Adaptação de 'Mestres do Universo' resgata elementos clássicos da franquia e reforça a força do saudosismo na cultura pop contemporânea
He Man marcou uma geração e volta para encantar novos públicos
Existem momentos em nossa vida que temos a certeza de que viverão em nossas memórias para sempre, momentos que nos levam da vida adulta às doces lembranças da infância. Esse é o caso da nova adaptação do famoso personagem He-Man dos anos 80 que se popularizou no Brasil, provocando o nascimento de fãs que acompanham até os dias de hoje a história do herói.
Com a tendência do saudosismo em alta, que reflete o desejo de escapar de um presente incerto e tecnológico em busca de refúgio, segurança e autenticidade em coisas do passado, o longa-metragem traz para o centro do debate o poder emocional de histórias que atravessam gerações.
Para Viviane Maia, de 51 anos, a possibilidade de rever o herói nas telas após tantos anos é uma experiência única. “Cresci acompanhando as aventuras do He-Man. É engraçado e ao mesmo tempo emocionante ver o desenho ganhando ‘vida’. Me sinto como uma criança ao ver essa história novamente, um frio na barriga, sabe? Estou ansiosa para reencontrar os personagens no cinema, espero que tenham feito tão legal quanto os desenhos’, aponta.
Nesse contexto, He-Man deixa de ser apenas um símbolo de bravura e fantasia para se tornar um ponto de conexão entre diferentes fases da vida do espectador. Para os que cresceram acompanhando suas aventuras, há um resgate afetivo quase imediato; para os novos públicos, surge a oportunidade de conhecer um universo que, mesmo com décadas de existência, ainda dialoga com temas universais como coragem, identidade e responsabilidade.
Para o produtor e sonoplasta, Uriel Vasconcelos, este momento reflete na quebra das apresentações dos remakes de Hollywood, que começou a apresentar novas roupagens para filmes e séries que são ícones de cultura com uma leitura mais sombria e realista, e hoje abraça o resgate visual original das sagas.
“Para o momento atual dos remakes, essa nova adaptação do He-Man traz uma quebra do que Hollywood começou a apresentar nos anos 2010. Travis Knight fugiu do realismo sombrio e abraçou a "galhofa", assumiu as cores vibrantes, roupas espalhafatosas, abraçando a fantasia sem vergonha de resgatar o visual da obra original, seguindo a tendência de obras mais recentes como o filme Barbie, de 2023, que sugere que os remakes e filmes de personagens clássicos estão entrando numa fase onde a homenagem é feita respeitando o que encantava na obra original”, afirma.
Assim, Mestres do Universo, se insere perfeitamente em um movimento cultural mais amplo, onde revisitar o passado não é apenas um sentimento de nostalgia, mas uma forma de reinterpretar valores e emoções à luz do presente conectando pais e filhos.