Luto

Luto e trabalho: decisões individuais ganham destaque após casos de Tadeu e Ana Paula no BBB

Ao abrir o programa, Tadeu prestou uma homenagem emocionada ao irmão, destacando o compromisso dele com a profissão como inspiração direta para sua decisão de seguir trabalhando.

Omar Gusmão
20/04/2026 às 12:07.
Atualizado em 20/04/2026 às 12:07

Quando soube da morte do pai, Ana Paula contou com o apoio de Juliano (Foto: Reprodução TV Globo)

A forma como cada pessoa lida com o luto voltou ao centro do debate após dois episódios envolvendo figuras públicas no último fim de semana. O apresentador Tadeu Schmidt decidiu manter o compromisso profissional e comandar o Big Brother Brasil no mesmo dia em que perdeu o irmão, o ex-jogador Oscar Schmidt, aos 68 anos. Já a jornalista e participante do reality, Ana Paula Renault, optou por permanecer no programa mesmo após a morte do pai, Gerardo Henrique Machado Renault, atendendo a um desejo manifestado por ele em vida.

Ao abrir o programa, Tadeu prestou uma homenagem emocionada ao irmão, destacando o compromisso dele com a profissão como inspiração direta para sua decisão de seguir trabalhando. “Oscar nunca deixou os companheiros de time na mão”, afirmou. 

No caso de Ana Paula, a família comunicou que a permanência no reality representa não apenas uma oportunidade profissional, mas a realização de um sonho antigo, incentivado pelo próprio pai, que acompanhava a filha diariamente, inclusive durante internação hospitalar.

Sob a ótica da psicologia, no entanto, especialistas alertam que não existe uma forma “correta” de vivenciar o luto. O psicólogo e especialista em luto Rafael Ronque explica que a experiência é profundamente individual e nem sempre se manifesta de maneira visível. 

“A elaboração do luto é um processo interno que pode ter ou não uma expressão externa reconhecida pela comunidade”, afirma. Segundo ele, continuar trabalhando após uma perda pode, em alguns casos, funcionar como estratégia de enfrentamento. “O ambiente profissional pode oferecer apoio e uma sensação de familiaridade em meio ao caos emocional”, completa.

Ronque destaca ainda que julgar a reação de alguém diante da morte de um ente querido é um equívoco comum. “A experiência interna pode ser muito diferente da expressão. Continuar trabalhando ou se afastar vai depender da pessoa, da intensidade do vínculo e de fatores culturais”, diz. 

Presença e apoio

Ele também orienta que, diante de alguém enlutado, o mais importante é oferecer presença e apoio genuíno, evitando frases prontas ou tentativas de minimizar a dor. O profissional esclarece também que a psicoterapia é indicada quando o sofrimento da pessoa estiver difícil de suportar ou quando o funcionamento diário estiver prejudicado.

"Se for uma perda mais complexa, como no luto por mortes violentas, muitas vezes a piscoterapia é importante. E também há o critério do tempo, alguns dizem acima de 6 a 12 meses são casos indicados para psicoterapia", esclarece.

O que diz a lei

Do ponto de vista legal, a legislação brasileira prevê a chamada licença por falecimento — ou licença-nojo — que garante ao trabalhador regido pela CLT o direito de até dois dias consecutivos de afastamento remunerado em caso de morte de familiares próximos, conforme o artigo 473. 

O período começa a contar a partir da data do óbito e abrange cônjuges, pais, filhos, irmãos e dependentes econômicos. Convenções coletivas de cada categoria de trabalhadores podem ampliar esse prazo, enquanto servidores públicos federais têm direito a até oito dias de afastamento.

Há ainda uma proposta em tramitação no Congresso Nacional que pretende estender a licença para oito dias também na iniciativa privada, mas o texto ainda aguarda análise na Câmara dos Deputados. 

Enquanto isso, casos como os de Tadeu Schmidt e Ana Paula Renault reforçam que, para além da lei, o enfrentamento do luto passa por escolhas íntimas — e, muitas vezes, incompreendidas — sobre como seguir em frente.

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