(Foto: Divulgação)
Uma figura de excelência na história da arte suave amazonense é Roberval Mascarenhas, conhecido no meio do jiu-jitsu como Ajuricaba, nome inspirado no guerreiro indígena que se tornou símbolo de resistência e coragem no Amazonas. Mais do que um apelido, era uma identidade que combinava com a força e a determinação que marcaram sua trajetória dentro e fora dos tatames.
Antes de se dedicar ao jiu-jítsu, Ajuricaba construiu uma vida vitoriosa na natação. O talento esportivo também estava presente na família: seu irmão Jeferson Mascarenhas é, até hoje, um ídolo da modalidade em Manaus. Ainda nos anos 1980, Roberval passou a treinar jiu-jítsu na academia HBJ e logo revelou muito talento para o cenário competitivo.
Dedé Pederneiras e Ajuricaba, um dos principais representantes da Nova União no Amazonas.
Em 1995, Ajuricaba alcançou um dos grandes marcos de sua carreira nos tatames e provavelmente o seu ponto alto: conquistou o título de campeão brasileiro adulto na categoria absoluto, no Rio de Janeiro, e foi graduado à faixa preta em seguida.
Em 2026, Roberval Mascarenhas completaria 31 anos nessa graduação — uma trajetória de dedicação que ajudou a consolidar seu nome entre os grandes mestres da modalidade no Amazonas. Um verdadeiro formador de campeões e figura de proa na comunidade da luta.
O patriarca da família Mascarenhas sempre presente nas solenidades que exaltam a memória do seu filho no mundo da luta.
Como professor, Ajuricaba se destacou nos anos 1990 capitaneando o tatame localizado no inesquecível Clube da Caixa. Ali, formou atletas que também construíram histórias vitoriosas, entre eles seu irmão caçula, Iran Mascarenhas, e Victor Hugo, major da Polícia Militar do Amazonas e atual bicampeão mundial Master.
Mas sua marca não se limitava às medalhas, aos títulos ou aos alunos que ajudou a formar. Ajuricaba era reconhecido também por sua competência como professor e competidor, e, sobretudo, por ser um grande ser humano: querido por muitos e respeitado por todos.
Vitimado por complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico malsucedido, Ajuricaba deixou uma legião de alunos, amigos e admiradores — em Manaus e também fora do Brasil. Ajuricaba ajudou a desenvolver a prática do Jiu-Jitsu na Suécia na época em morou dois anos no país escandinavo.
Parte dos alunos do Mestre Ajuricaba Mascarenhas da época do Clube da Caixa responsáveis pela organização da homenagem e graduação póstuma.
Seu legado permanece vivo nas histórias, nos ensinamentos e nos caminhos que ajudou a abrir para tantas pessoas. No último dia 26 de setembro, alunos e amigos se reuniram para homenagear a memória do querido professor com uma graduação póstuma e simbólica à faixa coral vermelha e preta.
A homenagem celebrou não apenas a graduação que ele completaria neste ano, mas uma vida inteira dedicada ao jiu-jítsu e às pessoas que tiveram o privilégio de aprender com ele. Seu nome está eternizado em Um Amazonas de Lutas.