Dinheiro curto para investir? Problema é maior entre os 55+, aponta pesquisa

02/09/2026 às 12:28.
Atualizado em 02/09/2026 às 12:28

Manter as contas em dia e ainda guardar uma quantia para o futuro se tornou um desafio constante no orçamento das famílias brasileiras.

Entre as pessoas a partir de 55 anos, esse aperto é ainda mais evidente: segundo uma pesquisa realizada pela datatudo, editoria de pesquisas da meutudo, em junho de 2026, a principal barreira para investir vem da falta de dinheiro disponível.

O motivo foi citado por 26% dos entrevistados nessa faixa etária (enquanto as demais faixas ficaram abaixo de 25%) e pode ser diretamente associado à perda do poder de compra e ao aumento das despesas fixas.

Com esse cenário, vamos mostrar essa realidade e quais os caminhos práticos para que as finanças possam ser reorganizadas nessa fase da vida.

Por que investir fica mais difícil justamente na aposentadoria?

Investir fica mais difícil na aposentadoria porque parar de trabalhar diminui a renda mensal, enquanto, na mesma fase, os gastos básicos aumentam.

Quando alguém se aposenta pelo INSS, por exemplo, o valor recebido no benefício costuma ser menor do que o salário de antes, o que aperta o orçamento do mês.

Ao mesmo tempo, os custos com farmácia, planos de saúde e mercado só aumentam com o passar dos anos.

Para completar, encontrar uma vaga de trabalho para voltar a ganhar um dinheiro extra é bastante complicado nessa fase da vida.

Ou seja, falta dinheiro para investir quando você tem:

  • Menos dinheiro no bolso: perde uma renda maior ao trocar o salário pelo valor da aposentadoria
  • Gastos maiores com saúde: aumento de despesas constantes com remédios e mensalidades médicas
  • Ajuda financeira aos filhos: muitas vezes os aposentados usam do próprio dinheiro para ajudar financeiramente parentes

Essa combinação de renda menor e despesas maiores consome a sobra do orçamento antes mesmo do mês acabar. Por esse motivo, guardar qualquer quantia acaba ficando em segundo plano na rotina diária.

Dívidas disputam espaço nas finanças após os 55 anos

As dívidas acabam, muitas vezes, disputando espaço nas finanças de quem já passou dos 55 anos, pois a falta de disponibilidade no orçamento força o uso de cartões e empréstimos, que cobram juros altos e comprometem a renda.

Quando o benefício não cobre todos os custos, fica fácil recorrer ao cartão de crédito ou ao cheque especial para tentar dar conta das despesas.

O tamanho desse problema no país é revelado pelo Mapa da Inadimplência, um levantamento mensal realizado pela Serasa que acompanha o endividamento dos brasileiros.

Em julho de 2026, o estudo mostrou que o Brasil tem 83,9 milhões de pessoas negativadas, o que significa que mais da metade (51,04%) de todos os brasileiros com 18 anos ou mais está com o nome sujo.

Ao olhar para quem está com as contas atrasadas nesse levantamento da Serasa, a faixa etária mais madura se destaca: 33,2% dos negativados têm entre 41 e 60 anos, e 20,1% possuem mais de 60 anos. Somando esses dois grupos, temos que mais de 53% de todas as pessoas inadimplentes no país já passaram dos 40 anos.

A pesquisa da Serasa mostra que as dívidas desse público estão concentradas principalmente nos seguintes segmentos:

  • Bancos e cartões de crédito: somam 27,2% das pendências e englobam juros rotativos e compras parceladas que viram uma bola de neve
  • Contas de água, luz e gás: representam 21,1% das dívidas e mostram a dificuldade para pagar as despesas básicas da casa

Quando boa parte da renda fica comprometida para pagar dívidas que se renovam a cada mês, não sobra oportunidade para guardar nada. Por isso, organizar esses débitos e buscar saídas com taxas mais baixas é fundamental para recuperar o controle do seu dinheiro.

31% dos 55+ acreditam que precisam de mais de R$ 2 mil para começar

A ideia de que é preciso ter mais de R$ 2 mil para começar a investir é um mito que afasta grande parte dos aposentados das aplicações financeiras.

Essa impressão de que aplicação no mercado financeiro exige muito dinheiro sobrando acaba desencorajando muitas pessoas, como as que já estão numa fase mais madura.

