resistência dos povos que atuam na defesa da floresta.

Neste ano, a disputa pelo título ocorre entre Guerreiros Mura e Tradicional, após a Flor Matizada decidir não concorrer à premiação em razão da morte do artista Jone Salgado, integrante da equipe de montagem das alegorias. A apuração das notas está prevista para segunda-feira (31).

Para além da competição na arena, o 28º Festival de Cirandas de Manacapuru reúne música, dança, artes cênicas, produção alegórica, além de mobilizar artistas, brincantes e profissionais envolvidos na preparação dos espetáculos, ao longo do ano. A realização do festival contribui para manter viva a tradição cirandeira e fortalecer a identidade cultural de Manacapuru no calendário cultural do Amazonas.

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