Da Amazônia para a Coreia do Sul

Manauara Clandestina apresenta ‘Cobra Grande’ na 16ª Bienal de Gwangju

Nascida em Manaus, a artista visual apresenta instalação têxtil inédita sobre migração e cosmologia amazônida no primeiro Pavilhão do Brasil no festival sul-coreano.

acritica.com
06/08/2026 às 15:16.
Atualizado em 06/08/2026 às 15:16

Manauara Clandestina (Foto: Raffaelle Oliveira/Divulgação)

Em um momento de forte projeção global, impulsionado por passagens marcantes pela Bienal de Veneza (2024) e pela 36ª Bienal de São Paulo (2025), a artista visual Manauara Clandestina é um dos nomes confirmados na 16ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul. Ela integra a exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, primeiro Pavilhão do Brasil na história do evento, em cartaz de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026 no Gwangju History & Folk Museum.

(Foto: Gonzalo Gaudenzi/Divulgação)

Na mostra, Manauara apresenta “A COBRA GRANDE” (2026), instalação têxtil monumental concebida em colaboração com seu irmão, o psicólogo e educador Henrique de Farias. O trabalho nasce do encontro entre a lenda ancestral amazônica e a experiência viva da migração e do trabalho.

"Desenvolver 'A Cobra Grande' ao lado do meu irmão, o Henrique, transformou a nossa própria experiência de deslocamento em matéria artística. Usamos uniformes, tecidos e marcas de uso para construir esse corpo em movimento, mostrando que a migração e o trabalho também são lugares de criação, resistência e reexistência", explicou a artista.

A poética do devir-serpente e a força amazônida

Estruturada a partir de vestimentas funcionais, uniformes de trabalho e tecidos carregados de memórias de travessia, a obra evoca a entidade da Cobra Grande, mitologia que habita as águas dos rios amazônicos, altera escalas e refaz mundos.

Para a artista, a serpente funciona como uma metáfora da própria experiência migratória e da identidade amazônida, representando um corpo que se desloca, troca de pele, contorna fronteiras e se refaz continuamente sem jamais perder o vínculo com seu território de origem.

A obra foi desenvolvida ao longo de um percurso itinerante que conecta a residência AiR 351 (Cascais, Portugal), a residência Tropismo (Seul) e a Bienal em Gwangju.

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