Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso e agora ex-participante do reality, ela reflete sobre rompimentos, estratégias de jogo e aprendizados após mais de 90 dias na competição
(Beatriz Damy/Globo)
Na reta final do ‘BBB 26’, Marciele não conseguiu evitar as berlindas como fez em boa parte de sua permanência na casa mais vigiada do Brasil. A Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso foi eliminada no último domingo, dia 12, com 59,34% dos votos no paredão contra Gabriela e Leandro. Ao longo de sua trajetória no reality, Marciele quebrou alianças feitas no início do jogo, como com Breno e Marcelo, e decidiu se integrar a um dos grandes grupos da edição, com o objetivo de se proteger das ameaças de deixar o programa precocemente.
Depois da saída de sua grande amiga Maxiane, acabou se aproximando mais de Gabriela e Jordana. Agora longe da disputa, ela avalia seu posicionamento no grupo. Na entrevista abaixo, Marciele comenta mais sobre suas alianças e rivalidades, e observa os aprendizados da experiência do reality, que chega ao fim nesta terça (21).
Quais momentos você considera os mais marcantes na sua trajetória no BBB? E quais foram os mais difíceis de enfrentar?
Um dos momentos que eu considero ter sido marcante foi o rompimento com os meninos [Breno e Marcelo], porque eu achava que era uma relação bem forte, mas fui sentindo um desconforto, uma desconfiança muito grande. A Maxi sentia a mesma desconfiança que eu. Acho que ali foi um momento bem importante na minha trajetória porque a casa toda colocou a gente como traidoras. Eu não fiz questão de provar para ninguém que eu estava sendo, a Maxi também não. A gente só seguiu no jogo. Querendo ou não, a gente assumiu um lado, sem ser o do quarteto. O momento mais difícil para mim foi depois da saída da Maxi, porque eu realmente acreditava que ela iria ficar, era uma percepção minha de dentro do jogo. Eu não tinha noção do que estava acontecendo aqui fora, então na minha visão ela ficaria. Esse foi um dos momentos mais difíceis em que eu precisei de força para me reencontrar, para continuar no jogo, para continuar na luta ali dentro.
Em determinado ponto do jogo, o quarteto formado por Breno, Marcelo, você e Maxiane se desfez. A que atribui esse rompimento?
Pensando no objetivo dos quatro, só dois estavam alinhados. Ser um quarteto e votar separado não serve para nada. Eu via muito isso, que estávamos juntos, mas na hora de votar não votávamos juntos. Isso para mim não fazia sentido. O meu pensamento e o da Maxi estavam alinhados; quando chegava no Breno passava um pouquinho; e quando chegava no Marcelo já não ia. Então, ficava difícil bolar estratégia para se proteger, não tinha como fazer isso com votos diferentes e até mesmo opiniões diferentes sobre pessoas.
Depois disso, você se aproximou do grupo do Jonas e do Cowboy, mas em alguns momentos demonstrou discordar da estratégia deles. Como interpreta sua posição olhando agora de fora?
Olhando de fora, eu acho que eu poderia ter saído, mas como ali dentro era muito polarizado em grupos, eu não me sentia segura para sair, para jogar sozinha, porque ninguém joga sozinho ali dentro. Mas as minhas opções de voto eram contra o outro grupo e a única coisa que me ligava ao quarto era o voto comum. A gente concordava em votar nas mesmas pessoas, então eu acho que isso que me manteve ali, olhando agora de fora. Vendo de forma geral, talvez se eu tivesse que fazer diferente, eu teria saído do grupo oficialmente apesar de votar junto. Não é que eu concordasse 100% com eles, mas era o que mais batia com a minha visão, mais do que com os “eternos”. Por um bom período eram os que mais estavam alinhados ao meu jogo.
Em uma prova do líder feita em trios, você acabou ficando de fora da disputa por não ter conseguido se integrar a nenhum grupo. Que sentimentos vieram à tona naquele momento?
