Encontros presenciais fortalecem vínculos e trocas entre leitores
(Foto: Arquivo Pessoal)
Os que amam folhear as páginas de livros podem comemorar, pois os clubes de leitura têm retomado à cena manauara, contagiando leitores de todas as idades. Mesmo com o mundo ao alcance das mãos através da tela de um celular ou de um computador, ainda há quem prefira os impressos. E a busca pelo contato físico com as obras literárias e com outros apaixonados pela leitura tem dado força para a volta dos clubes de livros em Manaus.
Seja nas livrarias de rua, cafés e espaços culturais, os leitores têm trocado discussões virtuais por encontros físicos, redescobrindo o valor da conversa ao vivo e da curadoria feita por pessoas. Para Angela Beatriz da Silva Simplício, fundadora do clube de leitura ‘Os Rejeitados’ (@ clubeosrejeitados), a diferença está justamente no aspecto de ser algo mais humano.
“É aquela escolha que surge no acaso: quando você entra em uma livraria e se deixa atrair por uma capa inesperada; quando observa alguém completamente imerso em um livro no transporte público; ou quando, em uma conversa entre amigos ou após uma aula, surge a indicação de uma obra que dificilmente apareceria em suas buscas”, conta.
A tendência surge em meio ao chamado ‘boom da recomendação algorítmica’, em que plataformas digitais sugerem livros com base em padrões de consumo. Mas essas indicações nem sempre contemplam a diversidade de experiências que muitos leitores buscam.
ACOLHIMENTO LITERÁRIO
Um dos fatores também buscados por quem entra em um clube do livro é a busca por pertencer a algum lugar. É sobre ser acolhido, o que com certeza os clubes literários fazem muito bem. Rachel Marinho é idealizadora do Lily Book Club (@lilybookclub). Com um acervo de cerca de 500 livros, o clube nasceu da necessidade de criar um espaço seguro e acolhedor para mulheres.
“A ideia do Lily surgiu justamente de uma lacuna que eu percebia aqui em Manaus: a ausência de um espaço feminino em que pudéssemos nos sentir à vontade para conversar sobre livros e, ao mesmo tempo, sobre tudo aquilo que nos interessa. O clube vai além da leitura. Percebo que hobbies tradicionalmente associados ao universo masculino costumam ser mais valorizados e incentivados. Por isso, quis trazer essa mesma relevância para a leitura, que, para muitas mulheres, funciona como um refúgio quase terapêutico em meio a rotinas intensas”, destaca.
REFLEXÕES SOCIAIS
Nos grupos, a curadoria também costuma ser coletiva. A escolha dos livros acontece de forma colaborativa. Os participantes indicam obras, e a partir da leitura, isso pode gerar reflexão, debate e troca de perspectivas.
Nos encontros, a literatura se transforma em ponte para discussões e reflexões importantes. Essa é a percepção de Tamires Melo, participante do clube ‘Conto das Gostosas’ (@contodasgostosas). Com isso, os clubes têm impacto direto no cenário cultural.
“No clube, há muitas pessoas que já se conheciam ou que são amigos de amigos, mas tenho percebido uma ampliação dessas conexões, com a construção de vínculos mais fortes dentro dessa pequena comunidade. É um espaço onde todos têm voz e podem expressar suas opiniões sem medo de julgamentos — quando eles aparecem, vêm em forma de brincadeira e muitas risadas, o que torna tudo mais leve”, revela.
E assim, os clubes literários resgatam a experiência humana compartilhada, o encontro, a escuta e o acolhimento.