ação social

Indígenas de São Gabriel da Cachoeira recebem comitiva para emissão de documentos

Na comunidade vivem 50 famílias de seis etnias distintas: Tukano, Dessana, Baré, Arapaço, Pira-tapuya e Tariana

Robson Adriano
11/03/2024 às 19:26.
Atualizado em 11/03/2024 às 19:26

Emissão de documentos é realizada em comunidade com 50 famílias de várias etnias (Foto: Junio Matos)

São Gabriel da Cachoeira - Indígenas moradores da Comunidade Camanaus, na Ilha Duraka, situada à margem esquerda do rio Negro, em frente ao município de São Gabriel da Cachoeira (distante 852 quilômetros em linha reta de Manaus), receberam uma comitiva do Cartório Extrajudicial do município, na tarde desta segunda-feira (11), que viabilizou a emissão de primeira e segunda via de documentos pessoais. 

O líder comunitário José Ferino Borges, conhecido como Capitão Zé Ferino, 68 anos, da etnia Tukano, declarou que para a comunidade é muito importante ações como essa.

“A gente não esperava acontecer. É a primeira vez. Acredito que toda comunidade ficou grata com isso. Ir para a cidade é muito difícil tem que ir de madrugada e enfrentar a fila. É um grande benefício”, disse o capitão.

Capitão Zé Ferino, 68 anos, da etnia Tukano

Na comunidade vivem 50 famílias de seis etnias distintas: Tukano, Dessana, Baré, Arapaço, Pira-tapuya e Tariana. A principal atividade economia é o plantio e cultivo da mandioca e consequentemente a produção da farinha. Algumas famílias vivem do que plantam. Para ter acessos aos serviços básicos de cidadão é preciso pegar uma rabeta e atravessar o rio, as vezes no remo com a força do braço.

Dessa vez não foi preciso para a Elizete Bruno Garcia, 41 anos, da etnia Tukano. Ela emitiu na comunidade onde mora a segunda via da identidade civil, uma vez que já possui Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (Rani).

“Faz tempo que tento tirar o documento. Achei muito boa a ação de hoje. Não vou precisar ir até Manaus. Na cidade tudo é muito difícil”, disse.

Elizete Bruno Garcia, 41 anos, da etnia Tukano

Emissão de primeira via de certidão de nascimento, carteira de identidade, reconhecimento de paternidade e reconhecimento de paternidade socioafetivo foram um dos serviços oferecidos. A delegatária do Cartório Extrajudicial da Comarca de São Gabriel da Cachoeira, Letícia Camargo Carvalho, frisou a garantia de direitos aos povos originários. 

“Nossas ações são de acessibilidade. É olhar para o outro, é entender que a nossa logística é peculiar, cada etnia tem características próprias, garantir a cidadania com a preservação de todas as crenças”, disse a delegatária, que recebeu presentes das crianças da tribo – que iniciaram as atividades com a Dança do Mawaca – como forma de agradecimento pela ação de cidadania desenvolvida na comunidade indígena. 

Leticia Camargo Carvalho, delegatária do Cartório Extrajudicial da Comarca de São Gabriel da Cachoeira

O desembargador Cezar Bandieira, diretor da Escola de Judicial do Tribunal de Justiça do Amazonas (Ejud/Tjam), reafirmou o compromisso do judiciário para com os povos originários.

“O judiciário tem avançado bastante para bem atender a população indígena. O judiciário vem para consolidar a cidadania. Nós e os irmãos indígenas somos guardiões do território nacional aqui”, disse.

Desembargador Cezar Bandieri

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