sem fronteiras

Crianças estrangeiras superam barreira do idioma para treinar futebol

Crianças estrangeiras superam a barreira do idioma e vivem o espírito de união da Copa do Mundo a cada treino

Jéssica Santos
21/06/2026 às 07:03.
Atualizado em 21/06/2026 às 07:13

Estrangeiros fazem parte das turmas de futebol do Guerreirinhos, que treinam nas quadras do Golden Gol, a maioria deles de origem japonesa. (Foto: Nilton Ricardo)

Enquanto as maiores seleções do planeta se enfrentam nos gramados da Copa do Mundo sob os olhares de bilhões de pessoas, um fenômeno muito parecido, e igualmente mágico, acontece em escala reduzida nas quadras do Golden Gol, onde treinam as turmas de futebol do Guerreirinhos. Nas noites de segunda e quarta-feira, o sotaque nos treinos do professor Glauber ganha nuances orientais.

Ali, crianças japonesas e também um pequeno israelense dividem a paixão pela bola com crianças brasileiras. Nas arquibancadas, mães que cruzaram oceanos compartilham a mesma tensão e orgulho de qualquer torcedor em dia de Mundial. Para esse time, a Copa não é apenas um evento na TV; é a realidade vivida a cada passe de bola.

Integração e torcida pelo Brasil

Mina, mãe de Ryosei, de 8 anos de idade, mesmo sem falar muito português, conta, com a ajuda do tradutor da Internet, que a família vinda da cidade de Kyushu, no Japão, vive no Brasil há mais de três anos, e que o filho joga futebol há cinco anos, desde bem pequeno. Por aqui, ela pode afirmar que o esporte tem quebrado barreiras, de forma impressionante:

"O futebol ajudou meu filho a fazer muitos amigos. Quando chegamos ao Brasil, ele teve dificuldade em fazer amigos por causa da barreira do idioma. Ele realmente passou por muitas dificuldades. No entanto, as crianças brasileiras sempre conversavam com ele e o acolhiam em seus grupos", resume.

Ela acrescenta que a modalidade tem isso de mais bonito, o mesmo que vemos na Copa do Mundo, nações conectadas pela mesma paixão, apesar de qualquer diferença.

"O futebol não exige muitas palavras, então ele conseguiu se conectar com os outros naturalmente e fazer muitos amigos", disse a mãe.

E se japoneses e Israelenses têm mostrado integração a vivência brasileira no futebol, na Copa do Mundo não seria diferente: Mina disse que sua família tem aproveitado o Mundial para se reunir com amigos no fim de semana, para torcer pelo Japão e pelo Brasil também!

"É claro que usamos os uniformes das respectivas seleções! Esperamos que ambas as equipes deem o seu melhor!", ressalta.

Seu filho, Ryosei, apesar de ter como ídolos no futebol o craque japonês Takefusa Kubo e o argentino, Messi, disse que também torce pelo Brasil: "Torço sim, porque é aqui o lugar onde vivo", explica.

Também do Japão, Nanae Shigeno, mãe da jogadora Aya, de 10 anos de idade, tem o mesmo sentimento de gratidão pela união que o futebol tem proporcionado entre sua filha e os demais jogadores do Guerreirinhos.

"Ela começou a jogar há oito meses e, ultimamente, seus colegas de equipe começaram a reconhecer suas habilidades e estão passando a bola para ela com mais frequência, o que me deixa feliz! Eles se cumprimentam e conversam, mas espero que possam se tornar amigos ainda mais próximos", disse Nanae.

Na Copa, ela afirma que está feliz pelo sentimento que tem nutrido pelo Brasil, ao longo dos dois anos que vive aqui, e garante que, além dos Samurais azuis, a Seleção Canarinho também tem a torcida da sua família:

"Estou muito feliz por ter desenvolvido um desejo genuíno em apoiar o Brasil, mesmo sendo de um país diferente", ressalta.

Idioma universal

Se a Copa do Mundo tenta traduzir em grandes arenas a união entre os povos, o professor Glauber testemunha esse milagre acontecer, sem alarde, toda segunda e quarta-feira.

Ele reconhece que a timidez inicial das crianças estrangeiras, longe de seus países natais e sem o domínio do idioma, é natural. Mas tudo muda quando o treino começa.

"Assim que a bola rola, eles esquecem de onde são ou onde estão. Focam apenas na alegria de poder jogar futebol, sorrir, correr e se divertir", emociona-se o treinador.

Para ele, o silêncio da barreira linguística é preenchido pelo som do campo: "Muitas vezes eles não entendem o que as outras crianças falam, mas o sorriso diz tudo. Para mim, é uma satisfação imensa ver a alegria deles. O futebol é uma paixão mundial, uma magia que acontece".

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