Por mais um ano, críticos amazonenses integram o time de votantes do evento
Globo de ouro é uma premiação reconhecida como uma das maiores honras que um profissional do cinema pode receber (Divulgação)
A 84ª edição do Globo de Ouro, que ocorrerá no dia 10 de janeiro de 2027, contará mais uma vez com amazonenses entre os votantes responsáveis por escolher os vencedores. O anúncio, embora objetivo, carrega um significado ainda maior quando olhamos nas entrelinhas: ele marca a permanência e o fortalecimento de vozes da Amazônia em um dos espaços mais influentes do cinema mundial.
A posição não representa apenas ocupar uma cadeira em uma votação internacional, mas inserir novos olhares em uma indústria historicamente centralizada no eixo Sul-Sudeste do país. Além disso, evidencia a potência do cinema produzido no Norte, como destaca Caio Pimenta, fundador do CineSet, site de cinema autoral de Manaus, que representará, pelo segundo ano consecutivo, a premiação.
Caio Pimenta, fundador do Cine Set, criado em 2014, volta para mais um ano como votante da premiação
A presença desses profissionais no corpo de votação representa uma mudança sutil, mas significativa, na forma como o cinema mundial pode ser percebido e avaliado. Afinal, quem assiste também constrói narrativas. E, quando esse olhar vem da Amazônia, ele traz consigo uma bagagem cultural marcada pela diversidade, pela resistência e por uma relação única com o território.
Camila Henriques, crítica de cinema do site Feito por Elas e uma das apresentadoras do podcast Sábado Sem Legenda, afirma que, além de uma honra, assumir o posto de votante também é uma responsabilidade.
Muito além de uma conquista pessoal, o momento reafirma um movimento em que o Norte deixa de ser apenas cenário para se tornar também um agente ativo nas decisões que moldam o cinema global. Caio afirma que, com o crescimento da indústria e a busca por diversidade e visibilidade para regiões antes pouco exploradas, o cinema nortista deixa de ocupar a margem para ganhar espaço no centro das discussões.
Camila Henriques, crítica de cinema e apresentadora do podcast ‘Sábado Sem Legendas’, destaca que além de uma honra, ser parte do time do Globo de Ouro é uma grande responsabilidade
Se antes a crítica de cinema ocupava um espaço quase solene, restrito às páginas especializadas e às assinaturas reconhecidas, hoje ela se dissolve e, ao mesmo tempo, se expande nas telas por meio do público, que não apenas consome filmes, mas também opina, debate, ranqueia e, muitas vezes, antecipa veredictos. Nesse cenário, as premiações deixam de ser apenas celebrações da indústria para se tornarem arenas públicas de julgamento coletivo.
Essa transformação torna a experiência do cinema mais participativa e, talvez, também mais complexa, já que muitos fãs de filmes não se satisfazem apenas com a opinião de críticos profissionais. Além disso, entre listas, tendências e cortes de cenas que viralizam nas redes sociais, o gosto popular ganha força e visibilidade, influenciando até mesmo a forma como os filmes são percebidos antes de serem assistidos. O aplauso e a rejeição acontecem em tempo real e, por vezes, sem mediação.
Para Caio Pimenta, esse novo cenário representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio.
Nesse equilíbrio delicado entre ouvir o público e manter um posicionamento crítico, a crítica profissional continua ocupando um papel relevante.