Amazonense pelo mundo

Fran Sonoda transforma desafios em inspiração

Ex-candidata a Rainha do Peladão de 1987, ela produz conteúdo sobre sua história como imigrante no Japão

Marcelo Guilherme - Especial para A CRÍTICA
29/09/2025 às 12:28.
Atualizado em 29/09/2025 às 12:28

(Foto: Arquivo pessoal)

AISHO-CHO, JAPÃO – Criada na capital amazonense e manauara de coração, a acreana e imigrante brasileira, Francicléia Guimarães de Oliveira Sonoda, 54, reside em Aisho-Cho, cidade localizada na província de Shiga-Ken, situada na ilha de Honshu, no Japão, há exatos seis anos e cinco meses.

Ex-funcionária de uma loja de artesanato que funcionava no aeroporto internacional de Manaus e ex-moradora do bairro Compensa, zona Oeste da cidade, Fran, como é carinhosamente conhecida, trocou o Brasil pela “Terra do Sol” em busca de segurança e, como a maioria dos imigrantes, novas oportunidades.

Atualmente casada com um descendente de japonês, Luis Hisao Sonoda, ela divide seu tempo trabalhando como operária no setor de embalagens de aspiradores de pó em uma fábrica da Panasonic, instalada na província japonesa, com a rotina de dona de casa, mãe e com as publicações de conteúdo em suas redes sociais, onde ela administra o Instagram: @fran.sonoda, com 66 mil e setecentos seguidores e mantém um diário digital da vida real que conta suas experiências e rotina no Japão.

A rede social, segundo ela, surgiu como uma forma de ajudar outras pessoas a conhecerem a realidade dos imigrantes em um país com uma língua, cultura, comida e fuso horário diferentes, mostrando de forma inusitada e alegre o seu dia a dia.

“Eu decidi vir para o Japão após terminar um relacionamento abusivo de 23 anos. E algum tempo depois da separação eu conheci meu atual marido por meio de um site na internet em setembro de 2016. Conversamos por seis meses e no sétimo mês eu já desembarquei no Japão, mais precisamente em abril de 2017. Foi a minha primeira viagem internacional e sozinha”, conta, ressaltando que ficou dois meses no Japão, retornando ao Brasil para ajustes dos trâmites legais para oficializar a união e em 14 de novembro de 2018 se casou à distância por procuração, tendo seu filho como representante do esposo na cerimônia, mas somente em 18 de abril de 2019, ela se mudou de forma definitiva para o Japão.

 DIFICULDADES NA TERRA DO SOL

 A operária e influenciadora digital recorda que o processo de imigração foi bem difícil logo no início porque os filhos, Robson, com 38 anos e que permanece em Manaus, e a filha Bárbara, 28, atualmente morando no Japão, na época tiveram que ficar no Brasil.

“No começo foi muito difícil lidar com isso e, de certa forma, fui me isolando um pouco. Todo o resto é muito tranquilo. Consigo me virar e levar minha vida com meu marido e minha filha, e para mim isso já está bom demais”, comenta.

Fran frisa que seu objetivo nunca foi juntar dinheiro e nem esperava ir morar do outro lado do mundo. “Tudo foi acontecendo nesses acasos da vida. Não consegui juntar dinheiro e nem vim para isso. Tudo começou com o casamento e as coisas foram surgindo. O que eu faço é aproveitar e viver esse tempo aqui até quando Deus quiser”, conta entusiasmada.

“No Brasil. Nasci no Acre, mas sou manauara de coração. Fui criada no bairro da Compensa desde que cheguei em Manaus. E só saí de lá para viver com o pai dos meus filhos. Também tive o Ruan, que faleceu aos 10 meses. Hoje, o que tenho de mais precioso são meus filhos e também uma neta de cinco anos e minha história no Japão”, afirma.

Ela também diz que, entre outras de suas dificuldades, além de não ter aprendido ainda o idioma, foi a convivência com pessoas da mesma nacionalidade. “Mesmo não dominando de forma fluente o idioma, eu só falo algumas palavras e frases e também uso o Google Tradutor. Foi o contato com nossos próprios conterrâneos. Pelo menos, a experiência que eu tive não foi muito boa. Eles nos tratam com desdém e nunca me acostume.”

 Influenciadora e ex-semifinalista do concurso Peladão 1987

  

A imigrante em terras japonesas brinca que o lado digital influencer e extrovertido sempre esteve presente em sua vida quando as redes sociais nem existiam, bem como o gosto pelas passarelas da época em que tinha 16 anos, quando participou pela primeira vez do concurso Rainha do Peladão 1987, representando o time Verona da Compensa e organizado pelo seu tio.

“Hoje sempre uso as redes sociais para contar um pouco da minha história e ao mesmo tempo mostrar outra cultura e também incentivar, com meus vídeos, para que as pessoas nunca desistam dos seus sonhos e que percebam que nunca é tarde para recomeçar. Sempre tem uma nova história que vai surgir ali na frente”, brinca.

 Explorar o continente asiático e recomendações para os imigrantes

 A influenciadora-operária, ex-vendedora e ex-candidata a Rainha do Peladão revela que, entre os sonhos que ainda pretende alcançar, estão a viagem pelo continente asiático a partir de 2026.

“Quero conhecer a Coréia, China, Singapura e outros países próximos. Sempre criando conteúdo para as minhas redes sociais. Esse é o meu atual sonho e já tem até data marcada: em fevereiro eu embarco rumo à Coréia”, adianta.

Para os novos imigrantes, ela diz: “Uma dica! Mantenha seus pés sempre no chão, independente do país para o qual tenha vontade de ir. E tenha consciência de que irão aparecer muitos obstáculos no meio do caminho e que você não vai poder contar com pessoas do seu país. Mas, mesmo assim, qualquer lugar que seja, você tem que aprender a ser independente, viver e aproveitar cada segundo das oportunidades que forem chegando”, aconselha.

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