A situação contrasta com aeroportos como os de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, que contam com áreas específicas para embarque de passageiros de aplicativos, com sinalização própria e espaços destinados à espera dos motoristas.
(Foto: Nilton Ricardo)
Quem desembarca no Aeroporto Internacional de Manaus - Eduardo Gomes e opta por seguir viagem em um carro de aplicativo costuma enfrentar dificuldades para localizar o motorista. Sem uma área exclusiva para embarque, como já ocorre em diversos aeroportos brasileiros, passageiros e condutores afirmam que o encontro nem sempre é simples e que a falta de estrutura gera confusão, cancelamentos e desconforto.
A situação contrasta com aeroportos como os de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, que contam com áreas específicas para embarque de passageiros de aplicativos, com sinalização própria e espaços destinados à espera dos motoristas. Em Manaus, o embarque acontece atualmente nas vagas de parada rápida localizadas no meio-fio do terminal, conforme orientação da concessionária que administra o aeroporto.
DESENCONTROS
Recém-chegado de uma viagem ao Rio de Janeiro, o passageiro Lucas Duarte, de 28 anos, conta que sentiu diferença na organização do embarque em relação a outros aeroportos do país. “Eu achei o aeroporto de Brasília bem arrumadinho mesmo, bem organizado, porque tem área de Uber, área de táxi, área de 99. No Rio também tem essas áreas, tudo específico. A partir do momento que tu sai da tua embarcação, tu já entra especificamente no lado do Uber, no lado do táxi ou do lado do 99”, contou Duarte.
Para ele, um espaço semelhante em Manaus facilitaria a circulação dos passageiros. “Aqui em Manaus poderia ter essas áreas mais acessíveis para o público mesmo. Até porque ficaria mais organizado.”
Lucas também acredita que a falta de organização interfere na sensação de segurança. “Com relação a entrar no carro de aplicativo através daqui, que é tudo misturado com táxi, com 99, eu prezo muito mais pela minha mulher. Porque às vezes eu não acho tão seguro para ela”, acrescentou.
ESTRUTURA E ESPAÇO DE ESPERA
A ausência de um ponto também é alvo de reclamações dos motoristas que trabalham diariamente no aeroporto. Há cerca de três semanas atuando com frequência no terminal, o motorista João Victor afirma que o local não oferece estrutura adequada para quem aguarda passageiros. “Os problemas são a gente não ter local para estacionar. Às vezes a gente fica sentado nessas cadeirinhas, às vezes fica em pé. Não ter local para ir ao banheiro. E até mesmo os órgãos de fiscalização que passam acabam multando”, afirmou João Victor.
(Foto: Nilton Ricardo)
Segundo o motorista, muitos profissionais passaram a buscar corridas no aeroporto devido à redução da demanda em outras regiões da cidade. “Eu estou vindo para cá justamente porque está muito ruim o movimento. Então acaba que a gente vem para pegar mais corridas”, pontua o condutor.
O motorista de aplicativo afirma ainda que a categoria sente falta de reconhecimento. “A gente não se sente valorizado. É como se fosse um subemprego. Mas a gente é profissional, trabalha todos os dias.”
(*) Colaborou Junio Matos.
Aeroporto avalia alternativas
Em nota encaminhada à reportagem, o Manaus Airport informou que o embarque e desembarque de passageiros por aplicativos ocorre atualmente nas vagas de parada rápida existentes no meio-fio do terminal, conforme orientação das próprias plataformas.
A concessionária informou ainda que disponibiliza 15 vagas de parada rápida no piso térreo e outras cinco no subsolo, conforme exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Segundo o aeroporto, já houve manifestações de empresas de aplicativos e de motoristas sobre a criação de uma área exclusiva.
“A Concessionária mantém diálogo com as empresas do setor e avalia alternativas para aprimorar a operação, incluindo a possibilidade de implantação de espaços dedicados aos motoristas”, diz a nota.
A concessionária acrescentou que a criação dessa área depende de estudos de viabilidade operacional e do interesse das empresas de aplicativos.
A administração também informou que não possui registros de reclamações relacionadas a desencontros, cancelamentos ou dificuldades de embarque.
Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (Immu), não havia respondido aos questionamentos encaminhados pela reportagem.
Associação cobra área exclusiva
Para o presidente da Associação dos Motoristas por Aplicativos do Amazonas (Ameap-AM), Alexandre Matias, a criação de uma área específica resolveria boa parte dos problemas enfrentados por passageiros e motoristas.
Segundo ele, hoje os usuários têm dificuldade para identificar o ponto correto de embarque.
“Até o passageiro fica confuso. Você chega no aeroporto de Manaus e não sabe se o motorista está em cima ou está embaixo”, declara o presidente da associação.
Matias afirma que a associação mantém conversas com a concessionária responsável pelo terminal para buscar uma solução.
“Estamos em tratativa com essa empresa para ver se encontramos um espaço”, ressalta.
Além da área de embarque, ele defende uma estrutura voltada aos motoristas.
“Se faz necessário um espaço para motoristas por aplicativos, uma área de descanso, alimentação e estacionamento onde possam aguardar o próximo voo.”
Segundo o dirigente, isso também reduziria os cancelamentos registrados atualmente.
“Temos muito cancelamento e muitas reclamações de passageiros porque não são viagens rentáveis quando o motorista deixa o passageiro no aeroporto e não encontra corrida para retornar”, destaca Matias.