Mudanças aprovadas pela IFAB preveem punições para atrasos em reposições de bola, substituições demoradas e outras práticas de antijogo
Desde que as mudanças foram anunciadas pela IFAB, a Comissão Nacional de Arbitragem tem passado por treinamentos para a adoção das novas regras que passarão a valer a partir de 1º de julho na competições nacionais (Rafael Ribeiro/CBF)
A Copa do Mundo começa na próxima semana e, com ela, novas regras entrarão em vigor durante o jogo de futebol. As mudanças foram aprovadas pela International Football Association Board (IFAB) em 28 de fevereiro deste ano, mas serão adotadas no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá. Para as demais competições, elas passarão a valer a partir de 1º de julho. Entre as principais mudanças, estão regras que pretendem coibir a cera e aumentar o tempo de bola rolando. Atualmente, a meta estabelecida pela Fifa é de 60 minutos por jogo.
Uma das mudanças é a contagem da arbitragem quando identificada tentativa de retardar o jogo, a chamada cera, em tiros de meta, cobrança de lateral e em substituições. No caso da cobrança do goleiro para repor a bola de jogo, haverá uma contagem de cinco segundos. Se o tempo estourar no tiro de meta, ele se transformará em escanteio para a equipe adversária. Em caso de lateral, a cobrança será revertida para a outra equipe.
Outra determinação é em relação aos jogadores que demoram para deixar o campo de jogo quando substituídos. A partir de agora, ele terá 10 segundos para deixar o campo após a sinalização da placa. Se o prazo for ultrapassado, ele deve sair, mas a entrada do substituto só acontecerá na primeira parada do jogo após um minuto de bola rolando.
Para o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, há um trabalho para colocar em prática as mudanças na regra. No caso da regra da reposição de bola em tiro de meta, que já vem sendo adotada nos jogos do futebol brasileiro, ele explica que a regra é mais complexa do que se imagina porque depende da interpretação do árbitro para abrir a contagem.
“Se o goleiro está com a bola em posse e ele demonstra interesse em querer jogar, o árbitro não precisa abrir contagem. O árbitro tem em média três segundos de contagem subjetiva para ver se o time está tentando fazer cera. A partir daí, que ele abre uma contagem objetiva e, sendo assim, nós só vamos abrir contagem quando percebemos que uma equipe está tentando fazer cera. Então não é objetivo como muita gente falava no início: ah, o goleiro ficou na bola 13 segundos, ele ficou com a bola 17 segundos. A partir do momento que ele pegou essa bola ele teve a oportunidade de jogar, o árbitro indica pra jogar, abre contagem e, a partir dessa contagem, determina o tiro de canto, nesse caso”, explicou ao A Crítica durante visita em Manaus no dia 28 de junho, na final da Copa Norte.
Também faz parte do ‘pacote anti-cera’ a a determinação durante atendimento a jogadores que se lesionam durante a partida. A partir de agora, quem precisar ser atendido em campo, ou causar paralisação, terá que sair do gramado e esperar um minuto para retornar.
Quanto às outras regras, Cintra diz que os árbitros da Confederação Brasileira de Futebol já estão sendo instruídos para aplicar as mudanças durante as partidas a partir do dia 1º.
Além do ‘pacote anti-cera’ outras mudanças poderão ser vistas durante os jogos da Copa do Mundo e que também serão incorporadas nas competições do segundo semestre. Entre elas está a penalização para jogadores que abandonarem a partida ou deixarem o campo como forma de protesto por uma decisão da arbitragem, que poderão receber cartão vermelho. Se houve abandono do campo pela equipe, o árbitro passará a considerar WO.
Outra novidade diz respeito ao árbitro de vídeo (VAR). A partir de agora, o assistente de vídeo pode interferir em caso de expulsão pelo segundo cartão amarelo. Anteriormente, o VAR só poderia chamar em casos de vermelho direto. Ele também poderá entrar em ação quando houver um escanteio marcado de forma errada.
Outra regra, apelidada de ‘Lei Vinícius Jr’ diz respeito à punição com cartão vermelho para para jogadores que cobrirem a boca durante confrontos, quando o gesto for utilizado para ocultar comportamento discriminatório, ofensivo ou inadequado.
Rodrigo Cintra também comentou sobre a implantação da tecnologia do impedimento semiautomático, que passará a ser utilizada nos jogos da Série A do Campeonato Brasileiro a partir do segundo turno do Campeonato Brasileiro. Ele explicou que os 19 estádios da Série A receberam a instalação dos equipamentos e agora a tecnologia está passando por período de testes.
Além dos testes, os 72 árbitros da categoria PRO CBF estão recebendo treinamentos para a adaptação e controle das decisões. O último estágio desse processo será somente com os árbitros de VAR, para alinhamento do uso dos dois sistemas. O processo incluiu a instalação de softwares, adquiridos pela empresa Hawk-Eye (que opera a tecnologia do VAR no futebol brasileiro).