Pesquisa feita pelo Game Brasil 2021 aponta que as mulheres são a maioria entre os gamers, representando 51% dos jogadores no País
Ívina Garcia é jornalista e pesquisadora de eSports (Divulgação)
Aquela história de que jogos eletrônicos são apenas para o público masculino, além de preconceituosa, já está mais do que ultrapassada. As mulheres vêm, inclusive, dominando o cenário de eSports (esportes eletrônicos) ao longo dos anos, mostrando suas habilidades em jogos, seja apenas por diversão ou de maneira profissional durante os campeonatos. Uma pesquisa feita pelo Game Brasil 2021 aponta que as mulheres são a maioria entre os gamers, representando 51% dos jogadores no País.
De acordo com a jornalista e pesquisadora de eSports, Ívina Garcia, o Amazonas se destaca no que diz respeito a campeonatos dedicados ao público feminino. “O Amazonas é diferenciado, porque, por exemplo, ano passado foi a primeira vez que o campeonato brasileiro de League of Legends teve um campeonato só feminino. E o Amazonas já faz isso desde 2019. A gente têm vários campeonatos ao longo do ano, só de times femininos. E é muita gente, são uns 10, 15 times só de mulheres”, destaca.
Lidando com haters
Mas se há uma forte representatividade feminina no mundo gamer, por que as mulheres ainda sofrem preconceito nesse cenário? A famosa streamer gamer (pessoa que trabalha fazendo transmissão ao vivo enquanto joga) amazonense Lucilene Montanha, mais conhecida como tia Lu, 51, ingressou no mundo dos jogos online lá em 2008. “Comecei com o ‘Point Blank’, depois ‘l2’ o ‘Lineage’, ‘Second Life’, ‘Shaya’... Até que cheguei no ‘League of Legends’, que é o game que mais jogo em live com o pessoal, os ‘sobrinhos da tia Lu’”, diz ela.
A streamer, que já foi proprietária de uma lan house, destaca que hoje em dia existem mais mulheres da idade dela e até mais velhas, que fazem o que gostam: curtir um bom game junto com a ‘galera. No entanto, alguns “haters” ainda se fazem presente. Como lidar com eles?
Hina Oliveira é estudante de jornalismo e gamer
A estudante de jornalismo Hina Oliveira, 26, sempre jogou jogos de celular. Atualmente ela tem “Uno”, “Mobile Legends”, “Gartic”, jogos de adivinhar as palavras como “Termoo” ou “Contexto.me”, além de “League of Legends” e “Valorant” entre os seus favoritos. Ela entrou em um time feminino de “League of Legends” no ano passado, e o time participou de um campeonato da “Player Games”, sendo o único time feminino a participar. Hina destaca que, embora as mulheres venham ganhando cada vez mais espaço no cenário gamer, o machismo ainda é uma realidade.
“O cenário feminino local tá crescendo muito. Eu vejo meninas jogando, competindo e ganhando diversas modalidades de jogos, de igual pra igual. Claro, sempre ocorre de um ou outro fazer ‘piadinhas’ machistas, mas não é algo pra gente se deixar abalar, porque isso é uma minoria. Tem muita gente que vai apoiar e nos abraçar enquanto jogadoras”, afirma ela.
Influenciadora
A amazonense Letícia Eduarda, 18, se interessa por jogos desde a infância. Ela começou a competir através do “Free Fire”, mas atualmente joga apenas por diversão e inclusive virou influencer de jogos. Para Letícia, que já participou de competitivos e que continua envolvida no mundo gamer de várias outras formas, o cenário felizmente vem mudando.
Letícia Eduarda é gamer e influencer de jogos