Redução

Amazonas tem maior queda nos casos de malária em mais de uma década

Brasil registra queda histórica da malária e lança Frente Parlamentar para eliminar a doença até 2035

Jeysy Xavier
25/06/2025 às 09:25.
Atualizado em 25/06/2025 às 09:25

(Foto: Divulgação FVS)

O estado do Amazonas alcançou, entre janeiro e maio de 2025, a maior redução nos casos de malária em mais de uma década. De acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), foram registrados 17.204 casos nos cinco primeiros meses deste ano, contra 19.568 no mesmo período de 2024, o que representa uma queda de 24,5%, a mais expressiva desde 2011.

Segundo a FVS-AM, essa redução é resultado direto da intensificação das estratégias de controle, que incluem o uso de mosquiteiros impregnados com inseticida, diagnóstico precoce com testes rápidos, aplicação da tafenoquina (medicamento de dose única para malária por Plasmodium vivax), além de ações educativas em comunidades mais vulneráveis da região amazônica.

A malária ainda é considerada um desafio de saúde pública no estado, que historicamente concentra parte significativa dos casos nacionais. Porém, o avanço das ações coordenadas entre municípios, governo estadual e federal tem surtido efeito.

 Frente Parlamentar reforça combate nacional

 Em nível nacional, a mobilização também ganhou força com a criação da Frente Parlamentar pela Eliminação da Malária no Brasil (FPEMA), lançada no último dia 17 de junho em Brasília. A iniciativa vai atuar em parceria com o Ministério da Saúde no objetivo de eliminar a malária do território brasileiro até 2035.

“Essa Frente Parlamentar é uma novidade importante: ativa, engajada e comprometida com resultados. Se atuarmos juntos, com determinação e inovação, podemos transformar essa história e alcançar um marco inédito na saúde pública brasileira”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o lançamento.

A estratégia nacional está baseada em cinco eixos: vigilância em saúde; planejamento e captação de recursos; legislação e política pública; pesquisa científica; e impacto das mudanças climáticas.

Os resultados positivos se estendem ao cenário nacional. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e abril de 2025, foram notificados cerca de 34 mil casos de malária, uma redução de 25% em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 45 mil registros. A maioria dos casos ainda se concentra na Região Amazônica, que responde por 99% do total.

Nos estados da Amazônia Legal, seis registraram queda:

  • Mato Grosso: de 438 para 193 (queda de 55,9%)
  • Rondônia: de 2.786 para 1.513 (queda de 45,7%)
  • Roraima: de 11.701 para 7.126 (queda de 39%)
  • Pará: de 8.295 para 5.530 (queda de 34%)
  • Amapá: de 1.572 para 1.320 (queda de 16%)
  • Amazonas: de 19.568 para 17.204 (queda de 12%) nos dados nacionais até abril

Em contrapartida, o Acre e o Maranhão registraram um leve aumento no número de casos.

 Investimento e planejamento até 2030

 Para fortalecer o combate à doença, o Ministério da Saúde anunciou investimento de mais de R$ 47 milhões em 2024 e 2025, com foco nos municípios prioritários. A malária está incluída no programa Brasil Saudável, que visa eliminar 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical como problemas de saúde pública até 2030.

O plano federal contempla duas fases: a primeira, até 2026, foca em 16 municípios prioritários. A segunda, até 2030, ampliará a cobertura para 32 municípios, com oficinas de microplanejamento, capacitação em entomologia e ações articuladas de diagnóstico, tratamento e controle vetorial.

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