É nesse convívio que músicas, filmes, livros e outras referências passam a fazer parte não apenas do dia a dia das crianças, mas também das lembranças construídas ao lado dos pais, cuja data comemorativa é celebrada neste domingo (9).
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Uma música ouvida no caminho para a escola, um filme assistido em família ou uma história antes de dormir. Atividades assim podem parecer apenas parte da rotina, mas também criam oportunidades para pais e filhos dividirem gostos, histórias e tempo juntos. É nesse convívio que músicas, filmes, livros e outras referências passam a fazer parte não apenas do dia a dia das crianças, mas também das lembranças construídas ao lado dos pais, cuja data comemorativa é celebrada neste domingo (9).
DE PAI PARA FILHO
O delegado de Polícia Demetrius Queiroz, de 45 anos, divide com o filho, Kalel Sales de Queiroz, de 9, filmes e canções que fizeram parte de diferentes momentos de sua vida. “Tento sempre contextualizar músicas com épocas da minha vida ou filmes clássicos, principalmente de super-heróis. Apresentei a ele todos os filmes e seus respectivos remakes modernos. Hoje meu filho conhece a maioria em suas versões originais”, conta.
(Foto: Acervo pessoal)
Demetrius também toca na banda Overload, e uma das canções do repertório ganhou um significado e s p e c i a l para os dois. “Uma música que ele gosta muito é ‘Never Gonna Give You Up’, do Rick Astley, clássico dos anos 80. Ele viu a Overload tocando quando era bem pequeno e sempre pediu para eu colocar no carro enquanto estávamos indo para sua escola pela manhã. Hoje o personagem dele no Fortnite dança essa música. E também foi a música escolhida por ele na entrada na formatura do ABC”, lembra Demetrius.
As conversas entre pai e filho também levam Kalel a conhecer um pouco da infância do pai. “Espero que Fotos: Arquivo Pessoal ele guarde na memória um pouco das histórias e lições que conto para ele de como era a vida na década de 80, sem celular, sem internet, ouvindo músicas em disco de vinil”.
CULTURA NO COTIDIANO
Para o jornalista Jhonny Lima, muitos dos momentos com o filho, Valentin Alcântara Lima, de 5 anos, são também momentos de brincadeira. A curiosidade por canções apareceu cedo nessa convivência. “Com 3 anos ele começou a despertar esse interesse. No início, eram as infantis. Eu sempre cantei e até hoje canto junto com ele. Nesse momento eu me torno criança e brincamos, corremos e pulamos juntos”, conta Jhonny.
(Foto: Acervo pessoal)
As toadas de boi-bumbá também fazem parte do que pai e filho compartilham. Jhonny é torcedor do Caprichoso, enquanto a mãe de Valentin torce para o Garantido. “Por eu gostar muito de toadas e da cultura do boi-bumbá de Parintins, ele começou a ouvir bastante, tanto Caprichoso quanto Garantido. Ele ouve as toadas, assiste às apresentações e coreografias e ainda fala que torce para os dois bois. Ao ver qualquer coisa com a cor azul, ele associa ao Caprichoso e, do mesmo modo, quando vê a cor vermelha, associa com o Garantido”.
Entre os momentos que compartilha com Valentin, Jhonny guarda um desejo para o futuro. “Gostaria e desejo muito que ele sinta e guarde na gaveta de boas memórias todos esses eventos que fazemos juntos. Da coisa mais simples, como fazermos juntos pão de queijo em casa, brincar na piscina inflável, correr e brincar de pega-pega dentro de casa, brincar de ‘dino’, ele fugindo de mim e eu correndo para pegá-lo. É muita diversão”.
SEM OBRIGAÇÃO
Para a educadora Sarah Campelo, esse contato começa muitas vezes dentro da própria família. “A família tem um papel muito importante porque é, muitas vezes, o primeiro espaço onde a criança experimenta a cultura. É observando seus avós, seus vizinhos, seus pais, que elas iniciam uma construção de pensar o que é o mundo. E isso não precisa acontecer de uma forma planejada ou sofisticada. Pode ser lendo uma história antes de dormir, ouvindo uma música juntos, desenhando, contando histórias da família ou até conversando sobre uma arte que encontraram na rua”.
Para Sarah, essas experiências podem encontrar espaço de diferentes formas no dia a dia das famílias. “Eu acho i m p o r t a nt e não transformar a cultura em mais uma o b r i g a ç ã o na rotina, e muito menos c o n s t r u i r uma ideia que cultura seja algo extraordinário. O mais importante é criar oportunidades de experimentar e compartilhar. Uma família pode escolher uma m ú s i c a para ouvir e dançar junto, deixar papel e lápis disponíveis para a criança desenhar livremente, contar histórias da infância dos pais e dos avós, montar um cantinho com livros, assistir a um filme e depois conversar sobre o que acharam ou até observar a cidade durante um passeio”.
A participação da criança também entra nessa relação. “Se ela quer desenhar, que desenhe; se quer ouvir a mesma música dez vezes, tudo bem; se quer inventar uma história, melhor ainda. O contato com a cultura fica muito mais significativo quando existe liberdade e quando o adulto participa junto, em vez de apenas ensinar. E também quando a criança não somente é vista como consumidora, mas também como criadora”, explica Sarah.
No fim, ela chama atenção para aquilo que é compartilhado durante essas atividades. “Quando um adulto senta para desenhar com uma criança, ouvir uma música ou ler uma história, ele não está apenas apresentando uma linguagem artística, mas compartilhando tempo, atenção e afeto. É daí que surgem muitas memórias que ficam para a vida”.