11 de Agosto

Dia do Advogado: três vozes, três gerações

Três advogadas jovens de Manaus, de gerações diferentes, dividem suas impressões sobre a carreira: o que as trouxe até aqui, o que a rotina lhes ensinou e o que, na visão delas, mudou na profissão.

acritica.com
11/08/2026 às 15:44.
Atualizado em 11/08/2026 às 15:44

Letícia e o pai Hildeberto Dias (Foto: Acervo pessoal)

O Dia do Advogado no Brasil é comemorado anualmente em 11 de agosto. A data homenageia os profissionais do Direito e celebra a importância da advocacia para a manutenção da democracia, da justiça e a defesa dos direitos dos cidadãos brasileiros. Três advogadas jovens de Manaus, de gerações diferentes, dividem suas impressões sobre a carreira: o que as trouxe até aqui, o que a rotina lhes ensinou e o que, na visão delas, mudou na profissão.

A advocacia em números

O Brasil concentra a maior comunidade jurídica do mundo em proporção à população. Segundo o Conselho Federal da OAB, o país soma mais de 1,3 milhão de advogados e advogadas em atividade, patamar que faz do Brasil o terceiro colocado no ranking mundial de número de juristas, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. O 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira, feito pela OAB Nacional em parceria com a FGV Justiça, mostra ainda que a profissão já é praticamente dividida ao meio entre os gêneros: 50% dos inscritos são mulheres e 49% homens, com 1% se identificando com outras identidades de gênero. Um retrato de renovação que aparece todos os anos. O levantamento continua sendo o estudo demográfico completo mais atualizado e abrangente sobre a categoria.

“Acreditar na equidade da justiça”

Formada em 2014 pela Faculdade Martha Falcão, Letícia Mascarenhas Dias resume assim sua relação com a profissão: “Ser advogado é acreditar na equidade da justiça.” Foi na função de audiencista, no escritório do pai, que ela viveu um dos momentos mais marcantes da carreira: a liberação de um medicamento essencial para um paciente que corria risco de morte. O prazo era de 48 horas; o remédio saiu em 24 e o paciente sobreviveu.

Sobre os desafios do presente, Letícia aponta a inteligência artificial como o novo divisor de águas da rotina jurídica. “O grande desafio é saber utilizar a IA como ferramenta de otimização de tarefas, lembrando que ela deve sempre servir como uma ferramenta para complementar, e não substituir, a capacidade do advogado de exercer o seu julgamento crítico”, afirma.

A herança de um escritório

Letícia assumiu o escritório após a morte do pai, Hildeberto Correa Dias, incluindo carteiras como Delta Air Lines, American Airlines, Sky e Mastercard. Formado pela UFAM na turma de 1980, Hildeberto presidiu a Caixa de Assistência dos Advogados, o Conselho dos Representantes Comerciais do Amazonas e a Liga Amazonense Contra o Câncer (LACC), além de dirigir o Centro do Comércio do Amazonas e integrar o Conselho Regional do Sesc/Senac. “Meu pai muito contribuiu para a escolha desta profissão, pois sempre foi a minha inspiração como profissional e ser humano. Ver a sua dedicação e amor por esta profissão sempre me inspiraram”, resume Letícia.

“Transformar conhecimento técnico em capacidade real de mudar cenários”

Advogada tributarista com atuação consolidada no modelo da Zona Franca de Manaus, Mariana Monte Alegre Serafim sentiu o peso da profissão ao passar a atuar em discussões tributárias capazes de impactar diretamente grandes operações empresariais. “Por trás de uma discussão jurídica existe uma atividade econômica que precisa ser compreendida e protegida”, explica.

Para ela, a informação deixou de ser diferencial competitivo. “O advogado que apenas reproduz a legislação tende a perder espaço. O desafio hoje é interpretar, antecipar riscos, construir teses e compreender profundamente o negócio do cliente”, diz, acrescentando que o advogado estratégico “não pode chegar depois do problema; ele precisa estar onde as decisões são tomadas”.

Mariana define a profissão de forma direta: “Ser advogado é transformar conhecimento técnico em capacidade real de mudar cenários.” Ela conta que escolheu o Direito pelo gosto de argumentar, questionar e defender aquilo em que acredita, e diz ter aprendido, na prática, que “uma boa tese não nasce apenas da leitura da lei, nasce do estudo, da estratégia e, principalmente, da capacidade de enxergar aquilo que ainda não foi discutido”, analisa.

Graduada em Direito pela Universidade Católica de Santos (Unisantos), com pós-graduação em Direito Tributário pela PUC-SP e extensão em Tributação de Fusões e Aquisições (M&A) pelo Insper, Mariana atua na consultoria jurídica preventiva e contenciosa, apoiando empresas na estruturação de novos negócios, na análise de viabilidade tributária e na gestão de incentivos fiscais dentro do modelo da Zona Franca de Manaus.

“Unir conhecimento, estratégia e propósito”

A advogada Camila David encontrou no Direito Tributário a chance de participar de decisões que transformam realidades. “O Direito me encantou pela possibilidade de participar de decisões que podem transformar realidades. Na advocacia tributária, encontrei meu propósito: ajudar empresas a crescerem de forma segura e estratégica”, afirma, ressaltando o orgulho de exercer a profissão na Amazônia, “uma região que carrego com muito orgulho na minha identidade”, destaca.

O peso da profissão, para ela, aparece nos momentos em que “uma orientação tributária pode ir muito além de números e leis: pode contribuir para a continuidade de uma empresa, preservar empregos e viabilizar novos investimentos. É quando sinto, de verdade, a responsabilidade e o impacto da advocacia”.

Camila também vê a advocacia mais estratégica, tecnológica e dinâmica do que há alguns anos. “O maior desafio é acompanhar essa transformação sem perder a essência: estudar continuamente, ter visão de negócio e entender profundamente a realidade do cliente”, diz, lembrando que na Amazônia isso significa também “conhecer as particularidades e os desafios de empreender e desenvolver negócios em uma região tão singular”.

Especialista em Direito Tributário e Empresarial, Camila David está à frente de uma consultoria empresarial. Iniciou a carreira na Advocacia-Geral da União (AGU), onde construiu base técnica em Direito Público, antes de migrar para a advocacia tributária e empresarial. É defensora do modelo tributário da Zona Franca de Manaus como motor de desenvolvimento regional, atuando na consultoria preventiva e contenciosa de empresas, da estruturação societária à gestão de incentivos fiscais.

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