Coluna de opinião

Melqui Galvão joga na lama do crime toda a sua trajetória e suja o bom nome do jiu-jitsu

Almério Augusto
04/05/2026 às 20:37.
Atualizado em 05/05/2026 às 09:48

(Foto: Divulgação)

O caso envolvendo Melqui Galvão é um dos episódios mais revoltantes e sujos da história recente do esporte brasileiro, especialmente para a boa fama que Manaus tem no mundo das lutas. Melqui era responsável por liderar um projeto que lançou atletas de elite, incluindo seu próprio filho, Mica Galvão. Sua imagem era a de um mentor rigoroso e um exemplo de transformação social através do tatame.

A máscara acabou caindo de forma avassaladora e o escândalo eclodiu no final de abril de 2026, quando a Polícia Civil do Amazonas cumpriu mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão preventiva contra o treinador. Melqui Galvão, que além de professor de jiu-jitsu também era investigador da Polícia Civil, entregou-se às autoridades na Delegacia Geral, em Manaus.

(Foto: Divulgação)

 Os detalhes apurados indicam que o professor utilizava sua posição de extrema autoridade e a confiança depositada por pais e atletas para praticar crimes de estupro de vulnerável. Segundo as investigações, Melqui se aproveitava da vulnerabilidade de jovens promessas que dependiam de seu apoio financeiro e técnico para ascender na carreira esportiva.

O material apreendido durante as buscas em sua residência e academia teria revelado registros diversos que corroboram as denúncias, expondo um padrão de manipulação psicológica e coerção para garantir o silêncio das vítimas. Mais um escândalo que suja de modo terrível um esporte que muito bem representa a alma do amazonense.

Uma das vozes mais contundentes a romper o silêncio foi a da atleta Lívia Barasine, que utilizou suas redes sociais para relatar publicamente os abusos que sofreu enquanto treinava sob a tutela de Melqui. O relato de Lívia encorajou outras vítimas a procurarem as autoridades, desconstruindo a narrativa de que os casos seriam incidentes isolados.

A acusação aponta que o treinador usava a promessa de patrocínios e a influência que detinha nas federações como moeda de troca, criando um ambiente onde a resistência às suas investidas poderia significar o fim prematuro de um sonho profissional.

A reação das instituições reguladoras do esporte foi imediata e rigorosa, e merece ser aplaudida (mesmo sendo uma obrigação por parte delas). Tanto a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) quanto a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciaram o banimento permanente de Melqui Galvão de qualquer evento ou competição sob suas chancelas. Em comunicados oficiais, as entidades dos esporte enfatizaram que não há espaço para comportamentos que violem a integridade física e moral dos atletas, sinalizando um esforço para proteger a reputação do esporte e a segurança dos praticantes diante da gravidade das provas apresentadas.

(Foto: Divulgação)

 O impacto do escândalo forçou o comprometimento de sua marca e de sua academia principal, gerando uma onda de debates sobre a necessidade de mecanismos de controle mais rígidos em projetos sociais e esportivos de alto rendimento. Para o meio do jiu-jitsu mundial e principalmente para o Amazonas, o caso deixa uma cicatriz profunda e serve como um alerta urgente sobre os perigos do poder absoluto exercido por figuras de autoridade sobre jovens em busca de sucesso. Orai e vigiai, guerreiros. Ninguém está a salvo neste mundo deserdado.

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