Casa Beata Chiara Bosatta oferece moradia, educação e suporte psicossocial para crianças e adolescentes
Padre Gastón Gabriel Aquino é paroco da Igreja São Francisco de Assis. (Jeiza Russo)
A dedicação fervorosa de sua breve vida ao cuidado dos pobres e das crianças socioeconomicamente vulneráveis tornou-se a missão de vida de beata italiana Chiara Bosatta. Professada freira em 1878 e, movida por uma caridade e fé inabalável, entregou-se ao serviço dos mais necessitados, mesmo quando a tuberculose passou a consumir suas forças até sua morte em 1887 na cidade de Pianello Lario.
Beatificada em 1991 pelo Papa João Paulo II, sua história permanece como testemunho de amor e entrega ao próximo. E inspirado por esse legado, a Casa-Lar Feminina Beata Chiara Bosatta, fundada no ano de 2023 no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste de Manaus, acolhe meninas em situação de vulnerabilidade.
Em três anos de funcionamento, o lar tornou-se referência de cuidado e de esperança, oferecendo moradia, educação e afeto às crianças e adolescentes que ali encontram um novo começo.
Para o padre Gastón Gabriel Aquino, pároco da Igreja São Francisco de Assis, o lar, de acolhimento institucional especializado de alta complexidade para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, possibilita a proteção social e resgata a dignidade das meninas acolhidas.
“Este aqui é o projeto mais desafiador, que oferece moradia, atendimento psicossocial, assistência social, alimentação, arte e educação. Hoje a casa tem capacidade para atender até 20 meninas, mas por enquanto temos 13 acolhidas. No entanto, já temos outras para entrar e são sempre do bairro, pois a casa surgiu somente para responder às necessidades do bairro”, explicou o padre.
Atualmente a casa atende 13 meninas, correspondendo a 5 adolescentes e 7 crianças. No entanto, dentre as acolhidas do lar de acolhimento, 3 delas estão em processo de reinserção familiar.
“O que nós procuramos aqui é a autonomia. Ou seja, quando não é possível o retorno familiar, que isso seria o primeiro objetivo, ou outra família do núcleo familiar deles, a família extensa que se chama. Quando não conseguimos isso, aí tentamos a possibilidade de adotar”, detalhou.
Abrigo na zona Leste de Manaus resgata dignidade de crianças e jovens
nos refeitórios da Igreja de São Francisco de Assis ou pelos órgãos de proteção à infância, como a Agência de Proteção Infanto-Juvenil e o Conselho Tutelar.
“Quando verificam que, efetivamente, tem uma grave violação de direitos da criança e da adolescente, e quando é o último caso que não se tem mais o que fazer, se procede ao acolhimento. As crianças que temos aqui são de “última instância”. Já não conseguiram outro tipo de solução eficaz para a situação dela, então são acolhidas”, salientou o pároco.
Uma vez dentro da casa, elas passam a viver em um ambiente seguro, onde recebem acompanhamento integral e oportunidades de reconstruir suas histórias.
movidas pelo desejo de retribuir o acolhimento que receberam e de seguir a missão da beata que dá nome ao lar.
um elo fraterno que ultrapassa o tempo de permanência e reafirma que o espaço não é apenas um abrigo temporário, mas um lugar de pertencimento e de construção de novas histórias.
“Mesmo que haja momentos em que diga ‘não tenho ninguém’, ‘não tenho ponto de referência’. Sabe-se que aqui tem uma casa que pelo menos pode ir quando precisar, quando estiver passando um momento difícil. Ela sabe que estamos aqui. Ela compreende o funcionamento da casa”, concluiu o padre Gastón Gabriel Aquino.