Fogo consome resíduos em profundidade, dificulta combate dos bombeiros e causa poluição que atinge moradores
(Foto: Reprodução / TV A Crítica)
Um incêndio de grandes proporções no lixão a céu aberto de Iranduba, na região metropolitana de Manaus, persiste pelo terceiro dia consecutivo. O fogo, que começou no fim da tarde de quinta-feira, causa intensa fumaça, problemas respiratórios na população e levou o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) a multar a Prefeitura de Iranduba em mais de R$ 2 milhões.
O Corpo de Bombeiros, que atua na região desde a madrugada de quinta-feira, enfrenta desafios significativos para controlar as chamas. A área extensa, o vento que propaga o fogo e, principalmente, o fato de o incêndio ter atingido camadas profundas de resíduos dificultam o combate. A água lançada pelos bombeiros atinge apenas a superfície, não alcançando os focos subterrâneos.
Nesta manhã, os trabalhos de combate dos bombeiros estavam paralisados por falta de maquinário pesado. Apenas uma máquina, disponibilizada pela Prefeitura de Iranduba, era necessária, mas não estava no local, impedindo o acesso à parte subterrânea para remover os resíduos e permitir a extinção. Sem o equipamento, os militares afirmaram que o que resta é deixar queimar até a chegada dos recursos ou a dissipação natural do fogo.
Moradores do Ramal do Janauari, próximo ao lixão, relatam dificuldades extremas. A fumaça intensa tem causado problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos. Uma moradora mencionou ter precisado levar o filho para Manaus e que a Secretaria de Saúde liberou as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender pessoas com problemas respiratórios decorrentes da fumaça. Doações de máscaras estão sendo distribuídas na região.
Catadores que trabalham no lixão perderam seus materiais de trabalho no incêndio, estimando uma perda de mais de 400 sacos de material reciclável. Eles afirmam que o sustento e os estudos dependem da coleta de recicláveis. A situação não é inédita; o lixão já havia pegado fogo no ano passado, com um incêndio que durou 22 dias, embora em proporções menores.
Além dos impactos na saúde, o incêndio gera grave poluição ambiental, com a emissão de gases como o metano, prejudicial à atmosfera. A fumaça se espalha, atingindo comunidades vizinhas e, com a intensificação do vento, pode alcançar áreas mais distantes, incluindo Manaus, conforme alertado por um bombeiro.
A multa aplicada pelo IPAAM, superior a R$ 2 milhões, foi emitida após fiscalização constatar a queima de resíduos no lixão, causando poluição atmosférica e prejuízos à população. Até o momento, não há previsão para a conclusão dos trabalhos, e a ausência de maquinário adequado sugere que o cenário de fumaça e queima de resíduos pode persistir por um longo período.