Educação, qualificação profissional e acesso ao emprego ajudam na integração de quem recomeça a vida no estado
(Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos)
Porta de entrada para milhares de pessoas que buscam recomeçar suas vidas no Brasil, o Amazonas já registrou mais de 107 mil refugiados e migrantes desde 2018, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). No Dia Mundial do Refugiado, celebrado neste sábado (20), ações voltadas ao ensino da língua portuguesa, à empregabilidade e à inclusão social destacam os desafios e as oportunidades dessa população no estado.
Em Manaus, uma das iniciativas foi realizada pelo Instituto Yduqs e pela organização Educação Sem Fronteiras, que promoveram neste sábado, no Centro Universitário Martha Falcão Wyden, uma nova edição da prova de proficiência em Língua Portuguesa voltada a refugiados e imigrantes residentes no Brasil. A certificação, reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), é considerada uma etapa importante para processos de naturalização, continuidade dos estudos e acesso ao mercado de trabalho.
(Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos)
Segundo a reitora da instituição, Carla Sena, a iniciativa representa muito mais do que uma etapa burocrática, mas uma ferramenta importante de integração social . Ela ressalta ainda que a educação também desempenha papel fundamental na reconstrução das trajetórias de vida dos refugiados que chegam ao Amazonas.
“A proficiência em Língua Portuguesa representa uma ferramenta de integração social. Dominar o idioma amplia as possibilidades de acesso ao mercado de trabalho, fortalece a autonomia, facilita o acesso a direitos e permite que essas pessoas construam novos vínculos com a comunidade que as acolheu. Acreditamos que a educação é uma das principais pontes para que refugiados possam reconstruir suas trajetórias com dignidade, pertencimento e novas oportunidades no Brasil”, disse.
(Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos)
Outra ferramenta importante, segundo as instituições de acolhimento, é a empregabilidade, que também está entre os principais desafios enfrentados por quem chega ao país. Em Manaus, o Instituto Hermanitos está promovendo ao longo deste mês uma programação especial voltada à inclusão socioeconômica, capacitação profissional, geração de renda e valorização cultural de refugiados e migrantes.
Para o diretor-presidente da instituição, Tulio Duarte, a data é um momento para lembrar que o debate sobre refúgio vai além das estatísticas. Duarte destaca que o acolhimento precisa ser acompanhado de oportunidades concretas para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas.
“Por trás dos números existem pessoas, famílias e histórias de vida. São homens, mulheres, jovens e crianças que precisaram deixar seus países por situações de conflito, perseguição, crises econômicas e violações de direitos. O Amazonas e Manaus têm um papel muito relevante nesse processo, por serem territórios de chegada e de recomeço para muitas famílias refugiadas. A integração é possível quando existem respeito, solidariedade e oportunidades concretas”, destacou Tulio.
Duarte também reforçou a necessidade de combater estigmas relacionados à população refugiada. “Refugiados não são um problema. São pessoas com talentos, capacidade e vontade de contribuir. Quando abrimos as portas, construímos uma sociedade mais plural, humana e solidária. Eles certamente nos ajudam a construir um Brasil melhor”, disse.
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial do Refugiado destaca a força e a resiliência de milhões de pessoas que precisaram deixar seus países de origem. Além do acolhimento, iniciativas voltadas à educação, à capacitação profissional e à inclusão social têm contribuído para que refugiados e migrantes encontrem novas oportunidades e reconstruam suas trajetórias no Brasil.
Em Manaus, o Instituto Hermanitos segue com uma programação voltada a pessoas refugiadas e migrantes. Na terça-feira (23), às 8h30, será realizado o encontro de um ano do Hub Amazonas - Fórum Empresas com Refugiados, na sede do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na rua Paxiúbas, nº 215, bairro Dom Pedro. O evento reúne representantes de empresas parceiras e busca fortalecer a inserção de refugiados e migrantes no mercado de trabalho.
Na quinta-feira (25), às 14h, acontece a Oficina de Poesia e Conto para Jovens Refugiados, gratuita, na sede do Instituto Hermanitos, localizada na avenida Leonardo Malcher, nº 1.070, no Centro de Manaus. Encerrando a programação, no sábado (27), às 17h, o Centro Cultural Casarão de Ideias, também no Centro, recebe o debate “Fora de Casa: Diálogos sobre Refugiados e Literatura”, com entrada gratuita.