Julho amarelo

Julho Amarelo reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das hepatites virais

Campanha alerta para doenças silenciosas que ainda representam um importante desafio de saúde pública na região Norte

acritica.com
06/07/2026 às 09:52.
Atualizado em 06/07/2026 às 09:52

(Foto: Agência Brasil)

O mês de julho marca a realização da campanha Julho Amarelo, iniciativa nacional dedicada à conscientização sobre as hepatites virais e à promoção de ações de prevenção, vacinação e diagnóstico precoce. Consideradas doenças silenciosas, as hepatites podem evoluir por muitos anos sem apresentar sintomas, aumentando o risco de complicações graves, como cirrose hepática e câncer de fígado. 

Na região Amazônica, o alerta é ainda mais relevante. Devido às características epidemiológicas locais, as hepatites B, C e D apresentam maior incidência, tornando indispensáveis as estratégias de prevenção, testagem e acompanhamento médico.

Para a presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Amazonas (SINDSEMP-AM), Wladia Maia, promover ações de conscientização é uma forma de fortalecer a cultura da prevenção, incentivar o autocuidado e estimular a responsabilidade coletiva em relação à saúde.

"O Julho Amarelo reforça a importância da informação como uma das principais ferramentas de prevenção. As hepatites virais são doenças que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa, o que torna indispensáveis a conscientização, a vacinação e a realização periódica de exames para o diagnóstico precoce. O SINDSEMP-AM acredita que promover campanhas educativas é também promover saúde, qualidade de vida e cuidado com as pessoas. Ao levar esse conhecimento aos servidores e à sociedade, contribuímos para a prevenção de doenças e para a construção de uma cultura de autocuidado e responsabilidade coletiva, afirmou.

Amazônia exige atenção redobrada

Segundo o médico infectologista Noaldo Lucena, as hepatites virais são inflamações do fígado causadas por diferentes vírus, classificados como A, B, C, D e E. Embora todas mereçam atenção, a realidade amazônica demanda vigilância especial em relação às hepatites B, C e D. 

"São doenças que merecem atenção especial porque nossa região apresenta uma prevalência importante das hepatites B, D e C. Por isso, o Julho Amarelo desempenha um papel fundamental ao chamar a atenção da população para a prevenção e o diagnóstico", explica.

Como ocorre a transmissão

Entre as hepatites virais, a hepatite B é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Segundo o infectologista, sua transmissão ocorre principalmente por relações sexuais desprotegidas, da mãe para o bebê durante a gestação ou parto  e pelo contato com sangue contaminado. Embora as transfusões sanguíneas atualmente sejam seguras no Brasil, graças aos rigorosos protocolos de triagem, o vírus pode permanecer ativo por até sete dias em superfícies contaminadas.

Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, podendo ocorrer também, em menor frequência, por relações sexuais ou pelo compartilhamento de materiais perfurocortantes, como alicates de manicure e instrumentos não esterilizados adequadamente.

"A principal forma de prevenção contra a hepatite B é a vacinação, associada ao uso de preservativos. Já para a hepatite C ainda não existe vacina, por isso a realização de testes periódicos é essencial", destaca Noaldo.

O perigo das doenças silenciosas

Um dos principais desafios no enfrentamento das hepatites virais é justamente a ausência de sintomas durante grande parte da evolução da doença. Muitas pessoas descobrem a infecção apenas quando o comprometimento do fígado já está avançado. 

Segundo o especialista, os sinais de alerta incluem pele e olhos amarelados, cansaço intenso, febre, dores no corpo e urina escurecida. No entanto, ele reforça que não é preciso esperar pelos sintomas para procurar atendimento.

"A recomendação é realizar testes diagnósticos pelo menos uma vez por ano. Quem teve relação sexual desprotegida, especialmente com parceiros eventuais, deve procurar a testagem o quanto antes”, orienta Noaldo Lucena.

Avanços no tratamento

Os avanços da medicina têm proporcionado resultados cada vez mais positivos no tratamento das hepatites virais. Para a hepatite B, existem medicamentos capazes de controlar a infecção, embora ainda não haja cura definitiva para todos os casos.
Já em relação à hepatite C, os tratamentos atuais revolucionaram o prognóstico dos pacientes.

"Hoje temos tratamento específico para hepatite C com índices de cura bastante elevados, próximos de 95% dos casos", afirma o infectologista.

Prevenção continua sendo a melhor estratégia 

Para Noaldo Lucena, a principal mensagem do Julho Amarelo é reforçar que a prevenção ainda é a ferramenta mais eficaz contra as hepatites virais.

"É extremamente importante que a população compreenda a necessidade de manter a vacinação contra as hepatites A e B em dia, realizar testagens pelo menos uma vez por ano, procurar investigação após relações sexuais desprotegidas, especialmente com parceiros eventuais, e utilizar preservativos. Essas medidas salvam vidas e permitem o diagnóstico precoce, aumentando significativamente as chances de tratamento e controle da doença."

Ao promover informação de qualidade e incentivar hábitos preventivos, o Julho Amarelo reforça que o combate às hepatites virais depende da conscientização coletiva, do acesso ao diagnóstico e da adoção de medidas preventivas. Na Amazônia, onde essas doenças ainda apresentam elevada incidência, a campanha representa um importante instrumento para fortalecer a saúde pública e ampliar a proteção da população.

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