Especialista explica como tutores podem reconhecer comportamentos de estresse, evitar erros comuns e garantir o bem-estar físico e emocional de cães e gatos
(Foto: FREEPIK.COM)
O retorno ao trabalho presencial e mudanças na rotina dos tutores têm afetado diretamente a saúde mental dos pets. Cães e gatos podem apresentar sinais de ansiedade e estresse quando ficam sozinhos, e a identificação desses comportamentos nem sempre é óbvia. O veterinário Luiz Simões explica como reconhecer os sinais, evitar erros comuns e ajudar os animais a lidarem melhor com o tempo sozinho.
1. Como diferenciar um comportamento normal de um pet carente de um quadro clínico de ansiedade de separação?
O pet utiliza naturalmente o contato com o tutor para suprir a carência afetiva. Como diz o livro Marley e Eu: “Você não precisa de carrões, de grandes casas ou roupas de marca; dê seu coração a ele e ele lhe dará o dele”. Na presença do tutor, o animal circula pela casa, busca carinho e demonstra afeto, evidenciando proximidade. No entanto, sua personalidade também depende de fatores genéticos, experiências de vida, ambiente e forma de criação. Na ausência do tutor, é natural que o pet vocalize ou choramingue por curto período, em busca de conforto e companhia, comportamento instintivo, que não necessariamente indica ansiedade.
2. Quais são os sinais menos óbvios de estresse em cães e gatos que muitos tutores deixam passar?
A identificação desses comportamentos pelo tutor pode ser difícil, pois os sinais clínicos surgem principalmente na ausência do tutor. Entre eles estão destruição de objetos e móveis, vocalização excessiva, longos períodos de imobilidade, letargia, lambedura exagerada, automutilação, mordidas em diferentes partes do corpo, além de falta de apetite ou recusa alimentar quando está sozinho. No entanto, várias doenças podem apresentar sintomas semelhantes. Por isso, é fundamental levar o animal a um médico veterinário, que fará o diagnóstico diferencial e poderá solicitar exames complementares para descartar outras patologias.
3. A ansiedade nos pets pode ter relação também com ambiente e estímulos externos, além da rotina do tutor?
Sim. Segundo estudos recentes em medicina veterinária, a ansiedade do pet não está relacionada apenas à rotina do tutor, mas também ao ambiente e aos estímulos externos. A falta de enriquecimento ambiental, como ausência de espaço adequado, brinquedos, locais para se esconder e desafios mentais, pode levar o animal a comportamentos destrutivos ou obsessivos, como lambedura excessiva. Além disso, estímulos aversivos, como ruídos altos, fogos de artifício ou mudanças bruscas no ambiente sem adaptação, também influenciam seu comportamento. Parâmetros legais, como a Lei Federal nº 9.605/98 e a Lei Estadual nº 1.474/1981, reconhecem que a ausência de condições que atendam às necessidades físicas e psicológicas do animal caracteriza negligência, passível de punição.
(Foto: Arquivo Pessoal)
4. Quais são os erros mais comuns que os tutores cometem ao tentar lidar sozinhos com a ansiedade dos animais?
Não levar o problema ao médico veterinário logo no início dos sintomas pode mascarar outras doenças. A automedicação, além de ineficaz, pode causar intoxicação, dificultando o tratamento e até colocando a vida do animal em risco. Outro erro comum é oferecer enriquecimento ambiental inadequado, que gera estímulos aversivos; assim, mesmo com boas intenções, o tutor pode acabar agravando o quadro do pet.
O cuidado com a saúde emocional dos pets vai muito além da rotina diária: envolve atenção, ambiente adequado e orientação profissional. Contar com o acompanhamento de médicos veterinários e especialistas em comportamento é essencial para oferecer aos animais uma vida equilibrada, segura e estimulante, fortalecendo o vínculo com o tutor e prevenindo problemas futuros.