Protagonistas do projeto, que está em fase de desenvolvimento, estão em Manaus em busca de parcerias
Atores Well Aguiar e Isabel Fillardis, e os diretores Malu Schröder e Ronaldo Duarte estão em Manaus divulgando o projeto buscando parcerias para sua execução (Fotos: Jeiza Russo)
Mais do que um espetáculo teatral, o projeto “Amazônia B – Teatro Expandido: Amores Suspensos” pretende transformar a própria Amazônia em palco, inspiração e protagonista de uma experiência artística que une teatro, cinema, videomapping, realidade virtual e tecnologias imersivas. Em fase de desenvolvimento e com estreia prevista para 2027, a iniciativa reúne artistas de diferentes regiões do país em um intercâmbio cultural que busca conectar inovação, ancestralidade e sustentabilidade.
Concebido há cerca de três anos, o projeto chega agora à fase de articulação institucional e de preparação para as imersões que servirão de base para a construção da obra. A proposta nasce na Amazônia e percorre a própria Amazônia, promovendo encontros com comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas e incorporando suas vivências ao processo criativo.
Para o ator Well Aguiar, um dos idealizadores da iniciativa, a produção surge da necessidade de criar uma obra que dialogue com questões urgentes da atualidade.
Segundo ele, a ideia também é contribuir para uma compreensão mais profunda da região. "As pessoas precisam entender a Amazônia sem apenas olhar de cima, mas olhar de dentro e compreender essa multiculturalidade que existe aqui. Essa abundância de cores, sabores, ritmos e histórias", destacou. Para o artista, a riqueza cultural amazônica ainda é pouco conhecida pelo restante do país e precisa ganhar maior projeção.
A atriz Isabel Fillardis destaca que a produção também pretende abordar temas ligados à autoestima cultural, ao protagonismo feminino e à valorização das identidades amazônicas. Ela ressalta que mulheres ocupam posições de liderança dentro da estrutura do projeto.
A proposta vai além da montagem teatral tradicional. A diretora Malu Schröder explica que o conceito central é o de teatro expandido, linguagem que combina artes cênicas e recursos tecnológicos para ampliar a experiência do público para além do palco.
Segundo a diretora, a obra será construída para estrear no Teatro Amazonas e, posteriormente, seguir para outras cidades da região e para o exterior. Entre os profissionais amazonenses já envolvidos estão o diretor de produção Ad Garcia, o artista Belmond Viga e o designer Vini Júnior. A equipe deverá crescer à medida que novas etapas de criação forem sendo desenvolvidas.
Malu afirma que uma das prioridades é garantir que o espetáculo seja construído a partir de referências amazônicas autênticas. O ponto de partida será um texto do dramaturgo Nelson Caldas Filho sobre diferentes formas de amor, mas a proposta é que a convivência com comunidades tradicionais transforme a obra ao longo do processo. "Nós queremos transformar um texto inicialmente eurocêntrico em algo genuinamente amazônico", afirmou.
As primeiras imersões devem ocorrer em territórios indígenas no Amazonas e também no Acre. Além da criação artística, o projeto prevê oficinas voltadas para indígenas, ribeirinhos e moradores das localidades visitadas, promovendo formação em diferentes áreas ligadas às artes e à produção cultural.
O diretor Ronaldo Duarte explica que a iniciativa pretende utilizar múltiplas plataformas de comunicação para ampliar o alcance da narrativa.
Segundo ele, a experiência acontecerá simultaneamente em diferentes ambientes físicos e digitais. Enquanto a apresentação ocorre no palco, conteúdos e intervenções poderão ser exibidos em praças, espaços públicos e plataformas digitais, alcançando espectadores em outras cidades e até em outros países. "A estética e a narrativa estarão presentes desde o teatro até as praças desses municípios e também no exterior por meio da internet", explicou.
Uma das inovações previstas envolve a utilização de tecnologias de realidade virtual em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De acordo com Malu Schröder, o recurso será integrado à linguagem teatral para criar experiências inéditas de interação entre público, artistas e ambientes digitais.
A produção conta ainda com supervisão de Bia Lessa e direção de arte de Jum Nakao. A trilha sonora será assinada pelo maestro Armênio Graça Filho. O elenco reúne nomes como Isabel Fillardis, Well Aguiar, Fabiana Karla e a artista indígena We'e'ena Tikuna. A direção é compartilhada por Malu Schröder e Ronaldo Duarte.
Parceiros
Entre os parceiros já confirmados estão a UFRJ, responsável pelo desenvolvimento das experiências imersivas; o Instituto IPCEAT, que acompanhará as ações relacionadas à sustentabilidade e à pegada de carbono do projeto; e o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que poderá receber parte do acervo fotográfico e audiovisual produzido durante as expedições pela Amazônia.
Ao combinar tecnologia de ponta com saberes tradicionais, o Amazônia B pretende construir uma reflexão sobre pertencimento, memória, sustentabilidade e futuro. A aposta dos idealizadores é que a arte funcione como ponte entre diferentes culturas e ajude a apresentar ao Brasil e ao mundo a diversidade humana e cultural existente na maior floresta tropical do planeta.