Na verdade, eu fui pega de surpresa. Eu achei que estivesse ficando louca, mas a gente vinha de uma semana conversando que entre nós e os meninos [Jonas e Cowboy], éramos nós, uma pela outra; que se fosse em dupla, seríamos nós. E naquele momento ali eu acho até que os meninos foram muito espertos com isso. Por isso que na hora de conversar, eu fiquei até chateada que viessem os três, porque não era nada com eles; o negócio era entre mim e ela [Jordana]. A conversa poderia ter sido levada para outro rumo, mas eu também senti que ela se armou com eles – depois que eu fui vê-la falando de mim. Então, eu acho que não tinha necessidade de se armar para virem os três falar comigo um assunto que só dizia respeito a mim e a ela. Eu fiquei com um sentimento de que lá no quarto era uma coisa e depois era outra. Eu senti que muito rapidamente ela pensou só nela, pensou só no jogo e em fazer dupla com eles. Eu via muito mais força em nós duas juntas do que neles juntos, porque querendo ou não eles eram os maiores alvos da casa. Então, eu conseguia ver muita força na nossa união no jogo. Eu fiquei com raiva, me senti injustiçada naquela situação, porque era para um deles ficar de fora, não eu. Meu plano era esse: eu e ela juntas e eles terem que escolher qual dos dois iria para a prova. Seria o mais sensato naquele momento. Eu sei que eu não imaginei isso sozinha, foi algo conversado, debatido e tudo mais.
Depois da saída da Maxiane, você se aproximou bastante da Jordana. Como avalia essa relação?
Na verdade, a gente acabou não se escolhendo; foi o jogo que fez isso. A gente mais discordava do que concordava, mas no grupo – eu, ela, Cowboy, Jonas e Gabi, que ficava meio que flutuando – era a pessoa com quem eu tinha mais troca pelo fato de ser mulher também, de ter mais intimidade. Isso deu uma aproximada, porque ali a gente fica meio carente de pessoas. A pessoa pode ser boa ou ruim – tanto faz – que a gente acaba querendo ver o lado bom dela. Por isso eu a via como uma parceira, porque era com quem eu mais conversava, que dormia do meu lado, que eu tinha mais troca até em relação a coisas da vida, antes de dormir. Mas eu acho que foi o jogo que aproximou a gente, não foi uma opção. Porque eu tinha muito mais afinidade com a Gabi, por exemplo, em relação a carinho.
Você foi a última participante a enfrentar o paredão no ‘BBB 26’. Qual foi a estratégia para fugir das berlindas por tanto tempo?
Na verdade, os outros [do grupo] eram mais odiados. Tinha uma escala de prioridades de voto em que o Cowboy e o Jonas estavam no topo. Isso foi até uma consequência do jogo, eu não bolei nenhuma estratégia, até porque eu sabia que a gente estava em menor número. Se eu fosse bolar uma estratégia, eu iria para o outro lado, onde tinha o maior número de pessoas, onde eu sentia que eles se juntavam mais para tirar o grupo oposto. Então, isso foi consequência do jogo deles que me beneficiou, por eles serem quem mais o pessoal queria fora da casa. Eu sempre estava em 4º lugar e a Gabi, em 5º. Em primeiro, Jonas; em segundo, Cowboy; em terceiro, Jordana. Foi realmente o que o jogo mostrava. Por isso que eu consegui ir muito longe sem enfrentar o paredão.
Com que participantes deseja manter amizade fora da casa?
Acho que amiga mesmo só vou ser da Gabi e da Maxi. Da Chay também, ela é maravilhosa. Eu vi algumas coisas que ela falou, mas nada ao ponto de não querer. Com os outros, se tiver vai ser algo ocasional, não algo que eu vou querer cultivar. Eu sempre fui assim. Sempre tive as pessoas da minha vida; quem eu não quero, vou tirando e vida que segue. Lá no jogo não dava para tirar, mas aqui eu vou tirando.
Que aprendizados carrega dessa experiência tão longa, de mais de 90 dias no ‘BBB 26’?
Eu consegui ter uma virada de chave lá dentro da casa. Eu fui do céu ao inferno, e no subsolo do inferno... passei por muita coisa ali dentro, emocionalmente falando. Consegui fazer algo que nem em dez anos de terapia eu conseguiria, que é sair do modo cuidadora, de estar preocupada com o outro, e passar a olhar para mim, me preocupar comigo. Resgatei uma força que eu tinha quando morava com os meus pais em casa, que depois que eu saí não conseguia mais enxergar porque eu estava a todo tempo em modo sobrevivência. No BBB, eu desliguei esse modo sobrevivência e estava vivendo, independentemente se um dia era chorando, o outro sorrindo, bebendo, curtindo... eu estava vivendo livremente. Acho que o BBB me permitiu viver livremente e ter acesso a uma força que eu não lembrava mais que tinha.
Faltou viver alguma coisa no BBB?
Eu vivi muito. Fiz tudo o que eu queria fazer, beijei quem eu queria beijar, dancei o que eu queria dançar, bebi... eu vivi tudo o que eu queria viver, de verdade. Só se vive uma vez, né?
* Com informações da Comunicação Globo