Alexandre de Araújo Jimenez analisa como materiais e acompanhamento docente podem atender diferentes necessidades de aprendizagem
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Uma resposta errada em matemática pode começar antes da primeira operação. A dificuldade pode estar na leitura do enunciado, no reconhecimento de uma grandeza ou em um conceito necessário para avançar. Identificar essas etapas ajuda o professor a decidir como retomar o conteúdo em turmas com diferentes necessidades de aprendizagem.
Os dados brasileiros dimensionam o problema. No Pisa 2022, 73% dos estudantes avaliados ficaram abaixo do nível básico de proficiência em matemática. Em ciências, 45% alcançaram esse patamar ou níveis superiores, ante 76% na média da OCDE. Os indicadores retratam o desempenho dos participantes e não permitem atribuir as dificuldades a um diagnóstico específico.
Licenciado em Física pelo Instituto Federal de São Paulo e em Matemática pela Universidade Cruzeiro do Sul, Alexandre de Araújo Jimenez tem mais de duas décadas de atuação docente.
“Quando o aluno erra, precisamos descobrir em que momento ele perdeu a compreensão. Repetir a mesma explicação pode não resolver se a dificuldade estiver em uma etapa anterior”, afirma.
Um problema extenso pode exigir leitura, seleção de informações e organização de uma sequência de cálculos. Examinar essas tarefas separadamente permite identificar quais foram compreendidas e quais ainda precisam de apoio. A resposta final, isoladamente, oferece poucas informações sobre esse percurso.
A apresentação do material também merece atenção. Instruções claras, diagramas legíveis e exemplos desenvolvidos em etapas são recursos que podem ser escolhidos conforme o conteúdo e as necessidades observadas. O acompanhamento permite verificar se a mudança na explicação ajudou o estudante a avançar.
“É possível manter o conteúdo e mudar a forma de apresentá-lo. O importante é verificar se o recurso ajudou o estudante a compreender a relação entre os dados e a construir uma resposta”, diz Jimenez.
Paralelamente à docência, ele atua na FAB com informações aeronáuticas, onde é condecorado por sua excelência. Essa experiência oferece uma perspectiva profissional sobre organização e interpretação de dados, enquanto o trabalho escolar exige observar como cada estudante compreende as informações apresentadas.
A discussão sobre recursos pedagógicos envolve também sua utilização. No indicador apresentado pelo Education at a Glance 2025, o Brasil destinou 4,3% do Produto Interno Bruto ao financiamento público da educação, do nível primário ao superior, ante 3,6% na média da OCDE. O percentual dimensiona o esforço financeiro, mas não mede, isoladamente, a qualidade dos materiais ou do acompanhamento nas escolas.
“Um material precisa ser acompanhado de uma proposta de uso. O professor deve saber o que observar na atividade e como aproveitar essas informações para ajustar a aula seguinte”, afirma Henrique.
O apoio aos educadores orienta um projeto que Alexandre Jimenez planeja estabelecer em Orlando, na Flórida. A AD Education prevê oferecer consultoria a escolas, capacitação docente e desenvolvimento de materiais para Física, Matemática e outras disciplinas STEM, sigla que reúne ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
A proposta inclui atividades práticas e recursos voltados a diferentes necessidades de aprendizagem, com atenção a estudantes neurodivergentes. O trabalho pretende apoiar professores na elaboração de explicações, exercícios e avaliações, incorporando também exemplos da aviação para relacionar conceitos científicos a aplicações profissionais.