Sucesso da competição acelerou as articulações entre Seduc, Fade e o CPB para lançar o primeiro Campeonato Amazonense de Atletismo Paralímpico
Evento reuniu 109 atletas neste sábado (23), na Vila Olímpica de Manaus (Jhonny Lima)
O sábado (23) transformou a Vila Olímpica de Manaus no epicentro do paradesporto do Norte do país. Sob a chancela do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a etapa manauara do Meeting Paralímpico Loterias Caixa reuniu 109 competidores que transformaram suor em marcas expressivas. O evento, que se divide entre a busca pelo alto rendimento e o fomento da base, contou com 91 atletas nas pistas e campos de atletismo e 18 nas barras do halterofilismo, abrangendo desde a categoria sub-11 até o absoluto.
Muito além dos cronômetros e medalhas, o Meeting cumpre um papel social crucial na capital amazonense. Keegan Ponce, supervisor local do Centro de Referência Paralímpica do Amazonas (CRP), destaca o torneio como o elo fundamental entre as esferas esportivas locais e nacionais.
O evento, que se divide entre a busca pelo alto rendimento e o fomento da base do paradesporto
Para o supervisor, a pista é um espaço de emancipação e transformação de perspectivas coletivas. "É uma oportunidade que eles têm de se sentirem integrados e incluídos na sociedade. E para aquelas pessoas que assistem, serve para que se conscientizem de que a pessoa com deficiência tem suas potencialidades e pode estar junto com elas em qualquer ambiente, seja na escola ou no trabalho", completou.
O grande clamor das arquibancadas veio com o jovem Jhonata Gabriel Campelo de Oliveira, de apenas 11 anos. Aluno do 6º ano da Escola Municipal Jornalista Sabá Raposo, o velocista sobrou na pista e garantiu duas medalhas de ouro.
Jhonata Gabriel, de apenas 11 anos,sobrou na pista e garantiu duas medalhas de ouro
O feito mais impressionante veio na prova dos 200 metros, pela classe T47 (atletas com deficiência nos membros superiores). Jonatha cruzou a linha de chegada cravando o tempo de 00:31.71, igualando o recorde brasileiro da categoria Sub-14.
O sucesso do Meeting também serviu de combustível para os bastidores organizacionais do esporte. Durante as competições, uma breve reunião estratégica colocou na mesma mesa o representante do CPB, Felipe Barbosa, o supervisor Keegan Ponce, o presidente da Federação Amazonense de Desporto Escolar (Fade), Auricélio Pessoa, e o coordenador do Núcleo de Desporto Escolar da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, Joniferson Vieira,
O saldo do encontro não poderia ser mais otimista: o início do planejamento para criar, ainda no segundo semestre de 2026, o inédito Campeonato Amazonense de Atletismo Paralímpico. A iniciativa visa unir forças entre Seduc, Fade, CRP e a Federação Amazonense de Atletismo (Fedaeam), com a validação máxima da matriz nacional do esporte. Joniferson Vieira detalhou a ambição do projeto:
Da esquerda para a direita: Keegan, Ponce (supervisor) Auricélio Pessoa (presidente da Federação Amazonense de Desporto Escolar), Joniferson Vieira (coordenador do Núcleo de Desporto Escolar da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar) e Felipe Barbosa (representante do CPB)
Segundo o coordenador da Seduc, o próximo passo prático é a elaboração do projeto técnico e o envio de um ofício ao CPB para a captação de patrocínios e apoio estrutural. O plano conta com o aval do secretário de educação, Jander Lasmar. "A intenção é fazer esse evento acontecer ainda neste ano, antes da Paralimpíada Escolar no final do ano", revelou Vieira.
O Meeting em Manaus também funcionou como a seletiva oficial para as Paralimpíadas Escolares e Universitárias, cujas etapas nacionais ocorrem em novembro, no moderno Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O evento na capital abarcou ainda o Parajeas, selecionando os talentos da cidade que terão visibilidade assegurada junto à Seduc.
Ciente das dimensões e desafios logísticos do Amazonas, Keegan Ponce explicou que a estratégia para descobrir talentos nos municípios do interior segue um calendário paralelo e inclusivo.
Com recordes na pista e metas ousadas na gestão, o sábado consolidou o esporte paralímpico do Amazonas não apenas como um celeiro de medalhistas, mas como uma política viva e perene de cidadania.