Paredão

Com 2 metros, goleiro Serjão fala sobre a carreira e como roça ajuda na preparação

O goleiro Serjão do Princesa do Solimões é o mais alto dos noves goleiros titulares dos times que disputam o Campeonato Amazonense. O arqueiro mede dois metros de altura

Lane Azevedo
25/02/2023 às 21:45.
Atualizado em 25/02/2023 às 21:45

Serjão em ação pelo Princesa do Solimões (João Normando)

Existe um ditado que diz que tamanho não é documento... pelo menos no futebol não, mas é inegável que ser alto pode ser um benefício e tanto para determinados futebolistas, principalmente aqueles que atuam em determinadas posições, como goleiro. Dizem também que, todo bom time começa por um grande goleiro. Bom, então será que a arma do Princesa do Solimões está embaixo da trave? 

Sérgio Augusto Abrão, o Serjão, tem o apelido no aumentativo por conta do porte físico e estatura. O goleiro do Tubarão do Norte mede dois metros e, além de se destacar como atleta, é o arqueiro mais alto dos noves goleiros titulares dos times que disputam o Campeonato Amazonense 2023.

O goleiro do Tubarão do Norte mede dois metros e, além de se destacar como atleta, é o arqueiro mais alto dos noves goleiros titulares dos times que disputam o Campeonato Amazonense 2023

 Se por um lado há benefícios, por outro existem as adversidades. No caso de Serjão, a altura ajuda na profissão, porém, dificulta em outras coisas.

“A única coisa que o meu tamanho atrapalha é na hora de viajar, porque as pernas sempre ficam espremidas e apertadas. Eu também tenho certa dificuldade para encontrar chuteiras que caibam nos meus pés. Aqui no Brasil não acho. Tenho que comprar de fora do país”, revelou o atleta que calça 47 e pesa 99 quilos.

Neste ano de 2023, Sérgio completa 11 anos de carreira como atleta. Iniciou a vida no futebol com 17 anos, na cidade de Monteiro Lobato, São Paulo. O primeiro clube nas divisões de base foi o Brasilis, de Águas de Lindóia e, posteriormente, (ainda na base) colecionou passagens por Mogi Mirim e São Carlos, times também de São Paulo. A posição de goleiro que o escolheu e tudo aconteceu por incentivo para ter uma vida saudável. 

"Desde criança eu jogava bola na escola e num campinho de futebol perto da minha casa. Como eu sempre fui grande para minha idade e bem gordinho, eles me colocavam no gol. Mas treinar de verdade como atleta só aos 17, por incentivo de alguns amigos, de professores da escolinha da cidade e do médico que me falou que reforçou que eu precisava emagrecer para ter uma vida mais saudável”, contou o goleiro que jogou no Itaboraí (RJ), como primeiro clube profissional.

Primeira vez no Amazonas 

 Com passagem pelo Arararuama (RJ), Mageense (RJ), Ji-Paraná (RO), Barbalha (CE), Ferroviário (CE), Goiatuba (GO), Grêmio Anápolis (GO), Aymoré (MG), Belo Jardim (PR), o Princesa do Solimões é o seu primeiro clube no estado Amazonas. O time é líder da tabela, segue invicto e com 100% de aproveitamento. 

“Fico feliz por contribuir para a boa campanha do Princesa. O clube conta com uma diretoria de olhar humanizado, que busca sempre oferecer as melhores condições para os atletas; com um grupo de trabalho muito sério e batalhador e uma comissão técnica que sabe extrair o melhor de cada profissional. O meu destaque é o destaque da equipe, sem sombra de dúvidas, vem da soma desses fatores”.

Na sexta rodada do Barezão, o arqueiro sentiu dores na coxa e foi substituído, aos oito minutos ainda do primeiro tempo em partida contra o Nacional. Desde então, ele não atuou nos dois jogos seguintes, entretanto, na última semana passou pela transição e está à disposição para partida deste domingo, contra o Parintins FC. 

Ensinamentos de casa

Com o trabalho considerado pesado, acaba reforçando e tornando exercícios de força e consistência.

 Um fato que pode ser distante do futebol, mas que carrega todo um valor sentimental para a vida de Serjão, a roça, reforço na hora da preparação. 

“Antes de chegar às terras amazonenses, passei um período trabalhando na roça com meus pais. Às vezes saía cedo de casa, chegava ao fim da tarde e treinava sozinho à noite para manter a forma e fazer um grande ano. Sinto que cada enxadada, roçada e exercício no campo valeram a pena. Espero continuar chamando a atenção não só pelo tamanho, mas por outras boas atuações também”, frisou. 

A roça é um lugar que o jogador aprendeu a cuidar com os pais. Ele contou que o ambiente é usado como preparação antes de torneios. Com o trabalho considerado pesado, acaba reforçando e tornando exercícios de força e consistência. 

Para auxiliar na preparação antes de iniciar a temporada de futebol, Serjão ajuda em trabalhos na roça, fazendo exercícios com saco de cimento

 “Estávamos construindo um curral e algumas baias para cavalo no alto de um morro. Eu usava a subida para treinar. Subia o material da obra correndo, fazia exercícios de força com saco de cimento, com baldes de pedra e areia. Sempre que um serviço aparecia, eu adaptava uma forma de treinar para me preparar e ganhar dinheiro. Deus não dá oportunidades, mas abençoa as nossas vidas para que nós mesmos as criemos. É isso que eu tenho tentado fazer. Trabalhar muito, ser grato ao Papai do Céu e usar meu esforço para buscar novas perspectivas”, ressaltou. 

Visão dos preparadores

O A CRITICA conversou com três preparadores de goleiros para entendermos quão importante é a altura de um goleiro. Será que o atleta da posição deve ter uma altura mínima?

O técnico de goleiros do Manauara, Tuty Miranda, pontuou as vantagens da altura.

“Inicialmente, é notável que os goleiros mais altos estejam em um nível físico e técnico excelente a ponto de a altura não necessariamente afetar a mobilidade, agilidade e resistência dos mesmos. Eles têm vantagem em saídas altas e disputas aéreas dentro da área. Dentro disso sua envergadura favorece muito no seu posicionamento”.

Segundo o preparador dos arqueiros do Manaus, Nailton Garcês, os clubes preferem goleiros altos. 

“A maioria dos clubes preferem goleiros altos, porque eles conseguem desempenhar um trabalho com a altura e também ser ágil. Os clubes não estão querendo mais goleiros baixos, pois o futebol evoluiu muito e as bolas estão velozes. Com o goleiro baixo, a altura não compensa, mas eu vejo que até um goleiro de 1,85, é uma altura boa”, comentou. 

Em contrapartida, o preparador do Amazonas, Aguinaldo Silva, discorda da tradição e diz que o mais importante na posição é saber utilizar as mãos.

“Isso foi taxado há dez anos, uma exigência de clubes, que os goleiros aos chegar a 15 anos já terem 1,35 metros, porém esses parâmetros estão sendo quebrados. Hoje vemos goleiros que não tem essa estatura exigida como antigamente, mas que podem trabalhar com os reflexos dentro da partida. O mais importante são os detalhes com as mãos”, finaliza
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