Alto rendimento

Por trás das medalhas: Margareth Bahia fala sobre trabalho que levou à prata no Pan-Americanos

Treinadora de Pedro Nunes, nesta edição, a técnica também foi convocada para comandar a Seleção da Confederação Brasileira de Atletismo

Lane Azevedo
11/11/2023 às 10:01.
Atualizado em 11/11/2023 às 10:01

Margareth Haiden foi convocada para integrar a comissão técnica da Seleção da Confederação Brasileira de Atletismo (Foto: Paulo Bindá)

Na última semana, as manchetes esportivas mostraram que Pedro Henrique Nunes foi destaque nas provas de atletismo dos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, conquistando a medalha de prata no Lançamento de Dardo com a marca de 78.45 metros. Como é sabido, por trás de um grande atleta, existe uma grande treinadora e, desta vez, não é diferente. 

A técnica de Pedro, a também amazonense Margareth Bahia Haiden, é referência no estado na modalidade. Responsável por trabalhar com Pedro desde que ele iniciou na carreira, Bahia explicou sobre os desafios encarados para os Jogos Pan-Americanos.

“Esse ano, com relação a apoio de um salário para o Pedro, de passagem, essas coisas, tivemos Graças a Deus. O que nos preocupou foi uma lesão no calcanhar, tivemos que dar uns passinhos para trás e fortalecer para que ele ficasse legal e pudesse lançar bem nos Jogos Pan-Americanos. Ele sentiu, na verdade, lançando no Mundial, na Hungria. Então no primeiro lançamento, ele fez uma torção do pé esquerdo e ali já complicou aquela competição”, disse a técnica.

Convocação

Nesta edição, Margareth foi convocada para treinadora da Seleção da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Integrar a comissão técnica não é novidade para ela, que já ajudou o país a alcançar medalhas em campeonatos Sul-Americanos e, claro, o Pan-Americano.

 “O critério da Confederação Brasileira para a convocação de treinador é o nível técnico do atleta. Então dos atletas de lançamento, o Pedro estava com um excelente nível técnico, então eu fui este ano, eu fui tanto para o Sul-americano, para o Mundial, quanto para Pan-americanos”, disse. 

A técnica, de 54 anos, passou por todas as emoções possíveis no Pan. Em cada pontuação dos atletas brasileiros, ela vibrava, gritava e se emocionava, porém, a euforia pulou fora do peito quando a medalha de prata foi anunciada para o Brasil. A reação? Ela contou! 

“Foi engraçado, muita alegria! A gente ficou muito feliz, mas o treinador sempre quer mais, eu queria ouro e foi por pouco. Mesmo assim, a gente está muito feliz com essa prata. A gente sabe que foi um ano muito disputado, acabamos ficando muito cansados também, muita competição, muita viagem, e querendo ou não, também uma certa pressão, porque no início do ano, ele quebrou o recorde brasileiro”, disse.

E, Paris?

Pedro Nunes é o atual detentor do recorde brasileiro, com a marca de 83m89, alcançada no Grande Prêmio do Brasil, em maio de 2023. O atleta agora necessita somar pontos em competições de relevância no ciclo olímpico ou alcançar o índice de 85m50, estabelecido pela Federação Mundial de Atletismo, para garantir vaga nas Olimpíadas de Paris 2024. Segundo a técnica Margareth, os critérios sofrem alterações e, por isso, a dúvida prevalece sobre Paris 2024. 

Pedro Henrique Nunes conquistou a medalha de prata no lançamento de dardo dos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile.

 “Inclusive isso é uma novidade que a gente precisa se apropriar dos critérios porque até então era apenas o índice. A gente está aguardando os critérios de pontuação, porque ainda não sei, porque a partir do Pan, já está contando a pontuação”, explicou a treinadora nível IV em arremessos e lançamentos pela World Athletics.

Já em  Manaus, Pedro e a técnica cumprem uma agenda. Neste sábado, o atleta participará de uma carreata dos campeões e o lançamento do novo núcleo do Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (Pelci). Os treinos visando o próximo ano devem recomeçar  daqui a duas semanas.
 
“Daqui a duas semanas ele retoma devagar, porque a gente não pode demorar muito para voltar. O ano de 2024, praticamente, todos os eventos serão no primeiro semestre, visando a Olimpíada, então a gente não pode esperar muito para iniciar. Tivemos que esperar um pouquinho, porque pretendia mesmo sair de lá com um grande resultado”, afirmou.

Prata e Bronze no Pan

Em 2007, o amazonense Alexon Maximiano conquistou a medalha de bronze no Pan-Americanos, realizado no Rio de Janeiro. Ele alcançou a marca de 75,04 metros no melhor de seus arremessos. Sabe o que o manacapuruense e Pedro têm em comum? A mesma treinadora! Isto mesmo, Margareth não é de hoje que escreve seu nome no atletismo brasileiro e, depois de 16 anos, ela volta ao tempo. 

“Graças a Deus, eu tenho essa felicidade de ter essas duas medalhas. São amazonenses, muito dedicados, muito talentosos e meninos que deram muito certo. O Pedro, desde que começou comigo, eu já via nele, eu sabia que era. É concretização, não só um sonho, mas de algo que a gente percebeu através do talento dele, do cuidado, do treinamento, sabíamos que ele poderia chegar onde a gente chegou. O Alexon treinou um tempo com os cubanos e, a partir de 2001, ele começou a treinar comigo. Eu fui implementando o meu jeito de trabalho e o Alexon, assim como o Pedro, foi para um Pan juvenil, também foi medalha no Pan, também foi medalha no Sul-Americano e chegou a fazer uma grande marca em 2007, garantindo a vaga para mundial”.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por