Tecnologia

Impedimento semiautomático entra ‘em campo’ hoje no Brasileirão

Tecnologia do impedimento semiautomático será utilizado pela primeira vez neste sábado e promete decisões mais rápidas e precisas

Daniel Prestes
25/07/2026 às 14:37.
Atualizado em 25/07/2026 às 14:37

A tecnologia do VAR para impedimento semiautomático sendo implementada na Neo Química Arena, estádio em que o Corinthians manda seus jogos no Campeonato Brasileiro (Divulgação/ Corinthians)

157 dias após a estreia do Campeonato Brasileiro – primeira data prevista de entrega da tecnologia – a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está pronta para iniciar o uso do VAR para impedimento semiautomático no Brasil. Neste sábado (25), a SAOT (nome dado à ferramenta) será utilizada pela primeira vez no Campeonato Brasileiro nos confrontos entre Athletico-PR x Internacional e Santos x Chapecoense, que acontecem às 17h30 (de Manaus). Às 19h30, Vasco x Mirassol também terão o uso da tecnologia, além dos outros sete jogos da rodada.

Nas últimas semanas, a SAOT foi testada com treinamentos em jogos de base e na própria Série A. O comunicado de que o VAR para impedimento semiautomático seria implementado a partir da 20ª rodada do Brasileirão, que marca o início do returno do certame, ocorreu em reunião na sede da CBF, no Rio de Janeiro, com representantes dos 20 clubes da Série A.

A tecnologia está disponível em todos os estádios dos clubes que jogam a Série A. Além disso, o Palmeiras contratou os serviços para a Arena Barueri, local em que o Verdão manda os seus jogos quando a Nubank Parque está sendo usada para shows.

“A implementação da tecnologia do impedimento semiautomático representa um marco histórico para o futebol brasileiro. Trata-se de um investimento estratégico da CBF na modernização da arbitragem, colocando o Campeonato Brasileiro em sintonia com as principais competições do mundo. Nosso objetivo é oferecer cada vez mais precisão, transparência e confiança nas decisões de campo, fortalecendo a credibilidade da competição e proporcionando mais segurança para árbitros, atletas, clubes e torcedores”, disse Netto Góes, Diretor da Comissão de Arbitragem da CBF e que participou de todo o processo de instalação da tecnologia no futebol brasileiro.

Sobre a tecnologia

A CBF contratou a fornecedora GeniusIQ, plataforma de IA e dados da Genius Sports, para implementar o uso da tecnologia no Campeonato Brasileiro. A empresa também opera na Premier League, na Liga Mexicana e na Bélgica. Ao todo, serão 30 aparelhos de telefone celular de alta resolução espalhados por diferentes pontos do estádio. Diferente da Copa do Mundo, em que a bola contém um chip, o Brasileiro não contém essa tecnologia, mas a empresa acredita que a quantidade de celulares compensa a ausência do sensor na bola.

No Mundial, a Hawk-Eye – fornecedora que realizou a parceria com a FIFA – utilizou 16 câmeras com imagens de 50 frames por segundo. No Campeonato Brasileiro, a Genius usará aproximadamente o dobro disso, com imagens de 4K de resolução e 100 frames por segundo, o suficiente para o sistema digitalizar o duelo para a cabine do VAR.

Dentro de campo, os assistentes não contarão com o auxílio da ferramenta em tempo real, como ocorreu na Copa do Mundo. Ou seja, a jogada ainda será concluída e, caso seja necessário, o impedimento semiautomático entrará em cena para corrigir uma decisão equivocada no campo.

Cada estádio foi equipado com suporte de cinco servidores locais que garantem a conectividade do sistema. As imagens capturadas serão transmitidas em tempo real para a Central de Operações do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), da CBF, no Rio de Janeiro. A Central conta com 10 salas de controle integradas e equipadas com as tecnologias VAR e SAOT.

No Brasil, o projeto incluiu inspeções técnicas, instalações, reuniões, avaliações de engenharia e uma extensa série de testes nos 19 estádios da Série A, posteriormente expandidos para 20 com a inclusão da Arena Barueri. A implementação também envolveu treinamento abrangente para árbitros, oficiais de VAR e equipe técnica, bem como testes durante partidas oficiais e cenários simulados que validaram o sistema antes de sua estreia no Campeonato Brasileiro.

"Este é apenas mais um passo em uma transformação muito mais ampla da arbitragem brasileira, envolvendo tecnologia, educação, profissionalização e inovação. A partir de 25 de julho, iniciaremos uma nova era para o futebol brasileiro", acrescentou Netto Góes.

O novo SAOT é alimentado pelo GeniusIQ, que ingere bilhões de pontos de dados capturados pelas câmeras dedicadas em cada estádio e, em seguida, identifica automaticamente possíveis situações de impedimento, seleciona os jogadores de ataque e defesa relevantes e localiza o ponto exato do chute antes de produzir uma visualização 3D da decisão de impedimento.

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