CAMPEÃ

Campeã do Jungle Fight desabafa sobre como o esporte salvou sua vida: ‘Me fez superar a depressão’

Elora Dana sagrou-se campeã da categoria peso mosca do Jungle ao bater Akel Rocha no último domingo

Daniel Prestes
28/03/2023 às 11:39.
Atualizado em 28/03/2023 às 11:39

(Foto: Jeiza Russo/A Crítica)

Em via de regra, o caminho até o topo pode carregar uma vida inteira de obstáculos. Para a atleta natural de Tefé (interior do Amazonas), Elora Dana, de 24 anos, a vitória via finalização, arm lock (chave de braço), no 1º round, contra Akel Rocha, na disputa de cinturão peso mosca (até 57kg), do Jungle Fight 114, no último domingo (26), foi apenas mais um processo de batalhas que começaram muito antes de ela precisar entrar no octógono pela primeira vez. 

Em entrevista ao jornal A Crítica, a atleta da equipe Nak Su Thai Gym, que tem como professores Raul Moura e Marcelo Brother, falou sobre sua infância difícil, a perda da mãe e como o esporte lhe ajudou para enfrentar uma batalha contra a depressão.

“Perdi minha mãe com 11 anos de idade, não tenho pai, só era ela na minha vida, além de Deus, cuidando de mim e dos meus 8 irmãos. Ela faleceu de câncer, fui abandonada pela minha família por parte de mãe, meus irmãos caçulas ficaram com meu irmão mais velho, não conheço meu pai e nem a família dele. Com 12 anos de idade passei fome, muitas vezes acordava e a casa estava alagada, não tinha luz, muitas vezes chorei de fome pedindo a Deus para me ajudar, me tirar dali, me dá um prato de comida, pensei em várias vezes em me matar, eu só era uma menina”, disse Elora, que continuou.

“Mas graças a Deus, encontrei pessoas que me ajudaram a superar essa fase, foi aí onde me dediquei aos treinos de artes marciais, que foi o esporte que me fez superar a depressão e ter esperança de uma nova vida”, afirmou a nova campeã do Jungle Fight.

Com um cartel invicto, cinco vitórias em cinco lutas, sendo três via finalização e duas na decisão dos juízes, Elora fez sua quinta luta em um período inferior a 12 meses. Para a luta que lhe deu a glória no Jungle Fight, a lutadora de Tefé disse que não estava 100% fisicamente por conta de uma lesão no joelho. 

“Tem sido muito sacrifício e difícil. Tenho treinado todos os dias para realizar outras lutas e, para falar a verdade, participei do Jungle com o joelho lesionado de um acidente de moto, estamos vendo se já dá para encarar outras lutas, ou se devo tratar ele antes para não ter nenhum risco. Mas se não for o caso, já estamos se preparando para as próximas lutas que virão”, confessou a peso mosca campeã. 

Início e próximos passos

Para a reportagem, Elora disse que tem um estilo mais equilibrado, mesmo que a maioria das suas lutas tenha sido vencidas via finalização. A lutadora falou que começou no taekwondo aos 10 anos e que só depois migrou para modalidades de luta agarrada. 

“Tinha 10 anos quando comecei. Primeiramente conheci taekwondo, depois migrei para o jiu-jitsu, luta livre e fui juntando um pouco de tudo para depois desenvolver meu jogo no MMA. A única coisa que eu peço a Deus é estar bem sucedida, pois aonde ele me colocar, já me sinto grata, não importa o evento”, concluiu.
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