Artista lançou Cria de Caxias nas principais plataformas digitais
(Foto: Divulgação/Caio Viegas)
"Isso é cria de Caxias, respeita quem vem de lá", assim canta Pocah na faixa-título do seu primeiro disco. Com diversos sucessos no funk - e fora dele -, pioneirismo na cena feminina e preconceitos vencidos, ela lançou o álbum "Cria de Caxias" na última terça-feira (03), nas principais plataformas digitais.
O disco é dividido em três atos distintos (MC Pocahontas, Pocah e Viviane) e cada um representa uma fase da vida e da carreira de Pocah. Essa estrutura narrativa se faz presente tanto na sonoridade quanto no conteúdo lírico das faixas, com cada ato sendo introduzido por uma interlude que marca o início de um novo capítulo.
Em entrevista exclusiva ao BEM VIVER, a artista falou sobre o momento na carreira. "Comecei a trabalhar neste álbum desde 2021, me dediquei bastante nele. Quis entregar um trabalho que contasse a minha história por meio da minha arte. Então, eu me inspirei muito nas minhas raízes, nos sons da periferia e na cultura de Caxias. Isso está muito presente nas batidas, nas letras e em todo o fio condutor do disco", afirmou.
De acordo com Pocah, "Cria de Caxias" não é apenas um álbum, mas um projeto biográfico e conceitual que resgata suas raízes em Duque de Caxias, onde cresceu e encontrou inspiração.
"São três fases muito distintas uma das outras. MC Pocahontas tem o conteúdo lírico muito debochado, desbocado e sarcástico. Eu era assim no início da minha carreira, e metia moral nos homens e exaltava as mulheres. A batida era um 'funkão' bem pesado, beat agressivo e rápido. Já Pocah é uma fase onde o pop, em todos os seus significados, entra na minha vida. Então, as composições são mais populares, que chegam em todos os lugares com mais facilidade e você vê que a entrada de outros ritmos e gêneros também chegam juntos", revelou.
O terceiro ato, Viviane, é uma vulnerabilidade que a artista nunca havia explorado antes. "É algo que eu nunca fiz artisticamente, explorando meus vocais e minhas dores e vivências de uma forma muito potente na letra", completou Pocah.
Novos gêneros
No segundo ato de "Cria de Caxias", a artista simboliza uma transição para uma fase mais ousada, o que fez com que experimentasse novos gêneros musicais - sem, é claro, perder as suas raízes no funk.
"Eu falo que sou funkeira e vou ser funkeira até morrer. Tenho muito orgulho disso, inclusive. As pessoas têm um preconceito com funkeiro, que a gente só sabe cantar funk e nada mais. Eu comecei com uma banda de rock, depois fui cover de RBD, cover de Pussycat Dolls... Eu tenho várias referências em mim. Eu acho que o maior desafio foi ter que me provar para as pessoas. Mostrar para elas que a funkeira também sabe ir num programa de TV e cantar bem Preta Gil ou Kelly Rowland", frisou Pocah.
O disco marca também uma nova faceta da artista, mais íntima e emocional, na qual aborda temas pessoais, traumas e batalhas.
"Usei de experiências que eu vivi para fazer essas músicas. Cicatrizes que eu tenho, que já tinha falado antes, em entrevistas, mas nunca em arte. Não quero que o assunto seja eu. Quero que quem escute essas músicas possa ressignificar as minhas dores. Que de alguma forma quem passou por um relacionamento abusivo saiba que não está sozinha e, quem ainda está passando, tenha forças para sair dele. Acho que é sobre isso, se identificar, trazer a sua própria perspectiva para a música e fazer dela uma corrente de coisas positivas".
Rock in Rio
Além do disco, Pocah tem outros motivos para celebrar. No próximo dia 20, por exemplo, ela será uma das artistas que comandará o Espaço Favela, no Rock in Rio, no Rio de Janeiro.
"Minhas expectativas são as maiores possíveis. Esse show vai marcar oficialmente o início dessa nova era, vamos trazer o disco para o palco, brincando com essa ideia das personas. Estou muito animada", finalizou.