Pets

Cada um na sua: gatos demandam cuidados bem diferentes dos de cachorros

Felinos têm necessidades próprias de alimentação, saúde e comportamento e respeitar essas diferenças é essencial para uma vida mais saudável.

Luyza Rodrigues
15/08/2026 às 18:39.
Atualizado em 15/08/2026 às 18:39

Gatos precisam de cuidados especiais para viverem bem e com saúde (Divulgação)

Nem um mundo é igual ao outro. E, na natureza, as diferenças precisam ser respeitadas, porque todo ser é único. Nessa premissa, ao falar de cães e gatos, podemos expressar carinhos imensuráveis, mas o mundo de um gato funciona em outra frequência. Enquanto os cães costumam demonstrar entusiasmo de forma expansiva e buscar constantemente a interação humana, os felinos carregam uma linguagem mais silenciosa, feita de olhares, movimentos sutis e escolhas próprias. Na mesma casa, os dois podem dividir sofá, brinquedos e afeto, mas não necessariamente compartilham as mesmas necessidades. Entender essa diferença é o primeiro passo para cuidar de um gato sem tentar transformá-lo em um cachorro.

A convivência cada vez mais próxima com os felinos também trouxe uma mudança na forma como eles ocupam as famílias. De animais considerados independentes e distantes, os gatos passaram a ser companheiros presentes na rotina, criando vínculos profundos com seus tutores. Mas essa proximidade exige conhecimento: alimentação, hidratação, saúde, ambiente e comportamento precisam ser pensados a partir da natureza do próprio gato.

Para Naitê Sargentini, especialista em dermatologia e oftalmologia veterinária, a principal diferença nos cuidados com cães e gatos está justamente nas características fisiológicas e anatômicas de cada espécie. Segundo ela, os felinos podem esconder sinais de doenças, fazendo com que alterações sejam percebidas apenas quando o quadro já está avançado. Por isso, observar pequenas mudanças no comportamento e manter consultas preventivas são atitudes fundamentais.

“Eles são seres totalmente diferentes, são espécies que demandam um atendimento diferenciado. A gente sabe que os gatos são mais silenciosos. Então, quando a gente vai descobrir algo no gato, já é tarde demais, se não se atentar a algumas mudanças básicas de comportamento neles. O ideal é avaliar e ter sempre uma avaliação preventiva para os dois, para as duas espécies”, explica.

Além da atenção aos sinais físicos e comportamentais, os cuidados também passam pela alimentação. Para os felinos, a escolha da dieta e a ingestão adequada de água são pontos importantes para preservar a saúde e prevenir problemas, especialmente relacionados ao sistema urinário.

“Quando a gente fala de alimentação e comportamento dos felinos, o que mais a gente deve se preocupar na rotina de quem cria gato é que eles são carnívoros por natureza. Eles têm uma necessidade diferenciada de dieta em relação aos cães. Tanto que, por isso, existe ração para cão e para gato: elas são balanceadas com complementos nutricionais diferentes. Então, é importante dar uma ração adequada para esse gato e lembrar principalmente da ingestão de água, que é o que a gente sempre bate na tecla. Os gatos precisam ingerir mais água, porque eles não gostam de água parada. Alguns gatos simplesmente não querem tomar água de jeito nenhum, mesmo com bebedouro eletrônico. Então, é preciso estimular esse gato a consumir uma quantidade mínima de água”, orienta.

Segundo Naitê Sargentini, não é preciso esperar grandes sinais dos felinos."Basta observar pequenos detalhes, conhecer o próprio gato e entender: ele sempre fez isso?", salienta.

Hora de agir

 Pequenas mudanças na rotina podem revelar muito sobre a saúde de um gato. Alterações no apetite, no consumo de água, no peso, na respiração ou no uso da caixa de areia, assim como mudanças no comportamento e na própria higiene, são sinais que não devem passar despercebidos. Como os felinos costumam esconder sintomas de dor e doença, observar atentamente esses detalhes pode ajudar a identificar problemas antes que eles se agravem. Para Naitê, alguns desses sinais exigem atenção imediata:

“O gato precisa de avaliação veterinária quando muda o comportamento ou apresenta alterações fisiológicas, como vomitar, ter diarréia, diminuir o apetite ou parar de comer, o que é muito perigoso para um gato, perda de peso, ganho de peso também. Quando a gente vê alteração na urina ou que não está urinando, também é muito grave e urgente. Alteração no padrão respiratório também, quando a gente fala de felino, é importante olhar se não tem secreção no nariz ou nos olhos. Existem algumas doenças virais que estão correlacionadas e, principalmente, o que é muito ignorado pelos tutores ainda: a pele. A gente sabe que existem muitas doenças endócrinas que se manifestam através de alterações da pelagem. E, em alguns casos, quando esse gato já não está se higienizando mais, alguma coisa está acontecendo. Ou ele é idoso demais, ou está tendo dificuldade, ou está sem estímulo para se higienizar. Isso é um grande problema que a gente pode estar vendo e sinalizando.”

Mais do que esperar por sinais evidentes de doença, o cuidado com os felinos passa por conhecer a rotina e a personalidade de cada animal. Pequenas mudanças podem representar um alerta importante e justificar uma avaliação profissional. “A gente não precisa ter muita alteração para ir ao veterinário. Basta observar pequenos detalhes, conhecer o próprio gato e entender: ele sempre fez isso? Porque o gato tem uma rotina, diferente da do cão. Então, se ele sempre fez determinada coisa e agora não está querendo fazer, isso já é um alerta muito grande”, finaliza Naitê.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por