Uma pesquisa realizada pela datatudo, editoria de pesquisas da meutudo, em junho de 2026, comparou a percepção sobre esse valor inicial entre diferentes faixas etárias, como mostra o gráfico a seguir:

Como o gráfico indica, o grupo de entrevistados com 55 anos ou mais lidera com 31% das respostas, representando o auge desse bloqueio quando comparado aos públicos mais jovens.

Para aumentar esse cenário de desinformação, a datatudo também identificou que 25% das pessoas entrevistadas nessa mesma faixa de idade nem sabem dizer qual seria a quantia mínima necessária para iniciar um investimento.

Essa dificuldade em relação ao valor de entrada acontece principalmente por conta dos seguintes fatores:

  • Linguagem complicada: uso de palavras difíceis pelos bancos tradicionais que assustam o pequeno poupador
  • Desconhecimento dos produtos: falta de informação sobre opções seguras de renda fixa que aceitam depósitos baixos
  • Medo de perder o dinheiro: insegurança ao mexer nas economias por falta de hábito

Entender que é possível começar com quantias muito pequenas ajuda a vencer o medo. Criar o hábito de guardar um pouco por mês, independentemente do valor, traz um impacto positivo enorme ao longo do tempo.

Começar a investir depois dos 55 anos ainda vale a pena?

Começar a investir depois dos 55 anos de idade vale a pena quando as aplicações financeiras protegem o seu dinheiro contra a inflação, com um rendimento seguro e sem colocar o seu patrimônio em risco.

É importante destacar que existe uma diferença importante entre apenas deixar o dinheiro parado na conta poupança e realmente investir nele.

Quando o saldo fica parado na sua conta, por exemplo, ele perde valor de compra a cada mês, por causa do aumento constante dos preços causados pela inflação.

Por isso, ao escolher investimentos de baixo risco, o seu dinheiro rende juros e mantém o valor real, ajudando a criar uma reserva para emergências de saúde ou manutenção da casa.

As opções de investimento recomendadas para quem tem mais de 55 anos incluem:

  • Tesouro Selic: título público de baixíssimo risco, garantido pelo Tesouro Nacional, ideal para aplicar a reserva de emergência e resgatar rápido quando precisar
  • CDBs de liquidez diária: investimentos bancários cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que rendem acima da poupança e aceitam depósitos iniciais de valores mais baixos
  • Tesouro IPCA+: modalidade voltada para prazos maiores, que paga uma taxa de juros mais a variação da inflação, para a proteção do seu poder de compra no futuro

Essas alternativas de renda fixa mostram que investir na maturidade é uma escolha inteligente para quem quer fazer o dinheiro trabalhar a seu favor.

Por isso, é importante se informar e escolher opções seguras, com boa estabilidade no retorno, e assim evitar preocupações desnecessárias com as oscilações do mercado.

O que fazer quando não sobra dinheiro para investir?

Quando não sobra dinheiro para investir, a melhor decisão é organizar os gastos da casa, cortar pequenos desperdícios e renegociar contratos de juros altos para aliviar o orçamento.

Não tem como construir uma aplicação financeira se o benefício vai inteiro para pagar parcelas pesadas de débitos que foram acumulados no passado.

O caminho é colocar todos os gastos no papel, descobrir para onde cada centavo está indo e buscar saídas práticas que diminuam o peso mensal dos compromissos financeiros.

Para quem é aposentado ou pensionista do INSS e tem parcelas de desconto cobradas todo mês, uma alternativa para reduzir os juros altos é fazer a portabilidade de empréstimo consignado.

Essa operação permite transferir a dívida para uma instituição com taxas de juros mais baratas, o que pode reduzir o valor da parcela descontada do benefício, aumentar o prazo de pagamento ou até mesmo liberar um saldo em dinheiro extra.

As atitudes práticas para reestruturar as finanças envolvem:

  • Mapeamento de despesas: anotação das saídas diárias para eliminar pequenos vazamentos no orçamento
  • Renegociação de cobranças: busca por descontos e novos parcelamentos adequados à sua realidade
  • Troca de débitos caros: uso da portabilidade de empréstimo para diminuir o valor das parcelas cobradas em folha

Ao reduzir cobranças e reorganizar a rotina da casa, você abre o espaço necessário no bolso para guardar e investir todos os meses.

Dessa forma, você assume o controle do seu dinheiro, devolve a liberdade e a tranquilidade que você merece para viver a aposentadoria com dignidade.

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