Alguns aplaudem, presidentes de alguns países da região latino-americana reproduzem a proposta como prática ou anúncio do que irão fazer.
(Foto: Agência Brasil)
A intenção do candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) de construir um superpresídio em algum lugar da Amazônia não é delírio. Está agregada a um tipo de política de segurança pública apresentada por governos em diferentes países a partir de proposição do presidente dos EUA, Donald Trump, de espalhar o modelo de encarceramento.
Alguns aplaudem, presidentes de alguns países da região latino-americana reproduzem a proposta como prática ou anúncio do que irão fazer. A questão da segurança pública, como um dos problemas que mais preocupam a sociedade brasileira, é tratada pelo viés da fanfarrice e, em determinados candidatos, pela ignorância.
O superencarcerramento não resolveu a violência urbana e no campo. Ao contrário, gerou outros meios de produzir mais violência e ampliar a população carcerária. Cria a sensação de que algo está sendo feito para resolver o que apavora a população enquanto alimenta a manutenção da violência. Nesse sentido, a proposta anunciada do presidenciável Zema é parte do grande engodo que ora se pratica em vários países ao mesmo tempo que são palcos de protestos e lideram a lista das nações que mais violam direitos das populações vulneráveis.
Mais grave é o candidato planejar usar a Amazônia para implementar suas propostas na área da segurança pública. É como se esse território fosse um grande vazio de pessoas e de poderes e que ele, Zema, estivesse livre para fazer o que bem entender ou seu grupo de estrategistas assim o entenda. Em si, trata-se de um projeto de caráter autoritário que, pensado nessa perspectiva, revela desconhecimento sobre as realidades dos ecossistemas amazônicos, dos seus povos e de suas culturas, aproximando-se mais de iniciativas desastrosas que ganharam corpo durante a vigência do regime ditatorial e não ofereceram respostas positivas.
A Amazônia não é um território à disposição de autoridade, que em sua transitoriedade, faça experiências. Desde os primeiros cronistas, as políticas coloniais, ditatoriais, esta região enfrenta guerras para se manter e ser compreendida pela outra parte do Brasil, dos governos, do empresariado, das outras sociedades. É um pedaço do mundo detentor de riquezas e sim pode se constituir em boas respostas ao Brasil, à América Latina e do Sul, ao mundo, não pela exploração, saque e morte dos seus recursos, mas pela adoção de políticas socioambientais bem elaboradas e desenvolvidas.