LITERATURA

Livro resgata trajetória de Egydio Schwade na transformação do indigenismo no Brasil

Publicação reúne relatos e análises do indigenista sobre cinco décadas de convivência com povos originários e de atuação na defesa de seus direitos

Omar Gusmão
online@acritica.com
06/07/2026 às 16:23.
Atualizado em 06/07/2026 às 18:10

indigenista Egidio Schwad (Foto: Divulgação)

O indigenista Egydio Schwade lança nesta terça-feira (7), às 14h30, no auditório do Sebrae em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), o livro “Memórias das Lutas da Construção do Indigenismo Encarnado”, no qual relembra sua trajetória de mais de cinco décadas de luta em defesa dos povos indígenas do Brasil. 

O livro traz uma série de artigos nos quais o filósofo, teólogo, indigenista e ativista social brasileiro faz uma reflexão sobre a trajetória da causa indígena e também na construção do indigenismo encarnado, uma vertente de atuação e convivência com os povos originários que se baseia na vivência profunda, na qual o indigenista aprende a língua e passa a viver junto à comunidade indígena.

Na obra, o autor discorre sobre um conjunto de momentos históricos importantes dos quais ele fez parte, a maioria das vezes como protagonista, como a construção da Operação Anchieta, primeira organização não-governamental brasileira de cunho indigenista, fundada em 1969 e que desde os anos 90 passou a se chamar Operação Amazônia Nativa (Opan).

No livro de memórias de Egydio Schwade também não poderia faltar a história da criação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo vinculado à Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB), que desde 1972 atua em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil, e contou com a participação essencial de Egidio Schwad em sua fundação.
 
Além da criação de organizações fundamentais para a causa indígena nas quais o autor das memórias foi figura de frente, a obra traz também o registro de todo o trabalho de contato, recenseamento e denúncia das atrocidades cometidas contra os povos indígenas durante a ditadura militar.

“Sinto-me feliz de poder ter participado de toda uma reviravolta da política indigenista brasileira com relação aos povos indígenas de todo o país, que em 1963, quando iniciei esse trabalho indigenista, eram considerados uma causa perdida e hoje estão aqui com muita força crescendo em todo sentido na sua cultura, na sua autodeterminação e voltando à cena brasileira como protagonistas de um futuro melhor para todo o país”, afirma o indigenista e autor das memórias.

O lançamento da obra será transmitido pelo canal no YouTube do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Durante o evento, também será realizada a exibição do documentário "Egydio Schwade e o silêncio dos Kiña", do diretor Heraldo Daniel.

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