Queima de materiais inflamáveis descartados de forma irregular mobiliza bombeiros e gera fumaça tóxica na zona Leste
(Foto: Junio Matos)
Um incêndio em uma área de vegetação e acúmulo de resíduos no Distrito Industrial 2, na zona Leste de Manaus, chegou ao segundo dia consecutivo. O fogo teve início por volta das 15h do dia anterior em um terreno localizado ao lado de uma empresa de reciclagem, nas proximidades da área de acesso ao bairro Puraquequara.
De acordo com a fiscalização ambiental, a área contava com autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apenas para o descarte de resíduos sólidos inertes, como entulhos da construção civil que não entram em combustão espontânea. No entanto, foram identificados materiais como plásticos, borrachas, papéis, solventes e tonéis não identificados descartados de maneira irregular no local, o que alimentou as chamas.
O analista químico Armando Andrade, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), alertou para os riscos à saúde coletiva causados pela queima desses componentes. Segundo o especialista, a combustão desses materiais produz gases tóxicos que podem atingir comunidades vizinhas, provocando sintomas como dor de cabeça, náuseas e mal-estar geral. Equipes do Ipaam e da Semmas utilizaram drones com câmeras térmicas para mapear a temperatura e identificar os pontos mais críticos do terreno, reunindo dados para a autuação dos responsáveis.
O combate às chamas mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) de forma contínua. Segundo o tenente Lailton Silva, o trabalho de extinção é complexo porque os resíduos estão amontoados e queimam em profundidade. Até a manhã do segundo dia, mais de 150 mil litros de água já haviam sido utilizados na operação, que também contou com o suporte de caminhões-pipa com capacidade de 50 mil litros e maquinário pesado, como retroescavadeiras e tratores, para revirar e isolar o material em combustão.
Além do impacto ambiental, a densa nuvem de fumaça gerada pelo fogo comprometeu a visibilidade de motoristas que trafegam pela região, caracterizada por trechos em curva e intenso fluxo de carretas e veículos pesados do Polo Industrial de Manaus.