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Despoluição visual revela fachadas históricas e reacende debate sobre preservação no Centro

As imagens mostram prédios que, durante anos, permaneceram escondidos sob estruturas comerciais e que agora voltam a compor a paisagem urbana com suas características originais, muitas delas datadas do período áureo do Ciclo da Borracha.

Omar Gusmão
17/04/2026 às 11:40.
Atualizado em 17/04/2026 às 11:40

(Foto: Reprodução Instagram)

Uma publicação recente da página Geopizza reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico em Manaus. O post compara imagens antigas — quando fachadas estavam encobertas por lonas publicitárias — com registros atuais, já após a retirada dos painéis, evidenciando a transformação visual no Centro Histórico da capital amazonense.

(Foto: Reprodução Instagram)

As imagens mostram prédios que, durante anos, permaneceram escondidos sob estruturas comerciais e que agora voltam a compor a paisagem urbana com suas características originais, muitas delas datadas do período áureo do Ciclo da Borracha.

Em entrevista, o historiador Fábio Augusto de Carvalho Pedrosa, um dos responsáveis pelo conteúdo, explicou que a publicação é fruto de uma parceria entre páginas de divulgação histórica. “A conta Geopizza é de um amigo de São Paulo. Eu sou proprietário da conta História Inteligente. Fazemos trabalhos conjuntos, com postagens colaborativas”, afirmou.

Segundo ele, a chamada “despoluição visual” vai muito além da estética. Trata-se de uma estratégia essencial para a preservação da memória urbana. “A conservação de prédios históricos, com ações de despoluição visual, garante a manutenção e valorização do patrimônio histórico. Esses bens, datados do final do século XIX e início do século XX, remetem a um importante período da nossa História e fazem parte da identidade da sociedade manauara”, destacou.

(Foto: Reprodução Instagram)

 O processo de retirada de placas e anúncios, no entanto, não ocorre sem resistência. De acordo com Pedrosa, o principal entrave ainda está na percepção de parte dos comerciantes. “Geralmente, a resistência de alguns proprietários, que acreditam que a diminuição ou remoção da placa possa afetar negativamente o comércio, é o principal desafio enfrentado por esse tipo de ação”, explicou.

Apesar disso, ele reforça que iniciativas semelhantes já vêm sendo adotadas em outras cidades brasileiras, com base em legislação específica e mecanismos de fiscalização. “É uma ação constante que envolve conscientização, fiscalização e educação patrimonial sobre a importância dos centros históricos”, pontuou.

No caso de Manaus, a retirada de estruturas irregulares e a reorganização da comunicação visual permitiram não apenas recuperar elementos arquitetônicos, mas também melhorar as condições de conservação dos imóveis. Sem a cobertura das lonas — que impediam ventilação e incidência solar —, problemas como mofo e infiltrações puderam ser tratados.

(Foto: Reprodução Instagram)

 Para o historiador, os impactos são amplos e vão além da preservação física. “Ao despoluir o Centro Histórico, colocamos em evidência as belas fachadas remanescentes do ciclo da borracha, tornando a região mais atrativa e convidativa à população e aos turistas. Isso contribui diretamente para a valorização da nossa identidade e também para a geração de emprego e renda”, concluiu.

A discussão levantada pela publicação reforça um ponto central: o equilíbrio entre atividade econômica e preservação do patrimônio segue como um dos principais desafios das cidades históricas brasileiras — e Manaus, ao que tudo indica, começa a redesenhar esse cenário.

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