Veterinária dermatologista explica quando o comportamento merece atenção e quais cuidados ajudam a identificar a causa do problema
Compreender a origem da lambedura é o que permite definir o tratamento mais adequado (MAGNIFIC/REPRODUÇÃO)
Lamber as patas faz parte do comportamento natural dos cães e, na maioria das vezes, não representa motivo de preocupação. Em algumas situações, porém, esse hábito pode indicar que o animal está tentando aliviar algum desconforto e merece a atenção do tutor.
Segundo a profissional, a lambedura excessiva pode ter diferentes origens. "A causa mais frequente é a coceira, principalmente relacionada às doenças alérgicas, como a dermatite atópica e as alergias alimentares. Também encontramos infecções por bactérias e fungos, presença de parasitas, corpos estranhos entre os dedos, dor causada por problemas ortopédicos ou lesões, alterações nas unhas e, em alguns casos, fatores comportamentais, como ansiedade ou estresse”.
Como o mesmo comportamento pode estar presente em diferentes doenças, a consulta veterinária é fundamental para identificar o que está provocando o problema. "A investigação começa com uma conversa detalhada com o tutor sobre quando o problema começou, se é contínuo ou sazonal, alimentação, ambiente, rotina e tratamentos já realizados. Em seguida, realizamos um exame dermatológico completo, avaliando pele, pelos, unhas, coxins e espaços entre os dedos. Dependendo do caso, podem ser feitos exames complementares, como citologia, pesquisa de ectoparasitas, cultura fúngica, entre outros”.
Para a dermatologista, compreender a origem da lambedura é o que permite definir o tratamento mais adequado. "O mais importante é entender que a lambedura é um sintoma, não um diagnóstico. O tratamento só será realmente eficaz quando identificarmos a causa”.
Enquanto aguarda a consulta, o tutor pode manter as patas limpas e secas, especialmente após passeios
Enquanto aguarda atendimento, o tutor pode adotar alguns cuidados simples e, principalmente, observar como o animal se comporta. Essas informações ajudam o veterinário durante a avaliação. "O primeiro passo é observar a frequência da lambedura e verificar se existem sinais como vermelhidão, inchaço, secreção, mau cheiro ou feridas. Enquanto aguarda a consulta, o tutor pode manter as patas limpas e secas, especialmente após passeios, evitando que fiquem úmidas por longos períodos”.
Camila também faz um alerta para medidas que podem atrapalhar o diagnóstico ou até agravar o problema. "É importante não utilizar pomadas, medicamentos humanos, antissépticos ou antialérgicos por conta própria, pois isso pode mascarar os sinais clínicos e dificultar o diagnóstico. Também não é recomendado impedir a lambedura apenas com colares ou botas sem investigar a causa do desconforto”.
A recomendação é procurar atendimento assim que o comportamento persistir ou vier acompanhado de outros sinais clínicos. "Quanto mais cedo o animal for avaliado, maiores são as chances de controlar o problema antes que ele evolua para lesões mais graves e infecções secundárias”, conclui.