Como os jovens da geração Z estão lidando com os vícios em substâncias

A geração Z enfrenta desafios como ansiedade e dependência de substâncias, mas é possível encontrar caminhos de recuperação e autonomia.

05/02/2026 às 14:26.
Atualizado em 09/02/2026 às 17:21

A geração Z cresceu ouvindo que precisa dar conta de tudo: estudo, trabalho, aparência, relações e futuro. Para muita gente jovem, essa cobrança vira ansiedade, insônia e um cansaço que não passa.
O uso de álcool e outras drogas pode entrar como tentativa de aliviar a tensão, pertencer a um grupo ou “desligar” por algumas horas. Falar sobre vício com respeito sem moralismo e sem rótulos ajuda a enxergar o que está por trás do consumo e quais caminhos existem.

Entre pertencimento e alívio rápido

O primeiro contato com substâncias costuma acontecer em situações sociais. A curiosidade, a influência do grupo e a ideia de “só uma vez” abrem a porta. O problema aparece quando a repetição vira rotina: beber para conseguir conversar, fumar para dormir, usar para esquecer um conflito, “precisar” de algo para enfrentar a semana. Aos poucos, a substância ocupa o lugar de estratégias saudáveis e o jovem sente que perdeu a liberdade de escolha.

Muitos descrevem essa fase como uma dupla vida: por fora, tudo parece normal; por dentro, existe medo de ser descoberto e culpa. Para compensar, surgem promessas: “na próxima eu paro”, “é só até passar essa fase”. Essa negociação interna pode durar muito tempo.

O que torna a geração Z mais vulnerável

Não existe uma única causa. Há jovens que usam por impulso e acabam presos ao hábito; outros carregam dores antigas. O que se repete em muitos relatos é a mistura de pressão por desempenho, comparação e dificuldade para falar sobre emoções. Quando falta espaço para errar e recomeçar, a fuga parece tentadora.

Também pesa a solidão. Quem vive luto, rejeição, trauma, bullying ou conflitos em casa tende a buscar alívio imediato. Em alguns casos, há ansiedade ou depressão associadas, o que torna o consumo ainda mais sedutor por prometer descanso rápido. Só que o preço vem depois: piora do humor, instabilidade, problemas no corpo e conflitos nos vínculos.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Nem todo uso vira dependência, mas alguns sinais indicam que a situação está escapando das mãos. Mudança brusca de humor, isolamento, queda repentina na escola ou no trabalho, mentiras frequentes, sumiço de dinheiro, falta de autocuidado e segredo excessivo merecem atenção. Outro marcador é a função do consumo: quando a substância vira “remédio” para dormir, para sair de casa ou para suportar o dia, o risco aumenta.

Para famílias e amigos, observar não significa invadir. Significa notar padrões: uso cada vez mais frequente, doses maiores, incapacidade de cumprir combinados e episódios de risco, como dirigir após beber ou misturar substâncias. Se houver desmaios, confusão mental intensa, agressividade grave ou risco de autoagressão, busque atendimento de urgência.

Conversas que abrem portas (sem “passar pano”)

Muitos jovens são sensíveis a julgamentos. Sermões e ameaças tendem a fechar a conversa. O que costuma funcionar melhor é uma abordagem direta e humana: “eu estou preocupado”, “eu quero entender”, “vamos buscar ajuda juntos”. Perguntas abertas ajudam mais do que acusações: “o que você sente antes de usar?”, “o que você tenta aliviar?”, “o que você perde quando usa?”.

Acolhimento não é permissividade. É possível ser firme e, ao mesmo tempo, presente. Em vez de discutir no calor do momento, combine uma conversa em horário calmo. Troque “você estragou tudo” por “isso está trazendo consequências e precisamos agir”.

Caminhos de cuidado: do acompanhamento à internação

Buscar ajuda não precisa ser um ato dramático. Muitas vezes começa com uma avaliação para entender a gravidade, riscos e necessidades. O tratamento pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico, grupos terapêuticos, apoio familiar e construção de rotina com metas claras. Em alguns casos, a internação é indicada para proteger a vida, estabilizar sintomas e interromper o ciclo de uso.

O cuidado precisa ser individual. Há jovens que evoluem bem com acompanhamento regular e uma rede de apoio firme; outros precisam de suporte intensivo por um período. Para quem está na região e busca orientação, uma clinica de recuperação em Itu pode ser o ponto de partida para uma triagem responsável e um encaminhamento adequado, com foco em segurança e sigilo.

Recuperação: passos possíveis, sem promessas vazias

A geração Z valoriza a sinceridade. Por isso, promessas milagrosas geram desconfiança. Recuperação não é mágica; é percurso. Pode haver recaídas, e isso não significa fracasso definitivo significa que o plano precisa ser ajustado, os gatilhos identificados e as habilidades emocionais fortalecidas.

Pequenas vitórias contam: dormir melhor, reduzir danos, retomar estudos, reconstruir confiança, aprender a lidar com frustração sem se destruir. O jovem não precisa “virar outra pessoa”; precisa recuperar autonomia. Quando existe cuidado qualificado, família orientada e um caminho claro, recomeçar deixa de ser uma ideia distante e passa a ser uma decisão possível. E vale pedir ajuda cedo.

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