Celebração

Jiu-jitsu celebra 50 anos no Amazonas com homenagem aos pioneiros

A data relembra a primeira vinda de Reyson Gracie ao Amazonas em 1976, a convite do diplomata Artur Virgílio Neto.

Camila Leonel
08/08/2026 às 13:34.
Atualizado em 08/08/2026 às 13:34

(Foto: Jeiza Russo)

Os praticantes do jiu-jitsu terão um sábado marcante, onde irão relembrar os 50 anos da modalidade no Amazonas. A solenidade acontecerá no anfiteatro da Ponta Negra, na zona Oeste de Manaus, a partir das 17h e receberá grandes pioneiros da arte suave no estado, entre eles, Reyson Gracie, que implementou a modalidade e organizou o primeiro campeonato amazonense da modalidade.

A data relembra a primeira vinda de Reyson Gracie ao Amazonas em 1976, a convite do diplomata Artur Virgílio Neto. No ano seguinte, ele voltou ao estado com a família e fundou a primeira Academia de Jiu-Jitsu no Amazonas e, posteriormente, implementando a Federação Amazonense de Jiu-Jitsu Esportivo (Fajje), a segunda entidade do esporte no Brasil.

Reyson, que nasceu no Rio de Janeiro, é o terceiro filho do Mestre Carlos Gracie, fundador do Brazilian Jiu-Jitsu, e tem a graduação na faixa vermelha de 9º grau. Durante o evento deste sábado, ele será uma das presenças confirmadas.

“O Reyson fixou a residência em Manaus e topamos o desafio, nunca nem esperávamos que o jiu-jitsu fosse se tornar o que se tornou. Se você imaginar Manaus em 76, era uma cidade pequena e jamais teríamos uma expectativa dessas, mas temos uma coisa: sempre fomos determinados porque tínhamos sido nadadores, atletas de alto nível, então tínhamos muita disciplina que poderia dar bons frutos. Chegamos a ir no Rio de Janeiro para se aprimorar na arte suave e isso foi ganhando corpo, nós criamos academias no Amazonas, fomos recebendo muitos garotos e depois que paramos eles frutificaram e deram bons frutos, boas sementes e hoje somos considerados o segundo melhor polo do mundo”, disse Alfredo Jacaúna, coordenador do evento.

Já Helso Ribeiro falou sobre o legado que hoje traz bons resultados para o Amazonas e transformou o estado num dos pólos da arte suave.

“O Reyson plantou essa semente e deu frutos ao longo de gerações. Eu tive aula com ele, meu pai teve aula com ele, meu neto teve aula com ele e isso foi um privilégio. Temos o Luiz Neto, multicampeão, Alessandro Guimarães, multicampeão, temos o Pina, formador de diversos campeões então esse fruto chega e encontra todo mundo cru, faixa branca e a gente chega a esses resultados... merece aplausos e, partir dai vieram várias pessoas que refinam esse ensinamento inicial e chegamos aos 50 anos. Não chegaremos aos 100 anos (de jiu-jitsu no Amazonas), mas vou adorar ver essa geração, o meu neto, continuar essa saga”, declarou durante coletiva no Mirante Lúcia Almeida na manhã de sexta-feira.

Outro presente na coletiva, o ex-professor de jiu-jitsu, Luiz Alberto Fonseca, destacou que o esporte tornou-se o que é hoje graças ao trabalho e ainda contou com uma vocação natural do amazonense para as lutas.

“Quando o Reyson veio aqui a primeira vez, ele falou que encontrou um povo talhado para a luta e não só a luta do jiu-jitsu, mas a luta livre, o karatê, o boxe tailandês e outros mais. O amazonense é talhado para a luta e por isso que o esporte deu tanto fruto”, explicou.

SEMINÁRIO PARA FAIXAS PRETAS

A programação inicia na manhã deste sábado com um seminário para 200 faixas pretas na academia Gracie Barra, no Coroado. O palestrante será o faixa vermelha e branca 8º grau, Sérgio Penha, que se tornou faixa preta sob a tutela de Osvaldo Alves.

Penha foi considerado um prodígio do jiu-jitsu na década de 80 e principal desenvolvedor da posição de guarda fechada. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos, onde tem uma academia. Também participará da atividade o filho de Sérgio, Eduardo Penha, faixa preta e lutador de MMA.

Sobre a participação no evento e o reencontro com a velha guarda da arte suave, Penha mencionou que é um momento que não tem preço para ele.

“Você não consegue mensurar isso. Trazer meu filho aqui, mostrar onde eu conheci meus amigos, onde eu treinei, onde eu trabalhei, onde ensinei jiu-jitsu. Essa terra maravilhosa que é o Amazonas, povo acolhedor, que não tem preço”, disse o mestre que veio com a família numa viagem que ele disse ser de reencontro.

“Minha esposa, minha filha e meus dois filhos estão aqui me acompanhando nessa viagem, que é uma viagem de se reencontrar. Apesar de 30, 40 anos que não vejo, mas o esporte mantém uma ligação tão grande que parece que vi o Alfredo ontem e a única diferença é o cabelo branco porque parece que nos vimos semana passada. Pra mim, pra ele, para o Fernandinho, o Humberto eu vi dormindo na academia do Osvaldo Alves, um garoto... então isso aqui não tem preço”, explicou.

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