POLO INDUSTRIAL DE MANAUS

Entorno do aeroporto é opção para expansão do PIM

Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a área de aproximadamente 8 milhões de metros quadrados foi oferecida pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, controlada pelo grupo VINCI Airports, gerida atualmente pelo CEO Kleyton Mendes.

Lucas dos Santos
09/06/2026 às 08:45.
Atualizado em 09/06/2026 às 09:13

Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a área de 8 milhões de metros quadrados foi oferecida pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia (Foto: Divulgação)

Com cerca de 200 novas empresas em vias de implantação, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) recebeu uma proposta de uso da área no entorno do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes para a expansão do polo industrial da capital amazonense.

Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a área de aproximadamente 8 milhões de metros quadrados foi oferecida pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, controlada pelo grupo VINCI Airports, gerida atualmente pelo CEO Kleyton Mendes.

“Trata-se de uma alternativa que pode contribuir para ampliar as possibilidades de instalação de novos empreendimentos, fortalecendo o ambiente de negócios e criando condições favoráveis para a geração e emprego, renda e desenvolvimento econômico no Amazonas. Como a área não integra o patrimônio administrado pela autarquia, eventuais tratativas ocorrem diretamente entre a concessionária e os investidores interessados”, disse.

Montenegro disse que informações específicas como características da área, condições de ocupação e modelos de negociação podem ser obtidos pelas empresas junto à concessionária.

A proposta é uma alternativa ao plano principal da Suframa, que busca a revisão do Plano Diretor de Manaus para abrigar novas áreas industriais.

Desde que foi nomeado superintendente em março, Leopoldo Montenegro intensificou as tratativas junto à Prefeitura de Manaus visando alterações no plano que permitam a implantação de fábricas até o tipo 5 em outros bairros da capital amazonense além de Distrito Industrial I e II.

 ESTUDOS

 Procurado pela reportagem, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Antônio Peixoto, informou que a revisão do plano ainda se encontra em fase de análise técnica e há previsão para apresentação do texto final [economia@acritica.com](mailto:economia@acritica.com) até o final de 2026 para a Câmara Municipal de Manaus (CMM).

“Hoje, nós já recebemos sugestões de setores da organização civil, do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), da própria Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que é o comércio. São vários órgãos que apresentaram um estudo técnico para revisão do Plano Diretor”, disse.

O diretor do Implurb informou que, após a revisão interna das sugestões apresentadas, serão realizadas audiências públicas obrigatórias para ouvir a população de Manaus, que também poderá enviar sugestões. A revisão final da proposta deverá ficar pronta entre novembro e dezembro para ser discutida pelos vereadores.

Sobre a questão das áreas da indústria, Antônio Peixoto ressaltou que já existe um esboço para uma resolução que prevê a ampliação da área urbana para as rodovias AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara, e BR-174, que liga a capital a Presidente Figueiredo. Nessa minuta, existe a possibilidade de a área urbana de Manaus mais do que dobrar para além do bairro Lago Azul, o último atualmente antes da zona rural.

“Considerando que a barreira está no quilômetro zero, se a gente for olhar até quilômetro 41 da BR-174, que é o [ramal] ZF1, a gente vai aumentar mais 40km. A gente mais do que dobraria essa zona urbana somente ali na BR-174. Com Rio Preto da Eva, na AM-010, a gente iria até o quilômetro 60, aí triplicaria. Isso trás sobre o município a obrigatoriedade de arruamento, infraestrutura urbana completa com ruas, drenagem, coleta de lixo, ampliação dos serviços”, explicou.

A análise dessa proposta verifica se a Prefeitura de Manaus poderá atender toda essa demanda, mas lembrou também que ainda há áreas sobretudo na zona Leste que possuem espaço para expansão de galpões industriais, como os ramais do Brasileirinho e do Ipiranga, além de regiões nos bairros Colônia Antônio Aleixo e Puraquequara.

“A gente entende que essa é uma oportunidade fantástica de expansão e desenvolvimento para a nossa cidade. Nós, como órgão de desenvolvimento urbano, queremos que isso aconteça, a gente torce para que isso aconteça, e vamos trabalhar para isso, dentro de um equilíbrio entre todos os interesses”, completou.

 Suframa contesta perda de empregos com novo PPB

 A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) contestou, nesta segunda-feira, a informação de que as mudanças no Processo Produtivo Básico (PPB) de televisores, em fase de consulta pública, pode acarretar a perda de 12 mil empregos no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A projeção do corte na mão de obra do setor de produção de TVs com tela de cristal líquido foi feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato da Indústria de Aparelhos e Componentes Elétricos do Amazonas (SINAEES-AM) em matéria pública por A CRÍTICA no sábado.

De acordo com essas entidades, as alterações propostas na Consulta Pública 10/2026 dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) podem permitir a importação de insumos e provocar perda de empregos no PIM.

Para a Suframa, essa estimativa não possui amparo técnico nem legal. O órgão enfatizou que o texto atual é apenas uma proposta preliminar e encontra-se sob o rito estrito da legislação vigente para aperfeiçoamento.

Disse também que a mudança, tratada na Consulta Pública nº 10/2026, visa a substituir a Portaria Interministerial nº 9.485/2021 para adequar as linhas de montagem à chegada da tecnologia TV 3.0, nova geração de transmissão que integra TV aberta e internet banda larga, exigindo hardwares mais sofisticados.

“O modelo que vigora hoje prevê um regime estático com seis etapas produtivas de execução obrigatória, baseado em percentuais rígidos e dispensas pré-definidas de insumos cruciais, como a própria estrutura da tela LCD e os módulos de alto-falantes”, disse em a nota.

A Suframa explicou que a proposta introduz o chamado "PPB por Pontos". “A metodologia divide a fabricação em 30 etapas distintas, conferindo pontuações variadas a cada processo incorporado pela fábrica. Para obter os incentivos fiscais do modelo Zona Franca, as empresas precisarão somar uma meta progressiva, com uma inicial de 730 pontos para o ano de 2026, escalando de forma gradual até atingir o patamar de 922 pontos a partir de 2030”.

Afirmou também que a migração para o sistema de pontos tornou-se indispensável para acomodar a rápida evolução tecnológica do setor eletroeletrônico.

“O foco principal está no ecossistema da denominada "TV 3.0", a próxima geração de transmissão televisiva que integra de forma nativa os canais abertos de radiodifusão à internet de banda larga. A tecnologia promete transformar os aparelhos em hubs de alta interatividade, com segmentação de conteúdo e som imersivo, demandando arquiteturas de hardware muito mais sofisticadas do que as atuais”.

Segundo a Suframa, a proposta transforma seis etapas em mais de 30 com a possibilidade de incluir e pontuar em processos produtivos que antes não constavam do PPB. E que isso significa que a alteração permite a incorporação de novas tecnologias e a agregação de valor ao processo ao incluir novas etapas produtivas.

A autarquia disse que segue atenta aos impactos da transição em fornecedores locais de componentes essenciais, como placas de circuito impresso, fios, cabos e chicotes elétricos.

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