Inquérito aberto a mando do ministro Alexandre de Moraes liga deputado a apreensão de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo
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O deputado federal Adail Filho (MDB) virou alvo de um inquérito aberto a mando do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação se estende ainda ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), pai do parlamentar.
O ponto de partida das investigações foi a apreensão pela Polícia Federal (PF) de uma mala contendo R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo em maio do ano passado, no Aeroporto de Brasília. A verba estava em posse dos empresários amazonenses Cesar de Jesus Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho.
No final de 2025, uma reportagem do portal UOL mostrou que a PF ligou os três empresários a Adail Filho e Adail Pinheiro. Por envolver um deputado federal, com foro privilegiado, o caso foi remetido ao STF e ficou sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Na época, Adail Filho negou que tinha qualquer envolvimento com os empresários presos.
Segundo as apurações da Polícia Federal, foram identificadas transações suspeitas e indícios de desvios ligadas a contratos públicos feitos pela Prefeitura de Coari e emendas parlamentares destinadas pelo deputado Adail Filho. Somente em contratos, a PF encontrou R$ 6 milhões. Sobre o dinheiro apreendido com os empresários, “sem comprovação lícita de sua procedência”, a investigação mostrou que os repasses seriam em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro.
“As apurações também indicaram que tais empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari e teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios. Soma-se a esse quadro a existência de informações obtidas em fontes abertas que evidenciam a destinação de vultosos recursos públicos ao referido município, nos anos de 2024 e 2025, por intermédio de emendas parlamentares de autoria do deputado”, escreveu Moraes.
O ministro determinou a instauração de inquérito para apurar as suspeitas “por parte de todos os investigados”, incluindo o deputado Adail Filho, o prefeito Adail Pinheiro e os empresários que estavam em posse dos R$ 1,2 milhão apreendidos.
Até o momento, nem o deputado federal ou o prefeito de Coari se manifestaram acerca da decisão do STF. A reportagem tentou contato com a assessoria do deputado Adail Filho e aguarda resposta.