Cinema

Toy Story 5 mostra que a infância está mudando e isso assusta

Dirigido por Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-E) e McKenna Harris (Luca e Elementos), o filme aposta em uma história capaz de dialogar com questões muito atuais. Mais do que uma aventura sobre brinquedos,

Luana Moura
19/06/2026 às 13:08.
Atualizado em 19/06/2026 às 14:25

(Foto: Divulgação)

A Disney fez de novo! Toy Story 5 chega em um momento oportuno. Em uma era em que muitas crianças parecem nascer já sabendo usar um smartphone, a animação apresenta Bonnie como alguém que ainda consegue viver plenamente o universo da imaginação e das brincadeiras, aproveitando aquilo que existe de mais valioso na infância.

Dirigido por Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-E) e McKenna Harris (Luca e Elementos), o filme aposta em uma história capaz de dialogar com questões muito atuais. Mais do que uma aventura sobre brinquedos, Toy Story 5 propõe uma reflexão sobre o excesso de tecnologia, a hiperconectividade e o impacto que esse cenário pode ter sobre as novas gerações.

(Foto: Divulgação)

 E, como já era esperado, as salas de cinema estão cheias não apenas de crianças, mas também de fãs que cresceram acompanhando a franquia. Em muitos momentos, os adultos parecem se divertir tanto quanto os pequenos.

Desta vez, os holofotes se voltam para Jessie. A cowgirl assume um papel central na narrativa, surpreendendo quem se acostumou a ver Woody e Buzz liderando as histórias da franquia. A mudança funciona e ajuda a renovar a dinâmica do grupo, embora a essência da série permaneça a mesma.

Ao longo da trama, fica evidente como o mundo mudou desde os primeiros filmes. Enquanto a maioria das crianças já está totalmente inserida no universo digital, Bonnie parece ser uma das poucas que ainda preserva uma relação forte com seus brinquedos. Pelo menos até a chegada de Lilypad.

O novo personagem é um tablet inteligente, moderno e programado para oferecer tudo o que uma criança poderia desejar no ambiente digital. Aos poucos, ele conquista a atenção de Bonnie e apresenta a ela um mundo repleto de estímulos, distrações e entretenimento instantâneo.

O filme sugere que essa mudança cobra um preço. Embora não trate diretamente de saúde mental, a história mostra como a dependência de estímulos constantes pode afetar a forma como as crianças se relacionam com o mundo ao seu redor. Em uma época marcada por vídeos curtos, excesso de informação e hiperestimulação visual, Bonnie passa a enfrentar dificuldades que vão muito além da simples troca dos brinquedos por uma tela.

Simplicidade e segurança fazem um filme morno

Toy Story 5 funciona quando aposta na emoção e na conexão com seus personagens. A dublagem brasileira continua excelente e ajuda a potencializar momentos divertidos e afetivos.

O problema é que a Pixar parece optar pelo caminho mais seguro possível. Os conflitos emocionais existem, mas raramente atingem a intensidade dos capítulos anteriores da franquia. Há momentos tocantes, mas poucos deles permanecem na memória depois que a sessão termina.

A sensação é de que falta coragem para aprofundar algumas discussões que o próprio filme apresenta. Embora a tecnologia seja o tema central da narrativa, questões como redes sociais, inteligência artificial, segurança digital e supervisão dos pais aparecem apenas de forma superficial.

Toy Story 5 não demoniza a tecnologia  e isso é um mérito. No entanto, também evita explorar as complexidades desse universo, preferindo uma abordagem mais leve. 

Os pontos altos

Se a carga emocional não alcança o mesmo nível dos melhores filmes da franquia, o mesmo não pode ser dito sobre o visual.

As sequências que representam a imaginação infantil são um espetáculo à parte. A animação encontra formas criativas de transformar brincadeiras em grandes aventuras visuais, criando momentos imersivos e encantadores. É impossível não assistir a essas cenas com um sorriso no rosto.

Trinta anos depois, Toy Story continua reunindo diferentes gerações nas salas de cinema. E isso talvez seja sua maior conquista.

Durante coletiva de imprensa, a produtora Lindsay Collins afirmou que a Pixar não descarta novas continuações. A declaração inevitavelmente levanta uma pergunta: até quando a franquia conseguirá se reinventar sem perder sua identidade?

Toy Story 5 mostra que ainda existe espaço para novas histórias. Mas também deixa claro que, para continuar relevante, a série precisará encontrar formas mais ousadas de evoluir junto com o mundo que pretende retratar.

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