CUIDADOS COM PETS

Fumaça das queimadas também ameaça a saúde de cães e gatos

Animais domésticos e silvestres podem sofrer com problemas respiratórios, irritação nos olhos, desidratação e intoxicação

Thiago Monteiro
26/09/2026 às 15:37.
Atualizado em 26/09/2026 às 15:37

Fumaça provenientes de queimadas é ameaça à saúde dos pets (Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas não representa risco apenas à saúde humana. Animais domésticos e silvestres também sofrem com a exposição à poluição atmosférica, que pode provocar problemas respiratórios, irritação nos olhos, desidratação e, em casos mais graves, intoxicação e risco de morte.

De acordo com a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Alessandra Nava, os animais silvestres estão entre os mais afetados pelas queimadas. Além dos impactos diretos da fumaça, eles enfrentam a destruição de seus habitats e são obrigados a buscar novas áreas para sobreviver.

“Os animais silvestres são altamente afetados. Primeiro por perderem sua ‘casa’ e terem que se deslocar para áreas que possam ser uma ameaça à sua existência, atravessando estradas, ruas ou sendo atacados por animais domésticos”, explicou Nava.

Segundo a pesquisadora, os incêndios também podem provocar queimaduras, desidratação e problemas respiratórios graves nos animais. “Alguns são resgatados e encaminhados para centros de reabilitação, onde recebem atendimento veterinário”, disse.

Para Nava, a principal forma de evitar esses impactos é impedir que as queimadas ocorram. “A prevenção é não queimar”, destacou.

Pesquisadora Alessandra Nava, da Fiocruz Amazônia, aponta que queimadas destroem habitats de animais silvestres

Cães e gatos

 Os animais domésticos também ficam expostos à fumaça, principalmente durante períodos em que a qualidade do ar apresenta níveis críticos. Segundo o professor e médico veterinário Márcio Nogueira, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas (CRMV-AM), a fumaça pode afetar principalmente os sistemas respiratório e cardiovascular de cães e gatos.

Entre os sintomas estão tosse, espirros, secreção nasal, dificuldade ou aumento do esforço para respirar, respiração acelerada ou ofegante, irritação e vermelhidão nos olhos, lacrimejamento, irritação da garganta, náuseas, vômitos, perda de apetite, fraqueza e intolerância ao exercício.

“Em exposições mais intensas, o animal pode desenvolver broncoespasmo, inflamação pulmonar e redução da oxigenação do organismo. Doenças cardíacas ou respiratórias que já existam também podem ser agravadas”, destacou o vice-presidente do CRMV-AM.

Nogueira alerta ainda que, em ambientes fechados com grande concentração de fumaça, existe o risco de intoxicação por gases presentes no ar, como o monóxido de carbono. Em situações graves, a exposição pode provocar alterações neurológicas, perda de consciência e até levar o animal à morte.

“Animais idosos, filhotes e aqueles que já possuem doenças cardíacas ou respiratórias estão entre os que podem apresentar maior risco de complicações”, alertou o médico veterinário.

Foto: Junio Matos

 Proteção

A principal recomendação dos especialistas é reduzir ao máximo a exposição dos animais à fumaça. Em dias de qualidade do ar muito ruim, cães e gatos devem permanecer em ambientes protegidos.

Para quem mora em apartamento, a orientação é evitar passeios e atividades físicas ao ar livre durante os períodos críticos. Caso seja necessário sair para que o animal faça suas necessidades, a permanência na área externa deve ser a mais breve possível.

“Animais que vivem em casa, no quintal, acabam absorvendo a fumaça”, explicou Nava. Ela chama atenção especialmente para o material particulado fino, conhecido como PM2,5, que pode penetrar profundamente no sistema respiratório e se acumular nos alvéolos pulmonares.

Entre as medidas recomendadas por Nogueira estão manter portas e janelas fechadas durante os períodos de maior concentração de fumaça, evitar corridas e exercícios ao ar livre, manter água fresca disponível e impedir que os animais tenham acesso a queimadas, fogueiras ou locais atingidos por incêndios.

Quando possível, ambientes protegidos e com filtragem do ar também podem ajudar a reduzir a exposição. O veterinário recomenda ainda evitar atividades que aumentem a quantidade de partículas no ambiente, como produtos que produzam fumaça, sprays e aerossóis.

Sinais de alerta

Caso o animal seja exposto à fumaça, a primeira medida deve ser retirá-lo do ambiente contaminado e levá-lo para um local com ar mais limpo.

Em casos de irritação leve, o animal deve permanecer em repouso, receber água e ser observado. Porém, alguns sintomas exigem atendimento veterinário imediato, como dificuldade para respirar, respiração muito rápida, esforço abdominal para respirar, língua ou gengivas arroxeadas ou muito pálidas, tosse intensa, fraqueza, desorientação, desmaio, convulsões ou perda de consciência.

O tratamento depende da intensidade da exposição e dos sintomas apresentados. O médico veterinário pode indicar oxigenoterapia, controle das alterações respiratórias e cardiovasculares, além de exames e outros procedimentos.

Os especialistas também alertam para que os tutores não administrem medicamentos por conta própria. Corticoides, broncodilatadores e antibióticos, por exemplo, não devem ser utilizados sem avaliação profissional.

A recomendação é especialmente importante durante períodos de fumaça intensa: quanto maior a concentração de poluentes e maior o tempo de exposição, maior o risco para a saúde dos animais. A prevenção das queimadas e a retirada rápida dos animais de ambientes contaminados são as principais formas de proteção.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por