Ainda sob o tema habitação, outro dado negativo coloca o Amazonas em um vexatório terceiro lugar: 9,5% das pessoas vivem em domicílios sem banheiro de uso exclusivo
Dados mostram que o Amazonas ocupa o terceiro lugar nacional na falta de acesso à internet (Foto: Reprodução)
O Amazonas é o terceiro estado do Brasil com mais pessoas sem acesso à internet. Com 8,4% da população vivendo nestas condições, o estado fica atrás apenas do Acre, que ocupa o primeiro lugar no ranking com 13,1% da população sem acesso à internet, e do Maranhão, com 8,8%.
Comparado ao Distrito Federal, que tem o menor percentual de pessoas sem acesso à internet do país (1,6%), a porcentagem amazonense é 5,25 vezes maior. São Paulo, por exemplo, aparece em segundo lugar entre os que têm menos pessoas vivendo sem acesso à internet, com 3,1%.
O indicador é calculado a partir da PNAD Contínua, do IBGE, e representa o percentual de pessoas que compõem domicílios sem acesso à internet. Os dados estão reunidos na plataforma IMDS – Eleições: Panorama Estadual, uma iniciativa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), que reúne dados comparativos de todas as 27 unidades da federação brasileira baseados em 228 indicadores.
Os dados sobre pessoas sem internet, por exemplo, são encontrados sob o tema habitação. As informações da plataforma são distribuídas em 12 temas: ambiente de negócios; assistência social; atividade econômica; distribuição de renda e pobreza; educação; situação fiscal; habitação; meio ambiente; mercado de trabalho; mobilidade social; saúde e segurança.
Ainda sob o tema habitação, outro dado negativo coloca o Amazonas em um vexatório terceiro lugar: 9,5% das pessoas vivem em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Mais uma vez o estado só perde para o Acre, com 15,6%, e para o Maranhão, com 9,9%. Os dados, tanto de internet quanto do banheiro, integram o painel “Comparação entre as UFs” da plataforma.
O indicador “Alunos do 3º EM com proficiência abaixo do básico – LP” também traz um coeficiente negativo para o Amazonas: 48,6% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio têm proficiência abaixo do básico em Língua Portuguesa. Ou seja, quase metade dos estudantes, colocando o estado na quarta pior colocação, atrás de Roraima (50,8%), Maranhão (49,7%) e Bahia (48,9%). Os dados são de 2025.
Se o indicador escolhido for “Alunos do 3º EM com proficiência abaixo do básico – MT”, a situação piora: 76,3% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio da rede pública amazonense têm proficiência abaixo do básico em Matemática, colocando o estado em um incômodo segundo lugar entre os piores, perdendo apenas, por seis décimos para o Maranhão, cujo percentual é 76,9%.
Um indicador específico na área de saúde coloca o Amazonas em uma liderança positiva entre as unidades da federação. O estado tem a menor taxa de internação de jovens de 15 a 29 anos por 100 mil habitantes internados por transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool: 0,3. Para se ter uma ideia, no Rio Grande do Sul, o pior do país neste indicador, a taxa é de 15,7 por 100 mil habitantes.
Aqui, entretanto, uma questão fica sem resposta: a taxa significa que o abuso de álcool por jovens no Amazonas é baixíssimo ou as vagas para os casos em que a internação seria necessária são insuficientes?
Por outro lado, se o indicador escolhido for “Taxa de casos confirmados de tuberculose por 100 mil habitantes”, o Amazonas está na liderança, desta vez negativa, do ranking: são 128,2 casos contra apenas 18,3 no Distrito Federal, que possui a menor taxa.
A comparação entre os estados, também, evidencia o retrato das diferenças regionais do país. Há uma notável discrepância entre os estados do Norte e Nordeste e os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, separando-os em dois blocos. Entre os nove primeiros colocados no ranking dos estados com a maior proporção de pessoas com renda domiciliar per capita abaixo da linha de extrema pobreza, por exemplo, todos são das regiões Norte e Nordeste. Os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste ocupam as melhores posições entre as 27 unidades da Federação.
Quando o indicador é “Taxa de variação anual de pessoas inscritas no Cadastro Único”, o Amazonas figura em quinto lugar, com um aumento de 1,6% em 2025, em comparação com 2024. Superaram o Amazonas os estados de Roraima (4,3%), Goiás (2,8%) e Amapá (18%), além do Distrito Federal, que surge em terceiro lugar, com 2,6%.
Neste indicador, dez estados figuram com percentuais negativos, revelando que menos pessoas se inscreveram no Cadastro Único em 2025 do que em 2024. O Rio Grande do Sul lidera com -3,4%. Também apresentam taxas negativas Minas Gerais (-1,9%), Espírito Santo (-1,7%), São Paulo (-1,3%), Paraná (-1%), Tocantins (-0,6%), Mato Grosso do Sul (-0,6%), Ceará (-0,5%), Maranhão (-0,2%) e Mato Grosso (-0,1%).