Com agulha e linha, Thyara transforma o crochê em peças artesanais que unem técnica, criatividade e identidade brasileira.
Deficiente auditiva oralizada, Thyara utiliza as redes sociais e a Libras para divulgar o trabalho para milhares de seguidores (Foto: Daniel Brandão)
A Copa do Mundo vai muito além das quatro linhas do campo e se consolida como um dos eventos esportivos capazes de movimentar a economia global e abrir espaço para novas oportunidades, especialmente para empreendedores. É o caso da estilista manauara Thyara Saraiva, de 37 anos, que atua com moda autoral e lançou uma coleção inspirada no Brasil. Com agulha e linha, Thyara transforma o crochê em peças artesanais que unem técnica, criatividade e identidade brasileira.
“Minha ideia foi criar uma coleção inspirada na identidade brasileira e na paixão pelo Brasil. Pensei em peças modernas e cheias de personalidade, que valorizassem a tendência da moda brasileira durante o período da Copa do Mundo”, disse a estilista. “Comecei em 2016, trabalhando como estilista de moda. Depois, iniciei os estudos em modelagem técnica para desenvolver melhor minhas criações e construir a minha própria marca como referência de moda autoral”, complementou.
A estilista Thyara Saraiva aposta em peças artesanais inspiradas na identidade brasileira e no clima da Copa do Mundo
Deficiente auditiva oralizada, Thyara Saraiva utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para comercializar as peças e compartilhar com mais de seis mil seguidores o talento e a criatividade que expressa na moda por meio do perfil @thysaraiva no Instagram. Além da Coleção Brasileira, a estilista também lançou a coleção Amazônia, marcada por pedrarias, sementes e formas que remetem à floresta, aos rios e às próprias raízes amazônicas da artista.
“Nasci em Manaus, e minha maior inspiração sempre foi a Amazônia, minha família e a natureza. Meu pai é indígena e nasceu em Parintins, então carrego muito dessa influência cultural e artística dentro de mim. A Amazônia representa minha identidade, minha história e meu amor pela arte. Tudo isso faz parte da minha marca e da minha essência como estilista”, contou Saraiva. “Esse sonho de criar moda inspirada na Amazônia vem do meu coração”, acrescentou.
As peças em crochê têm despertado cada vez mais o interesse do público. Para Thyara Saraiva, empreender no segmento da moda autoral é desafiador, mas também motivo de realização pessoal.
“Percebo que o crochê chama bastante atenção das clientes, porém uma das maiores dificuldades ainda é conquistar mais espaço para divulgação. Acredito que inovação, criatividade e estratégia são essenciais para atrair clientes e construir uma marca forte e de confiança”, afirmou.
Pensar em produtos voltados para a Copa do Mundo pode ser uma alternativa estratégica para empreendedores. A economista Michele Aracaty analisa que o mundial deve trazer impacto positivo para a economia doméstica.
“Em se tratando dos torcedores brasileiros, em especial, a expectativa é de uma economia doméstica aquecida. Analistas já projetam que a Copa do Mundo gere um impacto econômico global superior a US$ 80 bilhões e a criação de cerca de 824 mil empregos em tempo integral”, declarou.
Aracaty pontua que setores como turismo, infraestrutura, hotelaria, tecnologia, varejo e serviços, além da receita da Federação Internacional de Futebol (Fifa), devem movimentar o mercado financeiro. Além dos microempreendedores, o Polo Industrial de Manaus também pode registrar impactos positivos significativos durante o período do mundial, sendo um dos principais motores de sazonalidade para o setor eletroeletrônico.
“Historicamente, o evento impulsiona o aumento da produção e das vendas de televisores, telas de alta definição e aparelhos de som, com foco na atualização tecnológica dos consumidores. Para a Copa do Mundo de 2026, as projeções são de aumento de 11% na produção e impacto no emprego temporário na indústria, no comércio e no setor de serviços. No setor de vendas, a projeção é de crescimento entre 15% e 20%”, analisou a economista.
Quinta posição na economia
O setor têxtil e de confecção brasileiro mantém papel de destaque na economia nacional. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), ao final de 2025, a indústria têxtil e de confecção registrou faturamento superior a R$ 220 bilhões, reuniu cerca de 25,7 mil empresas e gerou aproximadamente 1,34 milhão de empregos diretos. O Brasil também ocupa a quinta posição entre os maiores produtores têxteis do mundo.
Para 2026, a expectativa é de cautela. Na análise da Abit, “o eventual crescimento da produção deve ser sustentado pela retomada gradual do crédito interno, pela queda lenta dos juros e por um ambiente inflacionário mais controlado”.
Ainda conforme a associação, “no plano doméstico, a Copa do Mundo pode estimular muito pontualmente o consumo de vestuário, mas um calendário com número elevado de feriados tradicionalmente afeta a produtividade e o desempenho econômico”.
Pontos
1 - Geração de renda para pequenos empreendedores
2 - Fortalecimento de marcas regionais
3 - Crescimento das vendas no comércio local
4 - Maior visibilidade para produtos artesanais
5 - Expansão da presença digital de empreendedores
6 - Incentivo à moda autoral e sustentável
7 - Criação de empregos temporários
8 - Valorização da identidade cultural brasileira