Acolhimento

Casa acolhe meninas vulneráveis na zona Leste

Casa Beata Chiara Bosatta oferece moradia, educação e suporte psicossocial para crianças e adolescentes

Daniel Brandão
03/05/2026 às 19:27.
Atualizado em 03/05/2026 às 19:27

Padre Gastón Gabriel Aquino é paroco da  Igreja São Francisco de Assis. (Jeiza Russo)

A dedicação fervorosa de sua breve vida ao cuidado dos pobres e das crianças socioeconomicamente vulneráveis tornou-se a missão de vida de beata italiana Chiara Bosatta. Professada freira em 1878 e, movida por uma caridade e fé inabalável, entregou-se ao serviço dos mais necessitados, mesmo quando a tuberculose passou a consumir suas forças até sua morte em 1887 na cidade de Pianello Lario.

Beatificada em 1991 pelo Papa João Paulo II, sua história permanece como testemunho de amor e entrega ao próximo. E inspirado por esse legado, a Casa-Lar Feminina Beata Chiara Bosatta, fundada no ano de 2023 no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste de Manaus, acolhe meninas em situação de vulnerabilidade.

Em três anos de funcionamento, o lar tornou-se referência de cuidado e de esperança, oferecendo moradia, educação e afeto às crianças e adolescentes que ali encontram um novo começo.

Incentivo à autonomia

Para o padre Gastón Gabriel Aquino, pároco da Igreja São Francisco de Assis, o lar, de acolhimento institucional especializado de alta complexidade para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, possibilita a proteção social e resgata a dignidade das meninas acolhidas.

“Este aqui é o projeto mais desafiador, que oferece moradia, atendimento psicossocial, assistência social, alimentação, arte e educação. Hoje a casa tem capacidade para atender até 20 meninas, mas por enquanto temos 13 acolhidas. No entanto, já temos outras para entrar e são sempre do bairro, pois a casa surgiu somente para responder às necessidades do bairro”, explicou o padre.

Atualmente a casa atende 13 meninas, correspondendo a 5 adolescentes e 7 crianças. No entanto, dentre as acolhidas do lar de acolhimento, 3 delas estão em processo de reinserção familiar.

“O que nós procuramos aqui é a autonomia. Ou seja, quando não é possível o retorno familiar, que isso seria o primeiro objetivo, ou outra família do núcleo familiar deles, a família extensa que se chama. Quando não conseguimos isso, aí tentamos a possibilidade de adotar”, detalhou.

Abrigo na zona Leste de Manaus resgata dignidade de crianças e jovens

O caminho até a casa

  nos refeitórios da Igreja de São Francisco de Assis ou pelos órgãos de proteção à infância, como a Agência de Proteção Infanto-Juvenil e o Conselho Tutelar.

“Quando verificam que, efetivamente, tem uma grave violação de direitos da criança e da adolescente, e quando é o último caso que não se tem mais o que fazer, se procede ao acolhimento. As crianças que temos aqui são de “última instância”. Já não conseguiram outro tipo de solução eficaz para a situação dela, então são acolhidas”, salientou o pároco.

Uma vez dentro da casa, elas passam a viver em um ambiente seguro, onde recebem acompanhamento integral e oportunidades de reconstruir suas histórias.

“A casa oferece reforço escolar, oficinas como artesanato, massoterapia, música, canto, culinária, confeitaria, e esportes, natação, balé, bicicletas, patins. E depois, o aproveitamento na quadra, brincadeiras e jogos livres. A jornada delas tenta ser mais carregada de atividades possíveis, pois quando estão ansiosas elas tentam se ferir, por conta do passado traumático que viveram”, contou.

O que vem depois da Casa?

movidas pelo desejo de retribuir o acolhimento que receberam e de seguir a missão da beata que dá nome ao lar.

“Mesmo aquela que já saiu, completando 18 anos, temos uma geração muito bonita. Ela busca viver aqui, almoçar com nós aos domingos, sente que somos a família dela e nós sentimos que ela é nossa família também. Este não é simplesmente para nós um serviço de passagem. Pelo contrário, nós acreditamos que estamos construindo vínculos saudáveis”, destacou o padre.

um elo fraterno que ultrapassa o tempo de permanência e reafirma que o espaço não é apenas um abrigo temporário, mas um lugar de pertencimento e de construção de novas histórias.

“Mesmo que haja momentos em que diga ‘não tenho ninguém’, ‘não tenho ponto de referência’. Sabe-se que aqui tem uma casa que pelo menos pode ir quando precisar, quando estiver passando um momento difícil. Ela sabe que estamos aqui. Ela compreende o funcionamento da casa”, concluiu o padre Gastón Gabriel Aquino.

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