TESTEMUNHA

"Cenário de guerra", diz amazonense que mora no Rio Grande do Sul

Testemunha ocular da catástrofe que assola o estado gaúcho, Paulo Uzias, 30 anos, relata os momentos de angústia que viveu para salvar a própria vida

Amariles Gama
08/05/2024 às 14:03.
Atualizado em 08/05/2024 às 14:03

Em entrevista a A CRÍTICA, Paulo contou como está a situação de devastação na cidade de Lajeado (RS), onde ele vive. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A situação no Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes que atingiram o estado tem sido descrita por muitos como 'cenário de guerra'. Entre aqueles impactados está o amazonense Paulo Uzias Balieiro, 30 anos, que vive no estado gaúcho desde 2021 e testemunhou de perto a destruição provocada pelas chuvas.

Em entrevista a A CRÍTICA, Paulo contou como está a situação de devastação na cidade de Lajeado (RS), onde ele vive. O amazonense também relembrou o momento em que precisou ser resgatado pela Defesa Civil depois que as águas invadiram rapidamente o segundo andar do prédio em que ele mora, destruindo anos de trabalho e conquistas.

“Estava chovendo, só que às vezes parava e a gente pensava que ia estabilizar e depois baixar, só que não parou de chover e era muita água. E a gente tem dois gatos, o Gabriel não sabe nadar e eu era o único que sabia nadar, mas ali na rua tinha muito fio e já tinha coberto os fios de alta tensão, e eu fiquei desesperado pensando que não ia conseguir salvar ninguém”, relatou.

Paulo conta que já enfrentou outras enchentes nos últimos anos e perdeu vários móveis de casa. Dessa vez, ele acreditou que estava preparado para enfrentar o evento e se adiantou em levantar os móveis para evitar o máximo de perdas. Porém, o que ele não esperava é que dessa vez as águas viriam com tanta força e rapidez, uma vez que, segundo ele, também não houve um alerta realista por parte do governo.

Resgate

“Quando deu umas 19h30 a luz foi embora e a gente ficou mais desesperado. A gente já estava em contato com uns amigos e uma amiga falou que tinha acionado a Defesa Civil e que eles iriam lá. Estava tudo escuro e a gente tentou organizar nossas coisas, colocamos os gatos em uma mala, umas três mudas de roupa num saco de lixo e os documentos. Aí eles chegaram e a gente pulou a sacada do apartamento que é no segundo andar, e no percurso eles salvaram ainda mais uma senhorinha e uma criança”, disse.

O episódio aconteceu há uma semana e atualmente Paulo está abrigado na casa de amigos. Depois que as águas começaram a baixar ao nível da rua, ele retornou ao apartamento e se deparou com o cenário de devastação ao seu redor. Ruas invadidas por lama e entulhos, e seu apartamento, móveis e pertences pessoais completamente destruídos.

“Realmente não tem o que dizer, é um cenário de guerra. Muito, muito triste ver tudo debaixo da lama. É muito desolador você ver famílias, as pessoas não tendo mais nada. Tem pessoas que perderam tudo, a avó de uma amiga perdeu a casa completa, a água levou. É muito triste, tudo o que você trabalhou para conquistar ver daquele jeito, nem sabe se vai conseguir reaproveitar algo, bem ruim a sensação, não desejo a ninguém”, descreveu Paulo.

Para Paulo, houve negligência por parte do governo que não tratou com seriedade a situação como deveria ser tratada. Ele afirma ainda que, nas últimas enchentes, foi anunciado que agentes do governo compareceriam nas áreas atingidas, e essa visita, segundo ele, nunca aconteceu na casa dele nem de seus vizinhos.

Recomeçar

Agora, o amazonense assim como milhares de pessoas atingidas pela enchente, pretende recomeçar a vida. Ele planeja fazer uma mudança de bairro, mas não da cidade. A ida dele para o estado gaúcho foi motivada por uma oportunidade de emprego e a demanda de clientes que ele conquistou na cidade, é o que motiva ele a continuar trabalhando por lá.

Paulo afirma que a solidariedade de todos é o que tem acalentado ele nesse momento desafiador. Segundo ele, as pessoas estão se ajudando mutuamente, nas ruas, nos mercados, entre outros lugares. Ele mesmo e um grupo de amigos têm recebido doações e dividido com aqueles que mais precisam.

“É bem difícil psicologicamente falando, eu já chorei bastante e estar longe da minha família é muito difícil para mim também. Conheço pessoas há muito pouco tempo, tenho amigos aqui, graças a Deus estamos recebendo esse apoio, mas estar longe da minha família de sangue é difícil, mas eu já conversei com alguns deles, já liguei, a gente conversou e se acalmou”, contou.

Como ajudar

Quem quiser ajudar Paulo com alguma doação é possível doar através do pix: pixpaulob@gmail.com. Ele e amigos do @volupia_bar também estão unindo esforços com ações para ajudar outras pessoas atingidas pelas enchentes. Se puder, apoie pelo pix CNPJ: 46772518000144.

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