Halterofilismo

Do "não" ao topo do pódio: a trajetória de Luanne, a nova campeã brasileira de levantamento de peso

Conheça a história de superação, amadurecimento e persistência que levou a jovem da Vila Olímpica de Manaus ao topo da modalidade no Brasil

Jéssica Santos
05/07/2026 às 15:04.
Atualizado em 05/07/2026 às 15:04

Luanne Cristiny, de 17 anos, conquistou o título de campeã brasileira de levantamento de peso olímpico (LPO) nas categorias Sub-20 e Adulto (49kg), e conquistou índice para o Sul-americano, que será entre 24 e 30 de agosto, no Equador (Igor Reis)

A última semana coroou uma das trajetórias mais ascendentes do esporte amazonense. A halterofilista Luanne Cristiny, de 17 anos, conquistou o título de campeã brasileira de levantamento de peso olímpico (LPO) nas categorias Sub-20 e Adulto (49kg), e conquistou índice para o Sul-americano, que será entre 24 e 30 de agosto, no Equador.

Mais do que as medalhas de ouro, a atleta alcançou o tão sonhado índice internacional, consolidando-se como uma das grandes promessas da modalidade no país. Ela totalizou 151 kg (67kg de arranco e 84kg de arremesso), ficando a somente dois quilos do índice Pan-americano.

Além do ouro, a atleta alcançou o índice internacional

"Foi um feito histórico, já que a Luanne se tornou a primeira mulher do Amazonas a conquistar esses dois títulos no mesmo campeonato e também a primeira atleta amazonense a alcançar um índice internacional no levantamento de peso", ressalta o seu treinador, Thiago Bindá.

 Os parceiros e patrocinadores que apoiaram essas conquistas foram a equipe Strong Amazonas, o nutricionista Neto Costa, o fisioterapeuta Renan (Pace Recovery & Performance), o centro de treinamento CFV Campos Elísios e a FELP-AM (Federação de Levantamento de Peso do Amazonas).

O início por acaso e a recusa inicial

A história de Luanne com o esporte não começou nas plataformas de peso, mas sim nas pistas: descoberta em uma seletiva escolar de atletismo, ela passou a frequentar a Vila Olímpica de Manaus. Foi nesse cenário que seu atual treinador, Thiago Bindá, enxergou o potencial bruto para o levantamento de peso.

O início, contudo, esteve longe de ser um amor à primeira vista. "De primeira, eu nem quis. Não tinha muito interesse e nem imaginava que aquele convite ia mudar completamente a minha vida", relembra a atleta.

Equipe que representou o Amazonas na competição

 A reviravolta veio quando Luanne decidiu dar uma chance à modalidade. Com pouquíssimo tempo de treino, estreou no Campeonato Brasileiro, conquistando a 5ª colocação, o combustível que faltava para ela perceber que pertencia à elite do esporte.

A escalada rumo ao topo

Desde a primeira competição, a evolução de Luanne foi desenhada degrau por degrau no pódio nacional: em 2024, a conquista da primeira medalha nacional (3º lugar); em 2025, a consolidação na elite com o vice-campeonato brasileiro; e em 2026, a consagração máxima como campeã brasileira Sub-20 e Adulto.

"A Luanne já vinha em uma evolução muito consistente desde o ano passado, então a gente já esperava que ela tivesse condições de conquistar esses resultados. Ela já vinha atingindo os índices internacionais durante os treinamentos e, mesmo tendo sofrido uma lesão no início desta temporada, conseguiu se recuperar muito bem e manteve uma evolução constante", explica o treinador da atleta.

Em suas redes sociais, a atleta Luanne Cristiny compartilhou um emocionante agradecimento ao seu treinador, Thiago Bindá, e a toda sua equipe: "obrigada por acreditarem em mim". O papel de Thiago foi fundamental nos últimos anos, sendo a peça-chave para descobrir o potencial da atleta, para seu desenvolvimento técnico, evolução e amadurecimento

A frustração como combustível para o amadurecimento

 O caminho até o título de 2026 exigiu resiliência psicológica. Em 2025, Luanne entrou na competição com foco obstinado em alcançar o índice internacional, mas o resultado não veio na época, gerando um momento de grande frustração.

A virada de chave veio com a maturidade. "Hoje vejo que tudo aconteceu no momento certo. Em 2026, fui para a competição com uma cabeça completamente diferente. Estava mais madura, mais confiante e muito mais preparada", avalia.

A segurança construída na rotina exaustiva de treinos deu o resultado esperado na última semana. Ao atingir a marca necessária para o índice, o sentimento foi de êxtase.

"Parecia que eu estava sonhando. Até hoje ainda custa acreditar que consegui. Foi uma sensação de felicidade, alívio e orgulho ao mesmo tempo, porque eu sei de tudo o que precisei fazer para chegar até esse momento", disse ela.

Próximo passo: os palcos internacionais

Com os títulos nacionais garantidos e o índice oficializado, a amazonense agora vira a chave para a sua carreira internacional. Thiago Bindá adianta que a atleta está com a programação bem traçada:

"Teremos cerca de sete semanas de preparação e esse ciclo será voltado principalmente para o aperfeiçoamento técnico. Vamos continuar evoluindo o arranco e o arremesso, mas com uma atenção especial ao 'tesoura', que é o segundo tempo do arremesso e hoje é o fundamento em que ela ainda tem maior margem de evolução. A expectativa é chegar ao Sul-Americano com uma atleta ainda mais consistente tecnicamente e preparada para representar bem o Brasil", garante.

Ansiosa e motivada, ela projeta os próximos passos com os pés no chão, mas os olhos fixos no pódio mundial.

"Meu maior objetivo agora é representar bem o Brasil e dar o meu melhor para buscar uma medalha", projeta a campeã.

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