Beleza

XERF ganha espaço no combate à flacidez e no cuidado da pele

Tecnologia de radiofrequência estimula a produção de colágeno e pode ser aplicada no rosto e no corpo, mas exige avaliação médica individualizada

Gabrielly Gentil
06/09/2026 às 18:32.
Atualizado em 06/09/2026 às 18:32

O procedimento utiliza um sistema de resfriamento que protege a superfície da pele durante a aplicação (Divulgação/Freepik.com)

O XERF é o novo procedimento estético queridinho do momento. Ele ganha espaço entre quem busca melhorar a firmeza da pele e combater a flacidez. A tecnologia ganhou visibilidade após ser adotada por várias famosas, despertando a curiosidade de quem quer entender como funciona.

Mas, para além da fama, o que está por trás dessa tecnologia? A médica Yanna Simões, que atua na área de estética médica e cuidados com a pele e o corpo, explica como o XERF funciona e o que é preciso saber antes de optar por ele.

“O XERF é uma tecnologia de radiofrequência monopolar que, diferente das outras do mercado, trabalha com duas frequências, de 6,78 MHz e 2 MHz. Isso permite que a gente entregue energia em diferentes profundidades do tecido, de acordo com a necessidade de cada paciente. Mas eu gosto de pensar no XERF não como um tratamento isolado, e sim como uma ferramenta dentro do gerenciamento do envelhecimento”.

A proposta é que o tratamento faça parte dos cuidados para manter uma pele saudável.

“A gente sabe que, com o passar dos anos, existe uma perda progressiva de colágeno, de firmeza e de sustentação da pele. Então, quando eu indico uma tecnologia como essa, o objetivo é justamente atuar nesse processo, estimulando o próprio tecido e tentando preservar a qualidade da pele ao longo do tempo. Por isso, mais do que simplesmente tratar uma flacidez que já apareceu, a gente consegue pensar também em prevenção e manutenção. E isso sempre de forma individualizada, respeitando o momento, a anatomia e a necessidade de cada paciente”.

Como é feito?

Na aplicação, o tratamento é ajustado às características e necessidades de cada pessoa.

“Durante o procedimento, nós fazemos disparos sobre a pele e essa energia gera um aquecimento controlado em diferentes profundidades. É justamente esse estímulo térmico que desencadeia o processo de remodelação e estímulo de colágeno. E a própria aplicação também é individualizada: eu avalio cada região e, a partir do que identifico naquele paciente, defino a profundidade e a intensidade que vou trabalhar em cada área”.

Para a médica, o conforto durante a sessão é um dos grandes diferenciais da tecnologia. “O equipamento possui um sistema de resfriamento que protege a superfície da pele enquanto a energia atua nas camadas mais profundas. O paciente sente principalmente uma sensação de aquecimento, mas, de modo geral, é um procedimento muito confortável. Não precisamos de anestesia e também não há um preparo complexo antes da sessão. Outra vantagem é não ter praticamente downtime: o paciente termina o procedimento e consegue voltar à sua rotina normalmente”.

Resultado

A resposta ao tratamento pode variar de uma pessoa para outra, e a percepção das mudanças acontece de forma gradual.

“Alguns pacientes percebem a pele um pouco mais firme logo depois da sessão, mas eu sempre explico que o resultado mais importante vem com o tempo. O processo de estímulo de colágeno leva em torno de 90 dias, então é ao longo desses três meses que a gente vai percebendo uma melhora progressiva da firmeza, da flacidez, da textura e da qualidade da pele como um todo”.

A escolha de onde aplicar a tecnologia também faz parte desse planejamento. “Quando a gente fala em gerenciamento do envelhecimento, o objetivo não é simplesmente estimular colágeno por estimular. É entender onde esse estímulo realmente faz sentido e quais regiões precisam ser tratadas naquele momento. Por isso, a avaliação e o planejamento são tão importantes.

A gente pode fazer tanto no rosto quanto no corpo. No rosto, além da melhora da firmeza e da qualidade da pele, conseguimos um efeito lifting, melhorando principalmente o contorno facial, a região da mandíbula, papada e pescoço. E no corpo, podemos tratar áreas que costumam incomodar pela flacidez, como braços, abdômen, coxas e a região acima dos joelhos. Mas, claro, tudo depende da avaliação e da necessidade de cada paciente”.

Fama não é indicação

A popularidade do XERF pode despertar o interesse pelo procedimento, mas a escolha precisa considerar o que cada pessoa busca e as condições avaliadas pelo médico.

“Eu acho ótimo quando uma tecnologia ganha visibilidade porque desperta nas pessoas o interesse por novos tratamentos, mas a indicação nunca pode ser baseada apenas no fato de uma celebridade ter feito. Antes de qualquer procedimento, precisamos entender o que realmente incomoda aquele paciente e avaliar se aquela tecnologia é a melhor opção para ele. Nem toda flacidez é igual e nem todo paciente precisa do mesmo tratamento. Muitas vezes, inclusive, os melhores resultados vêm da associação de diferentes tecnologias ou procedimentos”.

A avaliação médica também é importante para identificar situações em que o procedimento não é recomendado.

“Também existem situações em que o tratamento pode não ser indicado, e isso precisa ser identificado durante a avaliação médica, considerando condições de saúde, características da pele, presença de dispositivos ou implantes na região a ser tratada, gestação e outros fatores individuais. Então, mais importante do que procurar ‘o procedimento da famosa’ é procurar uma indicação bem feita. Tecnologia nenhuma substitui diagnóstico, planejamento e individualização do tratamento”.

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