Terras raras

BCM capta R$ 35,8 milhões em recursos para explorar terras raras em Apuí

O diretor da BCM, Andrew Reid, afirmou no comunicado que a forte demanda de investidores é uma clara confirmação da qualidade do projeto.

Waldick Júnior
08/07/2026 às 08:19.
Atualizado em 08/07/2026 às 09:06

O processo de licenciamento para que a mineradora BBX do Brasil exporte terras raras em Apuí Iniciou em fevereiro deste ano; a operação tem início previsto para 2027 e expectativa de, cinco anos depois, planeja refino em Manaus. (Foto: Reprodução)

A empresa Brazilian Critical Minerals (BCM), que pretende explorar terras raras em Apuí, no sul do Amazonas, anunciou a captação de 10 milhões de dólares australianos, o equivalente a R$ 35,8 milhões, após a Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovar os relatórios finais do projeto.

Em anúncio a investidores obtido por A CRÍTICA, a companhia informou que, da meta de 10 milhões de dólares australianos, 7,4 milhões estão garantidos por “compromissos firmes” de acionistas. A outra parte do valor, 2,7 milhões, deve ser captada com a venda de novas ações. Para isso, os acionistas precisam aprovar o movimento em assembleia prevista para agosto.

A empresa tem expectativa de elevar o caixa da empresa a 14 milhões de dólares australianos, o equivalente a R$ 50,1 milhões. O valor deve ser utilizado para financiar o projeto de exploração de terras raras em Apuí, que ainda aguarda as licenças ambientais em análise no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e da Concessão de Lavra (licença de mineração) na ANM.

ATRAÇÃO

A empresa diz que a captação ocorre após ter confirmado o projeto como “economicamente robusto, estrategicamente relevante e com baixo custo inicial de capital”. O diretor-gerente da BCM, Andrew Reid, afirmou em comunicado que a forte demanda de investidores é uma clara confirmação da qualidade do projeto.

“O placement [captação dos recursos] reduz os riscos da nossa trajetória de desenvolvimento e garante que estaremos bem capitalizados para avançar o EMA [projeto] em direção à decisão final de investimento, incluindo engenharia e design detalhados. Também oferece capital de giro e flexibilidade para continuar progredindo nas discussões de licenciamento e aprovações”, pontuou.

O executivo confirmou que a BCM continua a ter conversas sobre a contratos futuros de compras dos recursos extraídos, além de parcerias para apoiar o empreendimento. A expectativa é que as terras raras sejam exportadas para os mais diversos mercados, incluindo Estados Unidos, China, França e Espanha, conforme apurou A CRÍTICA.

Em abril, a empresa divulgou um acordo de cooperação com a gigante asiática Southern Alliance Mining (SAM), que atua na Malásia, para avaliação de operação conjunta entre as empresas, incluindo a venda dos elementos amazonenses.

INVESTIMENTO

A operação da BCM tem início previsto para 2027 e expectativa de, pelo menos cinco anos depois, planejar um processo de refino em Manaus. O investimento inicial está calculado em R$ 200 milhões.

A previsão é que a fase de obras na implantação do projeto gere em torno de 500 empregos diretos. Durante a execução do empreendimento, a estimativa é de 200 empregos diretos e outros mil indiretos.

A empresa também prevê um faturamento de R$ 400 milhões por ano e R$ 8 milhões em impostos para a cidade de Apuí, valor que representa cerca de 10% da receita do município para 2025, de R$ 77,7 milhões.

A empresa Brazilian Critical Minerals, que quer explorar terras raras em Apuí, no sul do Amazonas, anunciou a captação de 10 milhões de dólares australianos, o equivalente a R$ 35,8 milhões, após a ANM aprovar os relatórios finais do projeto.

Atrativo

O diretor da BCM, Andrew Reid, afirmou no comunicado que a forte demanda de investidores é uma clara confirmação da qualidade do projeto.

É o faturamento anual previsto pela empresa com a exploração de terras raras em Apuí é de R$ 400 milhões.

Exploração depende de licenciamento

Em meados de junho, a Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou os relatórios finais do projeto de exploração de terras raras em Apuí pela BBX do Brasil, subsidiária da australiana Brazilian Critical Minerals (BBM). A atividade ainda depende do licenciamento ambiental, pendente no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), e da Concessão de Lavra (licença de mineração) pela ANM.

O anúncio do avanço foi feito pela BBM a investidores no dia 15 do mês passado. A companhia disse, em nota, que a aprovação dos relatórios é um “marco crítico e importante, que representa uma redução significativa dos riscos regulatórios e coloca a empresa mais próxima de obter suas licenças e de alcançar o objetivo de desenvolver rapidamente o Projeto Ema”.

A empresa afirmou que os pedidos de Guia de Utilização (autorização em caráter excepcional para a extração de substâncias antes da Concessão de Lavra), submetidos em maio de 2025, ainda estão em análise pelo Ipaam.

O projeto entrou, segundo a empresa, na etapa de aprovação para desenvolvimento minerário. Nesse estágio, o Estudo de Viabilidade Bancável (BFS), a licença ambiental e a concessão de lavra passam a ser os principais marcos restantes para a obtenção da licença completa de mineração.

“Com a aprovação da ANM assegurada, os principais marcos regulatórios restantes são a obtenção da licença ambiental e a concessão de lavra. À medida que o BFS se aproxima da conclusão, a companhia direciona cada vez mais seus esforços para avançar o Projeto Ema pelas etapas finais de aprovação e posicioná-lo para o desenvolvimento futuro”, disse o diretor-geral da BBM, Andrw Reid, em nota pública.

O processo de licenciamento para que a mineradora BBX do Brasil exporte terras raras encontradas em Apuí iniciou em fevereiro deste ano. A operação tem início previsto para 2027 e expectativa de, pelo menos cinco anos depois, planejar um processo de refino em Manaus.

O Sumário Mineral 2024, produzido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), do governo federal, coloca o Brasil como o quarto maior detentor dos minérios no mundo, com 11,4 milhões de toneladas, atrás de China (44 milhões), Vietnã (22 milhões) e Rússia (10 milhões).

Estimativas de outras fontes citam o Brasil na segunda posição com reservas prováveis de terras raras.

Senado analisa dois projetos de lei

Tramitam no Senado dois projetos que tratam de terras raras. O Projeto de Lei (PL) 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL). E o PL 2780/2024, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, que versa sobre o mesmo tema.

Essa proposta prevê incentivos para exploração, processamento e reciclagem de terras raras e outros minerais usados em tecnologias, baterias e equipamentos eletrônicos. E cria um fundo garantidor de R$ 2 bilhões e incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões para o setor.

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